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Em Manaus, estudantes da rede pública criticam falta de opção da merenda escolar

Site da prefeitura informa que as crianças teriam sete refeições diárias, com variedades de alimentos, nas escolas municipais, mas estudantes relatam o contrário 27/10/2014 às 12:27
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Estudantes de escolas da rede pública municipal desaprovaram a merenda. Na escola Thomás Meirelles, são servidas três refeições, uma delas achocolatado e bolacha
Rosiene Carvalho Manaus-AM

Com investimento da ordem de R$ 32 milhões para 2014, a merenda escolar virou alvo de reclamações por parte de alunos de escolas municipais. Os estudantes se queixam, entre outras coisas, da falta de variedade e do sabor das refeições servidas. No site da Prefeitura de Manaus, as informações divulgadas em 2012 e 2013 indicavam que, nas escolas municipais, as crianças teriam acesso a sete refeições diárias, com variedades de alimentos, para dar a eles uma boa base nutricional.

Mas na escola municipal Jornalista Sabá Raposo, na Zona Norte, estudantes e os pais deles reclamam que o lanche quase todos os dias é suco e bolacha água e sal. O almoço é jabá com arroz, com poucas variações. O estudante Mateus Portela, 14, da escola municipal Vicente de Paula, afirmou que há meses não come a merenda servida na escola. “Não gosto. Servem suco e bolacha ou achocolatado e bolacha. O almoço, quando tem, é o arroz com jabá”, declarou.

Mateus afirmou que, no ano passado, teve uma semana em que jornalistas visitaram a escola para filmar a merenda escolar. “Tinha de tudo naquela semana. Mas depois daquela semana, nada foi igual de novo”, reclamou. Jefferson Emanuel Justino, 14, aluno do 9º ano da escola Vicente de Paula, afirma que é raro ter frutas e verduras na merenda escolar. “Não faço questão de merendar aqui”, disse.

Na Escola Municipal Amine Lindoso, onde o primo de Mateus, de sete anos, Yago Rocha Sales, estuda, não é muito diferente, segundo ele. “Às vezes tem kikão, mas o que tem mais é suco e bolacha”, contou Yago. A estudante do 8º ano da Escola Municipal Ana Mota Braga Sara Furtado Rodrigues, afirmou que, na maioria dos dias, o lanche na escola é bolacha com café com leite ou achocolatado.

Ela afirmou que, no almoço, a escola serve canja com batata, couve e cheiro verde. “Tem mingau, também, de arroz. Mas não é sempre e não é sempre que serve almoço”. Sara afirmou que nem sempre consegue almoçar em casa e, quando a escola oferece almoço, é no colégio que se alimenta. “Ano passado tinha mais fruta. Mas às vezes vem cenoura e batata no frango. Outras vezes tem feijão”, afirmou.

De casa

A dona de casa Ana Souza, 29, todos os dias leva e busca a filha de nove anos, Kimberlly de Souza, na escola municipal Irmã Dulce, onde ela estuda, no 4º ano. Ela afirmou que, todos os dias, prepara o lanche da filha e, durante a semana, consegue inserir frutas na alimentação.

Ana evita que Kimberlly lanche no colégio desde o início do ano, quando a filha deixou de ir à escola por problemas que, segundo ela, apareceram após se alimentar na cantina. “Ela teve diarréria, ficou sem poder ir à escola. Levei no médico e ele me relatou que era uma infecção. Aí a Kimberlly me disse que outros colegas tiveram o mesmo que ela”, relatou a mãe da estudante.

Escola não serve as sete refeições

Na escola Tomás Meirelles, a diretora Maria do Socorro Alves afirmou que o lanche do dia havia sido bolacha e achocolatado. E que a bebida tem sido alternada com suco e café com leite. “Se fizer igual todos os dias, as crianças não gostam”, disse.

Maria do Socorro afirmou que não serve sete refeições por dia, porque na escola não há crianças em situação de desnutrição ou oriundas de famílias carentes. “Nunca fiquei desabastecida”, declarou.

Ela afirmou que serve o lanche da manhã, o almoço e o lanche da tarde. No freezer, a diretora mostrou carne, peixe e frango. Na prateleira, ela mostrou feião, arroz, farinha, achocolatado, café, mateiga e uma saca de batata. “Vamos variando e fazendo pratos conforme o material que recebemos. Recebemos toda a semana”, esclareceu.

Investimento foi de R$ 17 milhões

A merenda escolar em 2014 representou um investimento de aproximadamente R$ 17 milhões em itens da agricultura familiar regional, de acordo com informação publicada no site da Prefeitura de Manaus, no dia 4 de fevereiro. Sendo R$ 9 milhões do Governo Federal e R$ 8 milhões do poder público municipal.

A aquisição de gêneros alimentícios oriundos da agricultura familiar, de acordo com a Prefeitura, atenderia a 516 escolas municipais e 230 mil alunos serão beneficiados. Os itens selecionados durante a licitação, ainda conforme a publicação, seriam para abranger 31% da necessidade nutricional dos estudantes.

No site da Prefeitura de Manaus, são citados como exemplo de itens da merenda escolar regionalizada: açaí, abacaxi, abóbora, macaxeira, farinha de mandioca, quiabo e pimenta de cheiro, farinha de tapioca, banana, feijão de praia, maxixe, geléia e poupas de frutas.

As informações contam em matéria sobre merenda escolar publicada no site da prefeitura no dia 17 de maio do ano passado.

 

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