Segunda-feira, 20 de Setembro de 2021
MANIFESTAÇÃO

Em Manaus, cerca de 100 pessoas participam de ato contra o presidente Bolsonaro

Protestos foram convocados nacionalmente pelo Movimento Brasil Livre (MBL) e acontecem em, pelo menos, 17 cidades brasileiras



Capturar_D50D73CE-C402-4086-93EC-DD350936917D.JPG Fotos: Iago Albuquerque
12/09/2021 às 13:14

Manifestantes se reuniram, na manhã deste domingo (12), no Largo São Sebastião, no Centro de Manaus, em ato contra o presidente Jair Bolsonaro (sem partido). As manifestações convocadas nacionalmente pelo Movimento Brasil Livre (MBL) acontecem em, pelo menos, 17 cidades brasileiras, e têm como pauta principal o pedido impeachment do presidente. Segundo a Polícia Militar, cerca de 100 pessoas participaram do ato na capital amazonense. 

Em Manaus, a manifestação é organizada pelo Movimento Livres, em conjunto com o MBL, partidos de direita e também partidos de esquerdas. Porém, a adesão por parte de lideranças de esquerda foi baixa, não só em Manaus, como em todo o país. A resistência em participar do ato, segundo eles, se dá por conta de o movimento ser organizado por entidades que ajudaram a eleger Bolsonaro.



De acordo com o coordenador do núcleo do Livres, o advogado Efraim Félix, os atos que acontecem hoje foram convocados ainda em julho, na apresentação do “superpedido de impeachment” do presidente Bolsonaro. “Há necessidade de união política entre todos os espectros ideológicos para que esse impeachment se torne realidade”, defendeu.

As manifestações também são uma resposta aos atos pró-governo, ocorridos no feriado de 7 de Setembro, em que o presidente Bolsonaro discursou com ameaças às instituições democráticas. Apesar do recuo, dois dias depois, em que ele afirmou que nunca teve “intenção de agredir quaisquer dos Poderes” e agiu “no calor do momento”, os manifestantes consideram que a atitude foi uma ação estratégica.


“O recuo do Bolsonaro é um recuo estratégico. É apenas para fingir que ele respeita a democracia, que ele respeita o estado democrático de direito. Bolsonaro não respeita a democracia, não respeita o estado democrático de direito. Essa sanha autoritária do Bolsonaro precisa ter um fim e só vai realmente ter um fim quando a população vier para as ruas”, afirmou Efraim Félix.

O estudante Bryan Dolzane, um dos líderes do MBL, afirma que Bolsonaro não consegue respeitar o processo democrático e cria situações para jogar a sociedade civil contra as instituições, em um comportamento antidemocrático. Ele complementa ainda que o presidente cometeu crime de responsabilidade nos atos do 7 de Setembro e o recuo é insatisfatório. 

“A gente não sabe quando tempo esse recuo vai durar, porque conhecendo um pouco do governo Jair Bolsonaro dificilmente essa paz vai ser duradoura. Ele reiteradamente já deu pra trás em muitas situações, e em várias ele reiterou seus ataques às instituições, ao Judiciário e ao Legislativo”, disse o líder do MBL. 

Adesão

Apesar da resistência da esquerda em aderir à manifestação, representantes de partidos de esquerda e centro-esquerda como PSB, PV, Cidadania e PCdoB aderiram ao movimento. Entre eles, esteve presente na manifestação o historiador Yann Evanovick, do PCdoB, que discursou em defesa de uma frente ampla com a união de todas as entidades a favor do impeachment de Bolsonaro.

“A nossa estada nesse ato é uma estada muito mais do que simbólica. Para alguns, importa num momento como esse, que mais de 600 mil pessoas já morreram ficar fazendo uma seleção política de quem convoca ou deixa de convocar... Pois nós não escolhemos o lado fácil, nós escolhemos o lado necessário da luta política”, discursou Yann Evanovich, do PCdoB, que considerou a adesão ao movimento uma “luta estratégica e tática”. 

“Sensação de traição”

O estudante Lucas Reis, que esteve presente na manifestação, disse que o que o motivou a participar do ato foi a “sensação de traição e de nojo” com o governo de Jair Bolsonaro. O manifestante afirma que apoiou a eleição de Bolsonaro, e hoje se sente “endividado com o Brasil e consigo mesmo em ir apagar o erro que cometeu”. 

“Eles se aproveitaram de uma situação para esconder crimes, a família dele é envolvida com crimes, rachadinhas, propina, tem provas. Querem mais o que? Eu fui para as ruas em 2016 contra a Dilma por muito menos, e eu não vou vir agora porque ele está fazendo muito mais?”, disse o estudante.

A motivação é a mesma para o autônomo Gustavo Creta, que também participou dos movimentos a favor do impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff, e hoje se sente insatisfeito com o governo de Jair Bolsonaro.

“O meu objeto era ver um Brasil melhor, e o que aconteceu foi um retrocesso. E isso não dá para o brasileiro ficar aturando. Hoje é uma grande oportunidade de o brasileiro em geral vir manifestar e expor a sua indignação, a sua raiva, porque é difícil, a gente viver num país que está totalmente desgovernado”, disse.


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