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Manaus
Lucro em meio à crise

Em meio ao caos e à crise, trabalhadores tiram seu sustento das vendas nos terminais

Permissionários estão espalhados pelos cinco terminais de integração na capital. A reportagem visitou esse locais para ouvir as histórias de quem trabalha neles e consegue gerar renda por meio de muito suor 21/06/2016 às 22:19 - Atualizado em 22/06/2016 às 07:33
Rita Ferreira Manaus (AM)

Manaus possui cinco terminais de integração para que os passageiros do transporte coletivo possam trocar de condução sem pagar duas passagens. Além disso, os locais possuem diversas barracas onde são comercializados desde garrafas de água até óculos de sol. Os permissionários que ocupam essas bancas criaram os filhos com o que ganham, outros encontraram nos terminais uma oportunidade de trabalho e geração de renda.

A reportagem visitou esses terminais para conhecer as histórias destas pessoas. Graça da Silva, 40, trabalha há 20 anos no terminal de ônibus localizado na Avenida Constantino Nery, Centro. Quando conseguiu permissão para montar uma banca, o terminal ainda funcionava próximo ao Olímpico Clube, só depois foi para o trecho que ocupa atualmente. “Trabalho no terminal desde que ele funcionava lá em cima (na Constantino), depois trouxeram a gente pra cá, estou aqui desde que ele foi inaugurado”.

A vendedora de lanches cria os oito filhos com o que ganha na barraquinha vermelha onde tem um freezer e dois depósitos de salgados. Graça vende um salgado mais um copo de suco por R$ 1,00 e calcula lucrar em média 3 mil por mês. Diariamente, ela soma cerca de 500 lanches vendidos e mais de dez horas de trabalho. Chega cedo ao local, traz as garrafas de suco no ônibus e o fornecedor entrega os salgados. À noite ela é substituída por um dos dois filhos mais velhos.

Além de sustentar a casa sozinha após a morte do marido,  há sete anos, Graça ainda conseguiu realizar o sonho da casa própria. “Hoje, eu trabalho de domingo a domingo pra pagar a faculdade da minha filha”.

Chute na crise

Seguindo os mesmos passos de Graça, muitas pessoas têm encontrado nos terminais a oportunidade de ter uma renda. É o caso de Gibson Stanley, 19, e de Daiana Ribeiro, 23. Ambos trabalham no Terminal 4, localizado na Av. Camapuã, bairro Jorge Teixeira, e ganham uma diária de R$ 40,00.

Gibson Stanley trabalhava no Distrito Industrial, e hoje vende fones de ouvido e bonés. Ele tem uma filha de 1 ano. Já Daiana Ribeiro era dona de casa e cuidava da filha de 11 anos. Mas também precisou arranjar um emprego para ajudar com os gastos de casa.

Ela trabalha 10 horas todos os dias em um quiosque onde vende copos de guaraná, de R$ 1,00 a R$ 5,00. João Paulo Carvalho, 25, é outro ex desempregado que atua em uma banca de venda de pães e salgados no T1. Ele trabalha para juntar dinheiro e voltar pra casa, em Manicoré.

Vendas em queda

Enquanto alguns comerciantes continuam lucrando com as vendas, outros andam preocupados com o futuro. Florinda Pinheiro, 59, possui uma banca há 14 anos no T4, comercializa diversos objetos como sombrinhas, bonés e óculos de sol. Ela conta que há três anos vê as vendas diminuírem. “Esse ano devido à crise está pior. Ajudei muito meus filhos com o dinheiro da banca, mas agora é difícil, mal tenho pra mim”. Antes de trabalhar com vendas, a comerciante teve empregos formais.

Antônio Rodrigues, 54, é ‘bombonzeiro’ no T5 há 12 anos. Ele conta que quando começou a vender doces e balas tinha um bom lucro, juntou até comprar um terreno e construir a casa da família. Mas reclama que hoje tem muita concorrência. “Com tanto desemprego tem muita gente recorrendo ao trabalho informal”.

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