Quarta-feira, 25 de Novembro de 2020
PREPARAÇÃO

Em meio a pandemia, partidos traçam estratégias de olho nas eleições municipais

Apesar das indefinições por conta do cenário grave provocado pelo coronavírus, partidos mobilizam sua base à distância e propostas de adiamento do pleito não avançam no Congresso



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29/03/2020 às 16:12

Em tempos de coronavírus, partidos políticos no Amazonas lançam mão de todas tecnologias disponíveis para preparar a campanha eleitoral deste ano. Entre as estratégias adotadas está reuniões e encontros por videoconferência, uso de telefone fixo em municípios do interior do estado e até cursos onlines para preparar e capacitar os postulantes aos cargos de vereador e prefeito.

No dia 22 deste mês, o ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, sugeriu que as eleições municipais deste ano fossem adiadas a fim de se evitar aglomerações e para que ações ‘políticas’ não contaminem as estratégias de combate à epidemia. O ministro do Supremo Tribunal Federal, Luís Roberto Barroso, que assume a presidência do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) a partir de maio, declarou que a decisão sobre um eventual adiamento do pleito cabe ao Congresso Nacional. 



Para alterar a data do pleito, marcada para outubro nos dias 4 e 25, em caso de segundo turno, é preciso a aprovação no Senado e na Câmara, em dois turnos, de uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC). Duas já foram formuladas pelos senadores Elmano Férrer (Podemos-PI) e Major Olímpio (PSL-SP), mas não começaram a tramitar. O deputado federal Paulo Guedes (PT-MG) protocolou na Câmara uma PEC que transfere a eleição para 13 de dezembro, em turno único.

O TSE manteve o dia 4 de abril como data limite para filiação partidária de quem pretende concorrer às eleições deste ano e manifestou ‘não ter o poder de alterar o calendário previsto pela legislação eleitoral’. Líderes partidários ouvidos por A CRÍTICA relataram que para o prazo de filiação não há motivo para preocupações. O ato é administrativo e os partidos conseguem realizar o procedimento via internet no sistema da justiça eleitoral.

A apreensão é que medidas restritivas impostas para conter a transmissão do vírus impeça a realização de atos previstos no calendário eleitoral como as convenções partidárias para escolha de candidatos, de 20 de julho a 5 de agosto. A campanha eleitoral nas ruas e na internet inicia no dia 16 de agosto e com atividades que exigem um contato mais próximo com eleitores e aglomerações de pessoas em comícios e reuniões, além do próprio dia de votação.

O presidente estadual do PSL, deputado Pablo Oliva disse que o partido irá cumprir os prazos eleitorais e pontuou que a agenda de eventos da sigla ficou prejudicada. “Estamos aconselhando os candidatos do PSL e outras pessoas que vão exercer a sua democracia no prazo que está marcado, sem demais alterações. Tínhamos inaugurações de diretórios marcadas e reuniões com pré-candidatos que estão adiadas”, disse.

O presidente do diretório estadual do PT, deputado Sinésio Campos disse que está mantida as prévias para escolha do candidato do partido a prefeitura de Manaus, no dia 4 de abril. Ele frisou que diante do avanço do coronavírus o cenário é de indefinições. “O PT está dialogando com vários partidos, o ingresso e a saída de filiados, a organização de coligações. O coronavírus sacudiu todas as estruturas políticas, sociais e econômicas. Estamos no mesmo barco e não tem como conjecturar definições”, declarou o parlamentar.

O vice-presidente estadual do PDT, Stones Machado contou que a formação continuada online dos filiados vem sendo realizada pela Universidade Leonel Brizola. “É muito difícil organizar um projeto eleitoral via internet ou por telefone. Não tem tempo para fazer mobilizações e argumentar. Nada é mais importante no momento que a vida da população”, afirmou acrescentando ser favorável ao adiamento do pleito para dezembro.

O PMN adotou o atendimento virtual e chegou a disponibilizar equipamentos de informática para que a atividade e mobilização política seja feita em home office, relatou o presidente da sigla no estado, Orsine Oliveira Júnior. “Estou fazendo reuniões políticas via chamadas de vídeo porque a política boa é feita olho no olho, mas infelizmente não podemos agora. Para segurança de todos, estamos fazendo a mobilização online. No interior onde temos muita dificuldade é nas cidades menores onde o sinal de telefonia móvel é difícil, mas temos o bom e velho fixo”, contou.

Eleições em Mato Grosso foram adiadas
A presidente do TSE, ministra Rosa Weber adiou a realização da eleição suplementar para senador em Mato Grosso. O pleito estava marcado para o dia 26 de abril e iria eleger o substituto da ex-senadora Selma Arruda que teve o mandato cassado pelo tribunal em 2019. A decisão do TSE visa evitar a circulação e a aglomeração de pessoas e, assim, a transmissão do novo coronavírus. Ainda não há nova data para o pleito.

DESTAQUE

Os senadores Elmano Férrer e Major Olimpio são autores de Propostas de Emenda à Constituição (PEC) que sugere adiar as eleições de 2020 para 2022 e unificar os pleitos federais, estaduais e municipais. Ambas propõem prolongar os mandatos de prefeitos e vereadores, eleitos em 2016, até a próxima eleição ser realizada. Proposta semelhante é defendida pelo deputado federal Aécio Neves. Para uma PEC começar a tramitar no Senado são necessárias as assinaturas de 27 senadores.

Opinião

Afrânio Soares, analista político e pesquisador 

“O interesse de toda a classe política nas eleições municipais se dá de cima para baixo. Quem tem pretensão de ser (eleito) governador em 2022 vai precisar do maior número de prefeitos. Precisa atuar nessa eleição na qual será definida seus futuros aliados assim como quem quiser o apoio para eleição de senador e deputado federal. Se unificar as eleições, na prática, é mais barato para o país. Todavia existe a possibilidade forte de que o mesmo grupo que ganhar o governo acabe emplacando prefeitos nas principais cidades. A maioria dos países não adota essa forma, pois entenderam que pode prejudicar o equilíbrio do estado democrático. As convenções são muito negociadas e não é um negócio que se combina agora para acontecer daqui a três meses e estará do mesmo jeito. Até seria um prejuízo não conseguir montar a chapa como gostaria e atrair candidatos dentro da estratégia de formação de vereadores. Articulações não funcionam plenamente nas redes sociais, passamos uma vida inteira fazendo isso diferente (campanha nas ruas). A criatividade de todos os envolvidos será testada nessas eleições, mas ainda acho que alguma coisa vai acontecer. Eles não vão se contentar com essa questão virtual, vão tentar ganhar tempo. Pode ser útil para definição de coligações para prefeitos e também para quem estiver montando ou desejar melhorar a sua estratégia para eleição de vereador. O corpo a corpo sempre terá que existir. Acredito que tenhamos um adiamento das eleições para o período entre dezembro e fevereiro”.

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Repórter de A Crítica

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