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Em oito meses, 219 crianças foram estupradas em Manaus

Número se refere apenas a denúncias formalizadas nos Centros de Referência Especializada e Assistência Social (Creas) da prefeitura, mas autoridades acreditam que número de casos pode ser maior 18/10/2014 às 13:46
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Goreth Garcia, da Semasdh, explicou que objetivo é alertar crianças e adolescentes
Acyane do Valle Manaus (AM)

Duzentos e dezenove crianças e adolescentes foram abusadas sexualmente na capital, entre janeiro e agosto deste ano, de acordo com dados dos Centros de Referência Especializada e Assistência Social da Prefeitura de Manaus (Creas). A maior preocupação das autoridades que atendem as vítimas é que esse número corresponde apenas ao que é denunciado nos Creas, por isso, a Prefeitura e Rede Evangélica Nacional de Ação Social (Renas) promovem hoje, às 15h, o ato público “Grito de Alerta - Criança brinca, mas não é brinquedo”, no Complexo Turístico Ponta Negra, Zona Oeste.

“Vai ser um Dia das Crianças diferente”, comentou a secretária municipal de Assistência Social e Direitos Humanos, Goreth Garcia Ribeiro. A intenção é alertar crianças maiores ou que já podem entender determinadas mensagens e também os adolescentes para as situações que se configurem em abuso ou violência sexual, mostrando, didaticamente, exemplos de posturas e condições de risco. “Queremos alertar as crianças sobre como esse perigo acontece e o que ela deve fazer, que tem como se defender; mesmo que a mãe não a escute, por não admitir que o companheiro esteja fazendo mal a seus filhos ou por qualquer outro motivo, ela pode falar com um vizinho, um colega da escola, com a professora, ou ligar para os telefones da rede de proteção às crianças e adolescentes para denunciar (Disk 100)”, explicou.

De acordo com uma das idealizadoras do ato público Vânia Hall, diretora do abrigo O Coração do Pai, instituição ligada à Renas, hoje será apresentado um vídeo que vai enfatizar as diferenças dos “toques” feitos nas crianças e adolescentes. “Numa linguagem bem didática, o vídeo explica que os toques das pessoas não devem doer, nem deixar a criança triste, mostrando essas diferenças; e quando o toque não for legal, fizer com que se sinta mal, a criança precisa correr e procurar um adulto”, detalhou Vânia.

Copa

Durante a Copa do Mundo, Manaus foi a terceira cidade do País com o maior número de denúncias de abuso e violência sexual contra crianças e adolescentes. A secretária da Semasdh, Goreth Ribeiro, acredita que se trata do resultado da conscientização. “Acreditamos que a população de Manaus ficou mais alerta e denunciou mais”. Os Creas também registraram, de janeiro a agosto, 100 casos de violência (física, psicológica ou maus-tratos); 79 situações de negligência e abandono; e 25 casos de exploração sexual. 

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