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Em clima tenso, reintegração de posse na Zona Oeste de Manaus é suspensa com decisão judicial

Cerca de 300 famílias, parte autointitulada indígena, ocupavam área de aproximadamente 1 milhão de metros quadrados. Um indígena foi ferido e quatro foram detidos. Funai e Polícia Federal tiveram que ser acionados para acompanhar a ação 01/12/2014 às 09:06
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Armados com arco e flechas, os índios protestaram contra a saída e "ganharam" a primeira "batalha"
PERLA SOARES Manaus (AM)

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A reintegração de posse de um terreno particular no bairro Tarumã, na Zona Oeste de Manaus, que teve início nas primeiras horas desta sexta-feira (28), foi cancelada após um defensor público apresentar uma suspensão da liminar no próprio local, quando acontecia um princípio de conflito entre a Polícia Militar e um grupo que se autodenomina indígenas, que integram as 300 famílias que ocupavam a área, que mede, aproximadamente, 1 milhão de metros quadrados.

De acorco com Marcos Leite, comandante da 20ª Companhia Interativa Comunitária (Cicom), a reintegração de posse, que teve início às 5h, partiu de uma decisão judicial da juiza Joana Meireles, mas foi interrompida 6 horas depois. "Às 11h, paralisamos a operação porque um defensor público chegou com a suspensão da liminar, assinada pela desembargadora Socorro Guedes, do TJ-AM (Tribunal de Justiça do Amazonas), que afirmou que a competência para julgar o caso cabe à Justiça Federal", explicou.

O responsável pela interrupção do ato foi o defensor público Carlos Alberto Almeida Filho, especializado em ações coletivas. As autoridades chegaram a iniciar a desocupação: fecharam o ramal da Anaconda, que dá acesso ao terreno, e começaram a derrubar os barracos com uso de máquinas pesadas. Um índio ficou ferido durante a ação e outros quatro indígenas foram detidos. “Na hora que chegamos com o oficial de Justiça, eles não quiseram obedecer e alguns indígenas agrediram policiais”, informou Leite. Segundo ele, houve desacato à autoridade e resistência à prisão.


Armados com arcos e flechas, os índios pintados para guerra fizeram uma barreira bem em frente aos policiais, um contigente formado por cerca de 250 militares, além da cavalaria e canil da PM. Funcionários da Fundação Nacional do Índio (Funai) e agentes da Polícia Federal (PF) também foram acionados para acompanhar a operação. 

Às 11h30, a reintegração foi suspensa. Com a retirada das máquinas, tratores e caminhões do terreno, houve grande comemoração por parte do grupo indígena. O índio ferido havia sido levado para o 20º Distrito Integrado de Polícia (DIP), mas posteriormente foi encaminhado à sede da PF. A PM continua no local apenas para garantir a segurança na região.

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