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Manaus
HABITAÇÃO

Em Manaus, 128 mil famílias não têm residência própria, aponta IBGE

Levantamento revela que o número de “sem lares” pode chegar a 460 mil pessoas, considerando a média de 3,6 integrantes por família. Segundo a Semmas, em 2018 foram registradas 465 denúncias de invasão 21/08/2018 às 03:00 - Atualizado em 21/08/2018 às 08:48
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Foto: Euzivaldo Queiroz
Álik Menezes Manaus (AM)

Com esposa e quatro filhos, o pedreiro Wellington Ramos de Lima, de 33 anos, faz sacrifício mensal para pagar um aluguel de R$ 300, no bairro Grande Vitória, na Zona Leste de Manaus. Wellington é apenas uma das inúmeras pessoas que não têm moradia própria e precisam pagar aluguel ou morar em áreas de invasão na capital amazonense. Segundo dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad/Contínua), 128 mil famílias não têm casa própria na cidade.

Nesta terça-feira (20), no “Dia Nacional da Habitação”, famílias como a do pedreiro Wellington não têm nenhum motivo para comemorar. O homem mora em uma quitinete simples no bairro de periferia Grande Vitória, na Zona Leste da cidade. “Já fui muitas vezes nesses órgãos públicos para tentar uma casa para minha família, mas ainda não consegui. Como pai de família, meu maior sonho é conseguir dar um lar para meus filhos. Hoje a gente vive na insegurança. Se por acaso eu ficar desempregado, a gente corre o risco de ser despejado”, comentou.

Conforme os dados da Pnad/Contínua, no ano de 2016, 139 mil famílias viviam em imóveis alugados na capital amazonense. No Amazonas, em 2017, o número de domicílios domésticos alugados era de 157 mil, enquanto que no ano de 2016 eram 167 mil domicílios. Sem ter acesso às condições de moradias dignas, muitas pessoas são obrigadas a pagar para morar em apartamento, quitinetes ou casas, na maioria das vezes em áreas da periferia. 

“Não é fácil. A gente precisa sacrificar o orçamento para pagar o aluguel. Pode faltar comida na mesa, mas não pode faltar o dinheiro do aluguel. O dono do imóvel precisa do dinheiro do aluguel, esse é o ‘ganha pão’ dele. Então, a gente não pode falhar porque senão a gente vai para rua. Quem tem família não pode nem sonhar em ficar sem lugar para morar. Meu maior sonho hoje seria realizar o sonho da casa própria”, relatou a diarista Maria José da Silva, de 40 anos, que vive em casa alugada há 10 anos após separar do marido.

O levantamento do Instituto Brasieleiro de Geografia e Estatística (IBGE) revela que o número de “sem lares” em Manaus pode chegar a 460 mil pessoas, considerando a média de 3,6 integrantes por família, e em parte explica a recente onda de “invasões” na cidade. Nos últimos anos, os conflitos entre os proprietários de terras, policiais e os ocupantes estão se tornando rotina.

Déficit turbina as invasões

Com o grande índice de pessoas sem moradia própria e/ou sem condições de custear um aluguel, cresce o número de invasões na capital amazonense. Segundo dados do Departamento de Fiscalização da Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Sustentabilidade (Semmas), entre janeiro e julho deste ano foram registradas 465 denúncias de invasão na capital amazonense, a maioria delas na Zona Norte, com 244 denúncias deste total. De janeiro a dezembro do ano passado foram registradas 890 denúncias. Destas, 504 foram registradas na Zona Norte.

Há pelo menos oito anos, o aposentado Raimundo Leal, de 70 anos, não possui moradia fixa ou depende da caridade de pessoas para ter um local seguro para morar. “Me separei da mulher, fizemos o divórcio e ela ficou com a casa. Ela para lá e eu para cá. Não tem sido fácil, logo que cheguei aqui em Manaus morei numa embarcação lá no porto da Colônia Antônio Aleixo, mas afundou tem dois anos, quase morro afogado”, lembrou.

Nos últimos dois anos, o aposentado estava morando em uma casa improvisada de compensado próximo ao Porto da Colônia, mas, há cinco meses, resolveu se juntar a um grupo de pessoas que invadiu uma área verde na estrada que dá acesso à Colônia Antônio Aleixo.

“Só estou aqui porque não tenho para onde ir, não tenho casa, sabe? A gente não está aqui porque é invasor. A gente está aqui porque não tem onde morar, não tem casa. Você acha que na minha idade eu tenho forças para ser invasor? Não, não tenho. Eu só quero ter um teto”, disse enquanto mostrava o cômodo que construiu com restos de compensado e telhas usadas.

Problema nacional

No Brasil há um déficit de seis milhões e trezentas mil moradias, segundo a Fundação João Pinheiro (FJP), de Minas Gerais. O problema se agravou nos últimos anos em 20 dos 27 estados brasileiros, de acordo com um estudo divulgado em maio deste ano pela instituição.

Prefeitura promete mil unidades

Em nota, a Prefeitura de Manaus informou que, este ano, está consolidando a implementação de uma política pública habitacional, fortalecendo a parceria com a Caixa Econômica Federal, por meio do programa “Minha Casa, Minha Vida”. A prefeitura informou que, com as obras do Residencial Cidadão Manauara 2, serão 1000 unidades habitacionais em duas etapas do conjunto.

“A Prefeitura de Manaus também já recebeu a garantia da Caixa para a liberação de outras 1000 unidades para o Manauara 3, além de já estar articulando a segunda etapa do Manauara 1, que teve sua primeira etapa entregue em 2016, no bairro Santa Etelvina, Zona Norte, beneficiando 784 famílias que antes moravam em áreas consideradas de risco, como margens de igarapés e encostas de barranco”, ressaltou a nota.

Prourbi entregou 204

Ainda conforme a nota da prefeitura, outras 204 unidades foram entregues em 2014 pelo Programa de Desenvolvimento Urbano e Inclusão Socioambiental de Manaus (Proubis), no bairro Jorge Teixeira, Zona Leste, contemplado também infraestrutura das vias da comunidade e a construção de um Centro Social - composto por uma creche e um Centro de Referência de Assistência Social (Cras).

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