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Manaus
FIM DA LUTA

Em dois anos, 600 pacientes curados do câncer receberam alta na FCecon

Pacientes foram assistidos além do tempo indicado e tiveram alta oncológica a partir do “Programa de Revisão de Prontuários” da instituição de referência em Manaus 05/07/2018 às 07:06
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Foto: Antônio Lima/Arquivo AC
acritica.com* Manaus (AM)

Pelo menos 600 pacientes curados do câncer, que estavam em acompanhamento na Fundação Centro de Controle de Oncologia do Estado do Amazonas (FCecon) receberam alta oncológica, entre 2016 e 2018, a partir do “Programa de Revisão de Prontuários” da instituição. 

Eles foram assistidos por períodos superiores aos indicados pelos chamados “Protocolos de Seguimento”, os quais estabelecem que, após o encerramento da terapia curativa, e constatando-se que não há mais presença de doença maligna, o indivíduo deve ficar entre cinco e dez anos, dependendo do tipo de neoplasia diagnosticada, em acompanhamento multidisciplinar.

O modelo

“Essas pessoas foram encaminhadas a unidades contrarreferenciadas das redes primária e secundária para a realização anual dos seus exames de rotina (rastreio). O modelo foi inspirado em outras grandes unidades brasileiras de saúde consideradas referência em cancerologia”, explicou o cirurgião oncológico Marco Antônio Ricci, responsável pelo processo no hospital.

Segundo o cirurgião, a literatura prevê que a pacientes oncológicos já tratados, e sem resquício de doença, sejam mantidos em “seguimento”, ou seja, acompanhados por especialistas em oncologia das mais diversas áreas, por cinco anos. Após esse período, eles são considerados curados do câncer primário. Algumas exceções, como os cânceres de pele melanoma e mama, por exemplo, exigem um acompanhamento mais prolongado, de pelo menos dez anos. Isso porque, essas modalidades da doença são consideradas mais agressivas e com maiores chances de recidivas (retorno).

O Programa de Revisão de Protuários foi instituído no âmbito da FCecon, para avaliar quais pacientes ainda necessitavam de acompanhamento especializado. Com a contrarreferência, o atendimento na unidade hospitalar foi otimizado, o tempo de espera por consultas foi reduzido e a oferta de vagas, ampliada.

Marco Ricci explica que, ao avaliar o prontuário, durante consulta médica, o paciente também precisa apresentar exames atualizados. Dependendo do tipo de neoplasia maligna tratada na FCecon, os exames podem ser de imagem (ressonância magnética, tomografia computadorizada) ou/e de marcadores tumorais (PSA, CA125, CEA, CA19.9,  entre outros), além de hemograma completo. Se não for constatada qualquer alteração, o paciente recebe alta e o Certificado de Cura Oncológica.

Inspiração

A instituição registra, em média, 400 novos prontuários mês, para o registro de pessoas com diagnóstico ou suspeita de câncer e cujo perfil e os sintomas precisam ser investigados por profissionais da área. “Algumas unidades de saúde como o Hospital de Barretos, A.C. Camargo Cancer Center e o próprio Inca atuam dessa forma, com revisão de prontuário e alta oncológica”, explicou Marco Ricci.

Prioridade em casos de retorno da doença

Apesar de sabermos que o câncer é uma doença com chances de retorno, uma parcela pequena dos pacientes curados, que corresponde a menos de 10%, volta a apresentar alterações malignas”, explicou Marco Ricci. “Por isso, ao darmos a alta, informamos que se no futuro, aquele paciente voltar a ter câncer em algum momento da vida, ele terá prioridade de retorno e atendimento na fundação”, completou ele.

“Quando falamos em cura, os pacientes ficam muito felizes, pois o câncer ainda é uma doença estigmatizada e causa sofrimento. Mas é importante ressaltar que, se diagnosticada precocemente, ela tem cura”, frisou o cirurgião. De acordo com ele, havia pacientes em acompanhamento há mais de 20 anos na fundação que foram liberados após a revisão de prontuário. As especialidades envolvidas no processo, inicialmente, são: ginecologia, urologia e mastologia, que recebem, hoje, o maior número de pacientes que dão entrada na fundação.

*Com informações da assessoria de imprensa.

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