Segunda-feira, 06 de Julho de 2020
ZONA FRANCA

Em entrevista, Ricardo Salles critica subsídio ao polo de duas rodas

Ministro do Meio Ambiente declarou que os incentivos fiscais para o segmento de bicicletas no PIM não fazem sentindo. Sua fala provocou reações contrárias dos parlamentares do Amazonas



Ricardo_Salles_AgBr_2B1F5BDB-2BE2-4740-9DF6-20808BCEFE23.jpg Foto: Arquivo/Agência Brasil
31/01/2020 às 07:42

O ministro do Meio Ambiente do governo Bolsonaro, Ricardo Salles, criticou na quarta-feira (29), o incentivo concedido às empresas que produzem bicicleta na Zona Franca de Manaus. Em entrevista ao site BR Político, Salles disse que a região deve investir em coisas que realmente precisam estar na Amazônia. O titular da pasta se referia à biotecnologia e bioeconomia.

“Em vez de continuar a dar subsídios a fundo perdido para o cara fabricar bicicleta na Amazônia, vamos fazer coisas que realmente precisam estar na Amazônia”, destacou Salles.



As empresas produtoras de bicicletas do Polo Industrial de Manaus (PIM) geraram no ano passado, de acordo com números da Associação Brasileira de Fabricantes de Motocicletas, Motonetas e similares (Abracilo), aproximadamente 1,1 mil empregos diretos e mais de 3,5 mil indiretos.

Salles tem se destacado por falas polêmicas sobre a Amazônia em eventos internacionais. Na COP 25, conferência do clima da ONU, em Madri, Ricardo Salles pediu recursos de países ricos para preservação da Amazônia brasileira. Mas, nos últimos dias do evento, o país também protagonizou um impasse sobre artigos que tratavam da participação dos oceanos e o uso da terra nas mudanças climáticas.

O ministro do Meio Ambiente deve desembarcar em Manaus nesta sexta-feira, 31, para dar detalhes da recém-criada Secretaria da Amazônia. A Secretaria da Amazônia, que estará dentro do ministério de Salles, vai ter sede em Manaus e vai agir junto aos órgãos de meio ambiente municipal e estadual. 

Bancada dividida

O senador e coordenador da bancada amazonense no Congresso Nacional, Omar Aziz (PSD), disse que não existe nenhum projeto da Zona Franca de Manaus (ZFM) apoiado por subsídio a fundo perdido e questiona a postura de Salles em eventos econômicos mundiais, como o Fórum Econômico de Davos, realizado na Suíça anualmente. 

“Qual é o subsídio a fundo perdido que é dado a algum seguimento de produção na Zona Franca de Manaus? Uma pessoa que diz que o dinheiro do Fundo da Amazônia não servia, que no Brasil não tinha queimada e que as pessoas estavam tacando fogo na floresta, ele não tem respeito nenhum. Agora mesmo ocorreu o evento de Davos, qual foi a posição do ministro do Meio Ambiente lá? Nenhuma. Zero”, lembrou Omar.

Sobre a resposta do ministro de que a região amazônica deve focar na sua vocação (biotecnologia e bioeconomia), Omar concorda, mas registra que é responsabilidade de Salles traçar políticas públicas neste sentido, para alavancar esta peculiaridade regional. 

“Ele faz uma crítica, mas ele não tem, como ministro, uma ação concreta na Amazônia, e principalmente no Amazonas, em relação àquilo que ele acha que tem que ser feito”, afirmou.

Já o deputado federal Pablo Oliva (PSL), acredita que a fala do ministro foi mal interpretada e que o ministro não teve a intenção de atacar modelo de incentivos que sustenta o PIM, mas sim, fazer um contra ponto a fim chamar a atenção para a  importância de se investir nas vocações naturais da região. 

“A declaração do ministro não teve o condão de criticar algum seguimento específico, o que percebi na declaração dele foi a importância de se investir na bioeconomia, nas vocações naturais que a nossa região possui. Acredito que ele quis dizer que há muitas áreas, como é o caso da bioeconomia, ainda pouco aproveitadas”, defende Pablo Oliva.

O senador Plínio Valério (PSDB) classificou a declaração de Salles como “insensatez” e informou que após conversa com o ministro, a declaração atribuída a ele, está esclarecida. 

“Eu disse que era uma insensatez. O ministro me ligou e afirmou que não é e nunca foi contrário à continuação do polo de duas rodas na ZFM. Me disse que é a favor de outras alternativas que façam uso do que temos de melhor, portanto, pra mim, a declaração atribuída a ele está esclarecida”, disse o ex-vereador.

O deputado federal Alberto Neto (Republicanos) defendeu a fabricação de bicicletas no Polo Industrial de Manaus (PIM), após a declaração do ministro Salles. O parlamentar explicou que o polo de bicicletas da Zona Franca de Manaus (ZFM), cuja produção deve crescer 7,3% este ano, segundo dados da Associação Brasileira dos Fabricantes de Motocicletas, Ciclomotores, Motonetas, Bicicletas e Similares – Abraciclo, é um segmento importante para a indústria local.

“Teve um equívoco de o ministro pensar que um incentivo para retirar o outro, porém ele acerta em enxergar que este é o nosso futuro é a biotecnologia”, ressaltou o parlamentar sobre a entrevista em que o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, disse que os incentivos fiscais que hoje beneficiam a fabricação de bicicletas poderão favorecer a bioeconomia. 

Alberto Neto ressaltou a importância de desenvolver bens com matéria prima da Amazônia, através da fabricação de medicamentos, produtos alimentícios, ecoturismo entre outros, como essencial para garantir cidadania as populações do interior do Amazonas com geração de emprego e renda, além de manter a  floresta.

Secretaria ainda sem definição

Todos os parlamenatares ouvidos por A CRÍTICA disseram que ainda não têm informação clara sobre como será o ‘modus operandi’ da Secretaria da Amazônia, órgão que terá sede em Manaus e contará com a supervisão do vice-presidente da República, Hamilton Mourão (Republicanos). O que se sabe até agora é que o governo tomou a decisão após a pressão internacional em Davos.

O vice-presidente Hamilton Mourão pretende apresentar a Bolsonaro uma minuta da proposta de criação do Conselho da Amazônia, levando em consideração os três pontos pedidos pelo presidente: preservar, proteger e desenvolver a região. 

Quanto à criação da Força Nacional Ambiental, nos moldes da Força Nacional de Segurança Pública, Mourão deve deixar o assunto para um segundo momento.


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