Quarta-feira, 02 de Dezembro de 2020
dados da Jucea

Em seis meses, 1.345 empresas fecharam 'as portas' no Amazonas

Pandemia de coronavírus e quarentena forçada acelerou o encerramento de empresas de vários segmentos da economia que não aguentaram continuar operando com prejuízos financeiros



a3_D5D85538-4981-4B0A-8ACC-FFD66DFCCFBD.JPG Restaurante La Farruca, no Vieiralves, deixou o ponto em que ficou conhecido, no Vieiralves, e passou a funcionar dentro da Churrascaria Búfalo que pertence ao mesmo grupo, como anunciado pela internet. Foto: Evandro Seixas/Arquivo A CRÍTICA
20/07/2020 às 06:17

A pandemia do novo coronavírus, que impôs o fechamento do comércio não essencial no Amazonas por pelo menos três meses deixou consequências ruins para a economia. De janeiro a junho deste ano, 1.345 empresas fecharam as portas no Amazonas, segundo dados da Junta Comercial do Estado do Amazonas (Jucea). Nos meses de abril a junho, período de maior isolamento social no estado, foram 495 fechamentos. Junho registrou 217 encerramentos. Atualmente, o término de uma empresa é 100% digital e todo o processo é feito pelo site da Jucea (www.jucea.am.gov.br).

Os números estaduais ‘casam’ com a pesquisa “Pulso Empresa: Impacto da Covid-19 nas Empresas”, divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que revelou que na região Norte de 26,3 mil empresas que fecharam as portas, temporária ou definitivamente, na primeira quinzena de junho, 11 mil encerraram por causa da pandemia do novo coronavírus. A pesquisa mostrou, ainda, que para cinco em cada dez empresas, a pandemia implicou na diminuição das vendas ou serviços prestados ao consumidor nesse período.



Exemplos locais dessa onda de falências provocada pela pandemia não faltam. No final de junho, a pizzaria Morada do Sol encerrou a operação após 27 anos de história no mercado manauara. Em abril, a Forneria Di Villa, no Adrianópolis, comunicou o encerramento das atividades. “Passamos por diversas mudanças nos últimos tempos e com a pandemia da covid-19 tornou-se difcil a nossa caminhada neste ramo”, diz trecho do anúncio publicado na internet.

A Cantina La Farruca, no Vieiralves, foi integrada à Búfalo Churrascaria, deixando de funcionar no conhecido endereço na rua Pará. Em maio, duas grandes academias de Manaus, Companhia Atala e Body Fitness usaram suas redes sociais para anunciar o fechamento definitivo. “Com muita dificuldade fomos capazes de suportar esse período de inatividade, com a criação de estratégias para manter o máximo de recursos e a criação de conteúdos online para uso dos nossos clientes. Infelizmente, os custos para manter uma estrutura do nosso porte são vultosos e não puderam ser suspensos, o que inviabilizou nosso prosseguimento”, informou a publicação da Body Fitness.

As lojas Hiper Sport, de artigos esportivos, e Dulima, de vestuário feminino, fecharam a unidade localizada no Manaus Plaza e Amazonas Shopping, respectivamente, mas as empresas mantêm operação em outros centros de compra da capital.

Empregos

De acordo com o IBGE, mais de cinco em cada dez empresas em funcionamento na região Norte, equivalente a 55,5%, mantiveram o quadro de funcionários em comparação ao início de março, quando a pandemia atingiu os estados da região, contudo 27% indicaram demissões e apenas 1,6% aumentou o número de trabalhadores. Entre as empresas do Norte que reduziram a quantidade de empregados, 52,4% diminuíram em até 25% a mão de obra; 28,2% entre 26%; e a metade (50%) e 19,7% encolheram os postos de trabalho acima de 50%.

Embora nas regiões comerciais da cidade de Manaus seja fácil a identificação de pontos comerciais com placas de ‘aluga-se’ ou ‘vende-se’, o presidente do Conselho Regional de Corretores de Imóveis do Amazonas e Roraima 18ª Região, Paulo Carvalho pondera que na pandemia o mercado imobiliário não parou.

