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Manaus
ANÁLISE

Em média, três pessoas são assassinadas por dia no Amazonas, diz Atlas da Violência

No período de 2005 a 2015 11.380 pessoas foram mortas no Estado, um crescimento de 145,7% 05/06/2017 às 15:39 - Atualizado em 05/06/2017 às 15:42
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Homicídios no Amazonas aumentaram 145,7% no AM em dez anos
Oswaldo Neto Manaus (AM)

Em dez anos, o Amazonas registra uma média de três homicídios por dia. De 2005 a 2015, o total de assassinatos foi de 11.380. O Estado ainda é 5º do Brasil com o maior aumento de variação neste período. As informações foram divulgadas nesta segunda-feira (5) no Atlas da Violência 2017, pesquisa do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) em parceria com o Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP).

Conforme a pesquisa, de 2005 a 2015 a quantidade de óbitos saltou de 599 para 1.472, o que equivale a uma alta de 145,7%. Em relação ao aumento de assassinatos, o Amazonas só perdeu para o Rio Grande do Norte, Sergipe, Tocantins e Maranhão.

Na mesma década, mais da metade das mortes foram de pessoas entre 15 e 29 anos. De acordo com os dados, de 11.380 que morreram vítimas de assassinatos no Amazonas, 6.541 estavam nessa faixa etária. O aumento subiu de 356 óbitos em 2005 para 809 em 2015, resultando na crescente de 127,2%.

“Apesar de esse fenômeno ser denunciado há anos por organizações não governamentais de direitos humanos e movimentos sociais, e de recentemente ter entrado na agenda estatal com a Comissão Parlamentar de Inquérito no Senado13 sobre o assassinato de jovens, o Estado brasileiro ainda não foi capaz de formular e implementar um plano nacional de redução de homicídios”, diz trecho do documento.

A análise ainda cita o massacre nos presídios do Amazonas como um dos fatores para a continuidade da crise na segurança pública. “Já no primeiro dia de 2017, uma rebelião no Complexo Penitenciário Anísio Jobim, em Manaus, deixou um rastro de sangue com 56 mortos. Duas semanas depois, mais 26 assassinatos em um massacre num presídio no Rio Grande do Norte. Outras rebeliões se seguiram em prisões em vários estados brasileiros nos primeiros meses do ano, revelando mais uma vez a completa falência do sistema de execução penal nacional”.

A reportagem aguarda um posicionamento da Secretaria de Estado de Segurança Pública (SSP) sobre os dados da pesquisa.

Negros e homicídios de mulheres

Homicídios de negros também foram especificados na pesquisa. O Atlas da Violência apontou que de cada 100 pessoas que morrem no País, 71 são negras. No Amazonas, a taxa de homicídios de negros em dez anos subiu de 19,5 a cada 100 mil habitantes para 43,7.

“Ou seja, não apenas temos um triste legado histórico de discriminação pela cor da pele do indivíduo, mas, do ponto de vista da violência letal, temos uma ferida aberta que veio se agravando nos últimos anos”.

Em relação às mulheres, o Amazonas amarga a triste colocação de ser o 4º estado onde as mulheres mais morreram nos últimos dez anos. De 2005 a 2015, foram 838 mortes, sendo que em 2005, 48 mulheres foram assassinadas, ao passo que em 2015 elas foram 115 vítimas. A variação teve uma alta de 139,6%.

No entanto, a pesquisa esclarece que não é possível identificar se a parcela corresponde às vítimas de feminicídios, uma vez que a base de dados não fornece a informação.

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