Quinta-feira, 21 de Novembro de 2019
DESPERDÍCIO

Embarcações escolares estão se deteriorando em base fluvial da Prefeitura de Manaus

Expostas ao sol e à chuva as embarcações apresentam sinais de deterioração em locais como a estrutura metálica



escolar.JPG A reportagem esteve na base fluvial na última quarta-feira e constatou que, expostas ao sol e à chuva, as embarcações já apresentam sinais de deterioração. Foto: Winnetou Almeida
17/07/2018 às 03:11

Um ano após A Crítica denunciar o desperdício de dinheiro público, oito lanchas de escolas rurais da Secretaria Municipal de Educação (Semed) seguem abandonadas na base fluvial da Prefeitura, localizada no antigo Porto da Companhia Energética do Amazonas (Ceam), no Centro.

A reportagem de A Crítica não conseguiu comprovar se as embarcações são as mesmas da reportagem de abril de 2017 que mostrou oito lanchas adquiridas pela Semed com recursos do governo federal quebradas e se deteriorando, já havia dois anos, na época. As lanchas estão atracadas no flutuante da prefeitura a menos de 300 metros do Palácio Rio Branco, onde o prefeito Artur Neto (PSDB) despacha com seus secretários e administra a cidade.



A reportagem esteve no local na última semana e constatou que, expostas ao sol e à chuva, as embarcações já apresentam sinais de deterioração com a estrutura metálica de algumas lanchas apresentando ferrugem, borrachas deterioradas e a estrutura dos bancos de madeira apresentando risco aos estudantes.

As lanchas escolares que estão abandonadas foram adquiridas com recursos do governo federal por meio do Programa Caminho da Escola do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE), que tem por objetivo “renovar a frota de veículos escolares, garantir segurança e qualidade ao transporte dos estudantes e contribuir para a redução da evasão escolar, ampliando, por meio do transporte diário, o acesso e a permanência na escola dos estudantes matriculados na educação básica da zona rural das redes estaduais e municipais”.

No porto da Ceam, um funcionário que trabalha em flutuantes vizinhos ao da Prefeitura contou que as embarcações estão no local há muito tempo e ficam sob vigilância de funcionários da prefeitura por apresentar motor de popa em algumas lanchas. “Sempre tem movimento deles aí. Só as lanchas do transporte escolar que ficam muito tempo paradas mesmo no porto. Não se sabe ao certo se elas estão paradas por algum problema nos motores ou algo do tipo”, disse um trabalhador que preferiu não se identificar.

Outro Lado

A Secretaria Municipal de Educação (Semed) informou, por meio de nota, que as lanchas escolares que se encontram atracadas no antigo Porto da Ceam não estão abandonadas e não são as da reportagem anterior.

“No local estão ancoradas as embarcações que estão passando por algum tipo de manutenção. Dependendo dos reparos, as mesmas podem ficar de 10 dias a 2 meses, visto que algumas peças precisam vir de fora para atender ao modelo padrão estabelecido pelo Programa Nacional de Apoio ao Transporte Escolar (PNATE), do Fundo Nacional de Desenvolvimento Escolar (FNDE)”, diz trecho da nota.

A pasta esclareceu que os recursos para manutenção das embarcações são provenientes do PNATE, tendo a secretaria municipal de educação recebido, em 2018, R$ 940 mil para a execução do programa. “De 2013 até este ano, foram investidos mais de R$ 3 milhões entre aquisição de dez novas lanchas e manutenção. A manutenção das embarcações é feita conforme cronograma anual e é realizada pela empresa Global Supllier, contratada por meio de ata de adesão do Centro de Embarcações do Comando Militar da Amazônia (CMA)“.

Controle não foi realizado

Após a publicação da reportagem o superintendente à época da Controladoria Regional da União no Estado do Amazonas (CGU-AM), Marcelo Borges de Sousa, afirmou que o órgão iria instaurar uma Ação de Controle para investigar o abandono das lanchas.

Procurada, a superintendente da CGU-AM, Mona Liza Prado Benevides, informou que a busca aos sistemas do órgão não identificou procedimento aberto para verificação das lanchas.

A assessoria de imprensa da CGU informou que não foi formalizada a investigação. A reportagem procurou por Marcelo Borges, mas não obteve resposta do órgão de controle.

Comunidade denuncia redução

Professores agrícolas denunciaram diminuição da frota de ônibus que realiza o transporte educacional

Professores da Escola Municipal João Paulo II, localizada na Comunidade Agrícola João Paulo, na estrada do Puraquequara, denunciaram a redução dos ônibus escolares que realizam o transporte de alunos e professores da comunidade.

“Há cerca de um mês identificamos a redução de seis para quatro ônibus. Nesse verãozão, os ônibus estão lotados com crianças em pé. O dinheiro para o transporte escolar é federal e o repasse já veio. Então, não deve ter diminuído de uma hora para outra”, contou um professor que, temendo represálias, pediu para não ser identificado.

O professor afirmou que o horário de início da aula foi alterado para que os ônibus conseguissem dar conta de atender todos os alunos. “Antes entrávamos às 13h e foi antecipado para 12h30 para que os ônibus disponíveis deem conta de deixar todos os alunos e professores nos seus ramais ou em frente de casa. Até deixar todas as crianças já chega a ficar de noite”, ressaltou.

Uma professora relatou que já foi impedida de entrar no veículo por conta da superlotação. “A reclamação é dos alunos e professores que moram nos bairros adjacentes e dependem do transporte”, contou a educadora.

A Secretaria Municipal de Educação (Semed) informou, por meio de nota, que foi necessário fazer um remanejamento devido ao quantitativo de estudantes matriculados na unidade de ensino. Atualmente, a escola atende 410 estudantes, sendo 205 no turno matutino e os demais no vespertino.

Em números

3 Milhões
De reais é o valor gasto com a aquisição de dez novas lanchas e com manutenção, de 2013 até este ano, com recursos do Programa Nacional de Apoio ao Transporte Escolar, segundo assessoria da Semed.

3,2 mil
Alunos da Semed dependem do  transporte fluvial escolar. Segundo a pasta, 49 escolas  utilizam lanchas das quais 29 estão localizadas em comunidades ao longo do Rio Negro e 20 ao longo do Rio Amazonas.


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