Terça-feira, 02 de Junho de 2020
GREVE NACIONAL

Em Manaus, petroleiros realizam venda botijão de gás a R$ 40 nesta quinta (13)

Ação faz parte do movimento grevista nacional da categoria que alega ser negativa a possível privatização de Petrobras. Vendas acontecem na Zona Norte da capital



ANP-libera-venda-de-g_s-pelas-distribuidoras-700x440_5F296E51-E1EB-4342-A849-482DF158F821.jpg Foto: Divulgação
12/02/2020 às 14:09

O Sindicato dos Petroleiros do Amazonas (Sindipetro-AM) realiza a venda de botijões de gás por R$ 40, metade do preço cobrado atualmente, nesta quinta-feira (13), em Manaus. A ação faz parte da agenda de atividades durante a greve nacional deflagrada pela categoria. Vendas iniciam às 10h, na rua Marielle Franco no Loteamento Orquídeas (próximo à caixa d'água), Zona Norte de Manaus. O acesso ao local pode ser feito por meio da avenida José Lindoso (antiga avenida das Flores).

Clique aqui para abrir a localização do loteamento por meio do Google Maps.



Durante a ação, serão vendidos 200 botijões de gás de 13kg para a população, que ao chegar no local, deve garantir uma ficha da ação distribuída pelos petroleiros para realizar a compra do botijão de gás a preço justo. A ação irá terminar até a venda do último botijão de gás no local. 

A venda dos botijões de gás faz parte das ações realizadas pelos petroleiros durante o movimento grevista nacional da categoria e tem como objetivo explicar à população sobre os valores abusivos na venda do gás de cozinha, os impactos negativos da venda da Petrobras para a sociedade e também explicar as razões da greve nacional da categoria. 

Greve continua 

A Justiça do Trabalho determinou no dia 6 de fevereiro o bloqueio das contas da Federação Única dos Petroleiros (FUP) e dos sindicatos que aderiram a greve e liberou a Petrobras para fazer contratações temporárias enquanto durar a paralisação. Mesmo com a decisão, a FUP e os sindicatos filiados continuam a greve por tempo indeterminado. De acordo com a FUP, a  “a adesão à greve de 20 mil trabalhadores ocorre sem piquetes, só na base do convencimento, em cumprimento à decisão do ministro do Tribunal Superior do Trabalho (TST), Ives Gandra”.

A Comissão de Negociação Permanente da FUP, formada por cinco diretores da FUP, completou na terça-feira (11), 11 dias de ocupação de uma sala do quarto andar no edifício-sede da Petrobras no Rio de Janeiro, cobrando interlocução com a gestão da empresa para suspender as demissões na Fábrica de Fertilizantes de Araucária (Fafen-PR) e abrir fóruns de negociação para cumprimento do Acordo Coletivo de Trabalho (ACT), firmando em novembro de 2019 com a Petrobras sob mediação do Tribunal Superior do Trabalho (TST).

Ao longo desta semana, a FUP e os sindicatos também estão com representantes em Brasília, visitando gabinetes de deputados e senadores no Congresso Nacional para que façam interlocução com a direção da Petrobras e o Governo. 

Entenda a greve e as reivindicações da categoria 

A Federação Única dos Petroleiros (FUP) e seus sindicatos filiados, incluindo o Sindipetro-AM, iniciaram a greve nacional dos petroleiros no sábado (1°). De acordo com levantamento pela FUP nesta terça-feira (11), a greve nacional conta com 102 unidades do Sistema Petrobras mobilizadas em 13 estados do país. No Amazonas, petroleiros da Refinaria Isaac Sabbá - Reman e de Coari que trabalham no gasoduto continuam em greve. 

Em 11 dias de greve, a categoria petroleira reivindica a suspensão do fechamento da Fábrica de Fertilizantes Nitrogenados do Paraná (Fafen-PR), previstas para terem início na sexta-feira, 14, o que pode acarretar a demissão de mais de 1.000 funcionários da empresa e exige que a Petrobras cumpra outras negociações obtidas no fechamento do Acordo Coletivo de Trabalho (ACT).

Entre as decisões que a empresa vem tomando por conta própria e sem negociação com a categoria estão: tabela de turno, banco de horas, plano de saúde e participação nos lucros, o que havia sido determinado. 

Durante a greve nacional, a categoria petroleira tem o objetivo de informar a sociedade sobre o atrelamento do reajuste da gasolina, do óleo diesel e do gás de cozinha ao mercado internacional, que deixam o Brasil exposto a flutuações de preços no exterior. E também alertar sobre o processo de desindustrialização que o Brasil vem sofrendo com a redução dos investimentos da Petrobras e o risco do processo de venda de oito refinarias da Petrobras no Brasil para concentrar somente na região sudeste, como afirmou o presidente da Petrobras, Roberto Castello Branco. 

No cenário local, a Refinaria Isaac Sabbá está prevista para ser vendida ainda no primeiro semestre de 2020. 

Determinação de Toffoli

O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Dias Toffoli, decidiu nesta quarta-feira (12) que ao menos 90% dos funcionários da Petrobras deverão manter as atividades mesmo em meio a uma greve iniciada por sindicatos de trabalhadores em 1º de fevereiro, segundo decisão judicial.

A determinação, que reforça uma liminar concedida anteriormente pelo ministro do Tribunal Superior do Trabalho (TST), Ives Gandra Martins Filho, abre também a possibilidade de a Justiça suspender o movimento ao considerá-lo abusivo, disse uma fonte da empresa.

A estatal recorreu ao STF sob o argumento de que o percentual mínimo de trabalhadores em serviço, conforme o exigido pelo ministro do TST, não estava sendo cumprido.

A Petrobras apresentou ao Supremo uma tabela de comparecimento a unidades da empresa que demonstraria que menos de 90% dos trabalhadores estavam comparecendo ao serviço, e destacou que a paralisação trazia riscos à economia nacional, como um eventual desabastecimento de combustíveis.

Na decisão vista pela Reuters, Toffoli acatou o recurso da petrolífera. “(...) A Petrobras é empresa com relevante atuação nas atividades do setor petrolífero no Brasil, de modo que a paralisação ou a redução drástica em suas práticas em razão de movimento paredista podem desestabilizar a posição do país tanto no cenário econômico nacional quanto internacional, circunstância que corrobora o provimento liminar na presente via”, disse.

A Petrobras não comentou a decisão imediatamente.

Medidas

A assessoria de imprensa do presidente do Supremo disse ainda que a decisão dele confere “força executiva às medidas coercitivas fixadas, na hipótese de descumprimento desse parâmetro por trabalhadores e entidades de representação dos interesses da categoria”.


*Com informações da Reuters


Mais de Acritica.com

Sobre Portal A Crítica

No Portal A Crítica, você encontra as últimas notícias do Amazonas, colunistas exclusivos, esportes, entretenimento, interior, economia, política, cultura e mais.