Quinta-feira, 20 de Junho de 2019
Manaus

Emenda polêmica ‘esconde’ outros debates sobre moradia

Enquanto vereadores discutem se aumentam ou não o número de andares, outras possibilidades não são estudadas



1.jpg Proposta rejeitada na Comissão do Plano Diretor ampliava de 18 para 25 o número de pavimentos dos prédios em Manaus
01/12/2013 às 10:51

A polêmica discussão sobre a verticalização urbana em Manaus está longe de chegar a um consenso. A prefeitura, e a maioria dos vereadores aliados, defendem o aumento do número máximo de andares para 25. Hoje o máximo permitido são 18. De outro aldo, pesquisadores e até aliados do prefeito Artur Neto (PSDB) na Câmara Municipal de Manaus (CMM) são contra a proposta.

O autor da emenda ao Plano Diretor que mantém em 18 o número máximo de andares de prédios da capital, vereador Walfran Torres (PTC), já sinalizou que pode retirar a proposta.

O presidente da Casa, Bosco Saraiva (PSDB), que foi relator da revisão do Plano Diretor do ano 2000 afirmou ser favorável à verticalização mesmo antes. “Eu pessoalmente tenho uma visão de verticalização em razão do adensamento da cidade onde já existem os equipamento urbanos implantados, como hospital, escola, segurança e vias”, afirmou.

Para o veredor Professor Bibiano (PT) a verticalização e a expensão territorial não as únicas soluções. “Temos áreas dentro da cidade de Manaus que estão vazias. E se estão vazias por que não utilizá-las para expansão dentro da própria cidade”, disse. “Quando se vericaliza isso cria uma barreira contra a ventilação”, defendeu.

O geógrafo e professor da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), Marcos Castro, também atenta para essa questão. “As pessoas esquecem que Manaus é uma cidade de clima equatorial. O sombreamento irregular pode trazer mais úmidade e aumentar o efeito de reflexão solar formando ilhas de calor. Então, a questão não é ser contra a verticalização, mas ver uma cidade para o futuro não só atendendo aos interesses de contrutoras”, ponderou.

Para ele, o poder público não está conseguindo adapta “nem a expansão horizontal”. “Como é que vai verticalizar? Será que é o mais pobre quem vai morar num prédio desse tipo?”, questinou o professor.

Voto mantido

Os vereadores da base aliada de Artur Neto que votaram contra a proposta da prefeitura na Comissão do Plano Diretor afirmaram que devem manter o posicionamento na votação plenária.

“Minha posição é formada por convicções. Discuti ao longo do Plano Diretor, formei as minhas convicções e dei as minhas opiniões. Não tenho como voltar atrás com meu voto. Acho que na política, em determinado momento, tem que se firmar posição e eu firmei a minha. A partir do momento que eu firmei minha posição. Vou manter meu voto em 18 pavimentos” declarou Marcelo Serafim (PSB).

Movimentos sociais apoiam elevação

A proposta que eleva para cinco andares o número máximo de pavimentos dos conjuntos habitacionais é vista com bons olhos por representantes de movimentos sociais.

O subsecretário de Habitação da Prefeitura de Manaus, Danízio Elias também defende o projeto. “Vai ser bom. Hoje esse limite está em quatro e havia uma resistência por conta de idosos e deficientes, mas ficou decidido que os dois primeiros pavimentos serão disponibilizados para esse público. Essa é uma demenda vinda dos próprios movimentos populares”, disse Elias a A CRÍTICA.

A proposta foi aprovada pela Comissão que ora revisa o Plano Diretor e deve seguir para a votação no plenário da Câmara Municipal de Manaus (CMM).

Outra proposta de teor semelhante, de autoria do vereador Everaldo Farias (PV), que visa incentivar a verticalização dos conjuntos habitacionais populares para conter a expansão horizontal da cidade foi aprovada pela comissão, após ter sido rejeitada pelo relator, Elias Emanuel (PSB). Segundo ele, a emenda ao Plano Diretor tinha erro de técnica legislstiva. