Segunda-feira, 24 de Junho de 2019
Manaus

Embarcações do Porto do São Raimundo poluem as águas do rio Negro com óleo diesel

Funcionários das embarcações que ancoram no porto afirmam que boa parte do poluente é jogada por uma balsa fabricante de asfalto, ancorada na margem do rio



1.png Funcionários de embarcações e marítimos que trabalham no porto jogam até detergente na tentativa de ‘limpar’ a água
05/05/2015 às 19:33

Ao longo dos últimos dois anos, marítimos e usuários do porto de São Raimundo, Zona Oeste, vêm convivendo com a poluição do rio Negro por óleo queimado, que é despejado diariamente nas águas.

Funcionários das embarcações que ancoram no porto afirmam que boa parte do poluente é jogada por uma balsa fabricante de asfalto, ancorada na margem do rio, mais acima do porto, porém outros frequentadores do local afirmam que são os próprios proprietários das embarcações os responsáveis pela poluição, que em alguns pontos chega a criar uma “camada flutuante” de óleo.

Se o agente poluidor divide opiniões, a origem dessa sujeira toda é unanimidade entre os que trabalham no porto. O problema, segundo eles, surgiu após a retirada da base de fiscalização do Batalhão de Policiamento Ambiental do porto do São Raimundo, pois a vistoria deixou de ser permanente, o que tem colaborado com as contantes irregularidades, seja por parte das balsas ou embarcações.

O marítimo Isaias Soares, 39, contou que o óleo é despejado diariamente nas águas do rio Negro por uma balsa que fica ancorada mais acima do porto. Quando há vento, segundo ele, o óleo desce e encalha junto ao lixo jogado na água pelas pessoas que frequentam  o porto.

Além de deixar as embarcações com manchas e sujeiras, a presença do óleo impede a utilização da água para o consumo em geral e transforma o cenário da orla. Sem saber o que fazer, proprietários dos barcos chegam a despejar detergente na água na vã tentativa de torná-la mais adequada para a higiene pessoal. “Desde que retiraram o Batalhão Ambiental do porto, estamos obrigados a conviver com o óleo despejado na água. Ele é jogado por uma balsa. Sem fiscalização, somos obrigados a nos readaptar e conviver com esta situação”, disse Isaías.

A reportagem não conseguiu localizar a balsa que Isaias diz poluir o rio, mas para o marítimo Lúcio Siqueira Bezerra, 71, ela não é a causa do problema, se é que está mesmo ancorada na margem do rio. Lúcio, que trabalha com frete, acredita que a responsabilidade pela constante presença do óleo na água é das próprias embarcações que ancoram no porto. “Este porto se encontra completamente abandonado, ainda mais agora que as balsas estão inutilizadas, qualquer pessoa faz o que bem entende. Esse óleo que está na água, por exemplo, são os próprios donos dos barcos que, por preguiça de jogar na lixeira do porto, jogam nas águas e contaminam”, contou.

Segundo Lúcio, as dificuldades do trabalho aumentam com a poluição do rio, pois além de perderem passageiros com a desativação das balsas, os gastos diários para a manutenção da embarcação aumentam. “Calhou no porto, em menos de 30 minutos o casco da minha lancha fica totalmente sujo pelo óleo”, reforçou.

Sem denúncias

O tenente responsável pelas fiscalizações da Capitania dos Porto, Júlio Leite, disse que por falta de efetivo a capitania não faz fiscalização em período integral. O tenente também informou que o órgão não recebeu denúncias sobre o despejo de óleo na água, assim como o Batalhão Ambiental da Polícia Militar.


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