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Em três fins de semana, mais de 60 pessoas foram assassinadas

Até o delegado titular da DEHS, Ivo Martins, que estava de férias e retornou ontem (10), se assustou com o número. Ele passou a manhã reunido com 22 investigadores conversando sobre as mortes 10/08/2015 às 21:24
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Delegado da DEHS, Ivo Martins, conversou com cada investigador da especializada para saber dos andamentos das investigações.
Nelson Brilhante Manaus (AM)

Manaus vem se revelando com uma das capitais mais violentas do Brasil. Computando apenas os últimos quatro finais de semana, 61 pessoas foram assassinadas. Até o delegado titular da Delegacia Especializada em Homicídios e Sequestros (DEHS), Ivo Martins, que estava de férias e retornou ontem, se assustou.

Ele passou a manhã reunido, individualmente, com os 22 investigadores que estão sob seu comando, para tentar retomar o domínio da situação, tarefa não muito fácil.

Um dos crimes que chocou a população foi o assassinato de um garoto de 11 anos, na madrugada do último domingo no conjunto residencial Viver Melhor 2, no bairro Lagoa Azul, Zona Norte. Ele estava com a família num arraial folclórico, na rua Conquista, quando foi atingido no peito por um disparo de escopeta, numa troca de tiros entre traficantes que atuam na região.

Sobre o caso, o delegado disse que está investindo todos os recursos possíveis para prender o culpado. “Neste momento (ontem) estamos com duas equipes no local do crime, levantando informações sobre o caso. É possível que esse caso tenha a ver com o tráfico de drogas, mas até agora não dá para fazer nenhuma afirmação nesse sentido, embora não seja a primeira ocorrência no Viver Melhor relacionada com esse tipo de coisa. Infelizmente já tivemos outros casos iguais naquele residencial”, afirma o delegado.

Sobre os 13 homicídios e três latrocínios ocorridos no último final de semana, o delegado disse que recebeu o relatório de suas equipes de investigação, ficou surpreso com o número de casos fatais, mas vai investir forte para elucidar todos.

“Estamos investigando todos, sem distinção e ao mesmo tempo, para chegar à autoria desses fatos e dar uma resposta à sociedade e às famílias das vítimas”, garante Martins.

Como profissional da área policial, Ivo Martins acredita que são vários os tipos de motivações para tantas mortes, algumas relacionadas ao tráfico de drogas, crimes contra o patrimônio, latrocínio (roubo seguido de morte), dentre outros.

“O trabalho no local do crime foi feita, as testemunhas estão depondo e a gente está dando sequência à investigação. Equipes estão nos locais, tentando colher mais informações para que possamos chegar à autoria dos crimes”, afirma o delegado.

Ameaças

Comandando uma delegacia que cuida diretamente de crime, Ivo Martins confessou que anda com segurança, mas não tem medo das muitas ameaças que recebe. “Já sofri muitas ameaças, mas gosto do que faço, fui preparado pra isso, minha família vive aqui, foi o lugar que escolhi pra morar e não tenho medo de ameaças”, garante o delegado.

Mortes em série ainda sob suspeita

Com relação às mortes que ocorreram em Manaus nos dias 17, 18 e 19 de julho, quando deram entrada no Instituto Médico Legal (IML) 35 corpos vítimas de violência, o delegado da DEHS, Ivo Martins, não deu números de casos apurados, mas disse que muitos foram elucidados.

“Nossas equipes de investigação esclareceram vários casos, só não posso adiantar quantos. Os que não foram, estão perto de serem. Te garanto uma coisa, a maioria está relacionado ao tráfico de drogas”, assegura  o delegado.

Levanta suspeita e chama a atenção o fato de poucos parentes das vítimas terem procurado a delegacia especializada para registrar ou reclamar qualquer situação, nem verbalmente, nem por meio de Boletim de Ocorrência (BO).

“Isso dificulta o trabalho, mas não significa dizer que a gente não continua investigando”, conclui.

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