Quarta-feira, 08 de Julho de 2020
MUDANÇAS

Em clima de 'tanto faz', bancada federal do AM comenta troca na Suframa

Parlamentares não demonstram preocupações com a mudança no comando da Suframa, que ainda não foi publicada em Diário Oficial mas já é dada como certa



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02/06/2020 às 16:43

A exoneração do coronel Alfredo Menezes do comando da Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa), antecipada pelo site O Antagonista, ainda não foi publicada no Diário Oficial da União (DOU) e nem confirmada pela autarquia, mas é dada como certa no meio político e repercutiu entre os parlamentares do Amazonas.

O presidente da República, Jair Bolsonaro (sem partido), demitiu na segunda-feira, o superintendente da Suframa, segundo O Antagonista. De acordo com o site, Menezes será substituído pelo general da reserva Algacir Polsin, que comandou o Centro de Coordenação de Operações do Comando Militar da Amazônia.  



No dia 15 de fevereiro de 2019, Bolsonaro nomeou Menezes como superintendente da Suframa. Desde o início de janeiro, Menezes foi confirmado como novo titular da autarquia, mas a oficialização ocorreu apenas 

Em janeiro de 2019, Menezes foi confirmado como novo titular da autarquia, mas a nomeação, pelo presidente, ocorreu no 15 de fevereiro de 2019 com o registro no DOU. Na mesma edição do DOU, foi publicada a exoneração de Appio Tolentino, que esteve à frente da Suframa desde junho de 2017. Menezes foi o terceiro militar a assumir a autarquia desde a criação. Ele articulou a campanha presidencial de Bolsonaro na região amazônica e coordenou a coleta de assinaturas para criação da sigla partidária Aliança pelo Brasil, em formação.

“Torço para que a mudança seja para melhor. É uma prerrogativa do presidente da República e por algum motivo ele decidiu fazer a mudança. Não compete a mim discutir até porque acho que não altera em nada: general ou coronel. Importa é o que pode ser feito e estou pronto para ajudar”, afirmou o senador Plínio Valério (PSDB).

A CRÍTICA apurou que a troca na Suframa foi uma decisão técnica e sem relação com a concessão de cargos ao Centrão em troca de apoio político. Publicou ainda que caberá a Menezes a pasta da Secretaria Nacional da Amazônia, vinculada ao Ministério do Meio Ambiente.

O deputado federal Bosco Saraiva (SD) disse que conheceu Polsin, cotado para o cargo de superintendente,, na época em o parlamentar foi secretário de segurança do Amazonas e teceu elogios ao militar. “Tenho como um competente oficial e um grande brasileiro”, declarou.

Sidney Leite (PSD) frisou que a bancada do Amazonas no Congresso precisa atuar de forma articulada na defesa do modelo econômico, mantendo as vantagens comparativas e lutando por outros investimentos para o Polo Industrial de Manaus. “Torço para que o novo superintendente possa desenvolver um bom trabalho. Sabemos do papel que tem a Zona Franca de Manaus como um indutor de desenvolvimento regional na Amazônia Ocidental”, disse.

Para Pablo Oliva (PSL), o governo federal está atento às necessidades e à oxigenação da Zona Franca de Manaus em favor dos amazonenses. “Desejo sucessos ao novo gestor da autarquia na certeza de que as indústrias do Amazonas e a manutenção dos empregos de nossas famílias são prioridades para o sucesso da economia de nosso estado”, afirmou.

O deputado federal Marcelo Ramos (PL), que já trocou farpas com Menezes, declarou que a decisão é exclusiva do presidente e que não tinha nada a comentar. Em janeiro, o parlamentar protocolou um requerimento no Ministério da Economia com pedido de apuração de um contrato firmado entre a Suframa e a Construtora Brilhante para manutenção predial. Na época, o deputado afirmou que houve ilegalidade na contratação realizada sem licitação, por adesão a uma ata de registro de preços do ICMBio. Segundo Ramos, a adesão foi direcionada para contratação da construtora. “Quanto às denúncias é assunto da polícia e dos órgãos de controle”, resumiu.

Em texto divulgado à imprensa, o prefeito de Manaus, Artur Virgílio Neto (PSDB) disse que Menezes foi um ‘grande parceiro’ para realização das obras de revitalização do Distrito Industrial. “Agora, com sua saída, vamos esperar o novo superintendente para abrir novo diálogo. É mais uma consequência de atitudes de um presidente que não sabe governar”, afirmou o tucano, na segunda-feira.

O coordenador da bancada do Amazonas, senador Omar Aziz (PSD) disse não ter interesse em comentar o assunto. O vice-coordenador, deputado Silas Câmara (Republicanos) não retornou as ligações e os questionamentos da reportagem.

'Tudo normal'

A Suframa e Alfredo Menezes ainda não se manifestaram publicamente sobre o assunto. A assessoria de imprensa da autarquia informou que Menezes foi à sede da superintendência, no Distrito Industrial, na terça-feira onde cumpriu expediente e reuniu-se com o chefe de gabinete. Procurado pela reportagem, Menezes não atendeu às ligações e não respondeu as mensagens encaminhadas via WhatsApp.

Elogios

Na Assembleia Legislativa do Amazonas, em tom de despedida, a deputada estadual Alessandra Campêlo (MDB) elogiou, durante a sessão virtual desta terça-feira, o trabalho de Alfredo Menezes e desejou boa sorte ao general Polsin.

Opinião: José Ricardo, deputado federal pelo Partido dos Trabalhadores (PT)

“O presidente Bolsonaro demitiu o superintendente da Suframa, Alfredo Menezes. Circulam informações de que agora ele estaria consultando os parlamentares da bancada do Amazonas para um novo nome. Sou da bancada e não fui consultado. Pode ser uma consulta apenas para os seus aliados, mas não para a bancada. Já falam na indicação de outro militar, um general. Tudo na base dos conchavos e acordos políticos e nada pela melhoria na gestão da Suframa e do desenvolvimento do Amazonas.Da mesma forma, Bolsonaro disse que a implementação da Secretaria Nacional da Amazônia, criada em 2019, seria uma busca de união pelo desenvolvimento da região. Mais uma mentira. Até hoje, não sabemos como irá funcionar e nem quais interesses por trás dessa proposta. Somente, que mais um aliado político irá assumir o cargo. Um governo de mentiras e que desde o início vem trabalhando para acabar com os incentivos fiscais e com a Zona Franca de Manaus, um modelo de desenvolvimento, que apesar de nossas críticas, gera mais de 90 mil empregos diretos, e é a principal fonte de arrecadação do Estado do Amazonas”.

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