Mesmo tendo empresas fechando vêm outras que também estão se adequando ao momento. O próprio proprietário reajusta o aluguel do imóvel. O segmento de locação não parou. Existe oferta também. A expectativa do mercado imobiliário é muito grande devido às vantagens concedidas pelo governo e pelos bancos”, avalia.

Wallace Meirelles, economista

“Analisando os números da pesquisa,   o Sul e Centro-Oeste dentre as demais regiões foram as que tiveram mais impacto  e fecharam empresas por conta da pandemia conforme os dados do IBGE.  Das que encerram definitivamente o menor percentual foi a do Norte, no entanto teve o maior percentual quanto ao encerramento temporário. Na questão do impacto negativo o menor percentual foi do Norte (61,7%). Quando nos referimos as vendas dos produtos ou serviços também os efeitos no Norte foram menores dentre as regiões. Da mesma forma, na produção o Nordeste apresentou mais dificuldades e somente o Sul apresentou melhor desempenho que o Norte. E quantos as dificuldades de acesso aos fornecedores, o norte se apresenta novamente com menores dificuldades dentre todas as regiões brasileiras.  Acredito, que a influência para esse desempenho da região Norte seja por conta das empresas do Polo industrial de Manaus, de empresas de tamanho médias e grandes, sua cadeia logística e maturidade empresarial. Caso fosse excluído este conjunto empresarial, poderíamos ou não confirmar essa situação”.

Comentário: Fábio Cunha, empresário e presidente da Abrasel

“Estava se desenhando um cenário animador no começo do ano e veio a pandemia que acabou por impulsionar uma crise que as empresas já vinham passando, desde 2015-2016. E muitos que já estavam trabalhando para sair desse momento e acabou, definitivamente, por encerrar as atividades. Entre quatro restaurantes, um já fechou as portas em definitivo. Essa pandemia atingiu tanto o grande quanto o pequeno. O grande por ter muito mais responsabilidades e o custo mais alto. Com o decreto de fechamento, a atividade ficou desafiadora e difícil. Houve também uma perda muito grande no número de empregos e acreditamos que entre três trabalhadores um perdeu o emprego e o setor de alimentação fora do lar é o que mais emprega em todo o país. Pós-pandemia vai se perder ainda algo em torno de 30% (de mão de obra). Mudar a operação da noite para o dia não foi fácil, foi desafiador e muitos tentaram, mas não conseguiram. Restaurante com salão grande requer bastante mão de obra, tem o custo alto com aluguel e outras despesas, então o delivery não consegue arcar com esses custos. A retomada tem sido muito lenta ainda. (A reabertura) tem sido desafiadora porque muitos não conseguiram linhas de crédito para capital de giro e também o protocolo muito rigoroso que limita a operação.

Análise: Aderson Frota, presidente em exercício da Federação do Comércio (Fecomércio AM)

“A matriz econômica mais atingida nesta pandemia foi o comércio. No momento em que o governador decretou estado de calamidade as únicas atividades que foram totalmente fechadas, prejudicadas, foram os setores de comércio e serviços. Mesmo fechada uma empresa tem despesas inadiáveis como aluguel, folha de pagamento e encargos, pagamento de fornecedores, do custo operacional e, sobretudo, tem que pagar os impostos nos níveis federal, estadual e municipal. Não tem condição de deixar de pagar esses impostos porque entra no quadro de inadimplência. Muitas empresas viveram momentos difíceis nesses 100 dias de paralisação. Muitas empresas por ficarem com as portas fechadas por tanto tempo não conseguiram pagar os impostos e entraram no quadro de inadimplência, o que impede o acesso às linhas de crédito criadas pelo governo federal. Além da burocracia ainda tinha o impeditivo de estar negativado em função desse débito com o fisco. No dia 1 de junho houve um momento de euforia. Os centros comerciais do centro da cidade e dos bairros ficaram lotados. Algumas lojas ainda estão trabalhando em período de dificuldade porque ficaram sem abastecer (novas mercadorias), tiveram dificuldades de acesso à crédito para financiamento de capital de giro, tiveram que dispensar funcionários pela dificuldade de caixa.

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Repórter de A Crítica

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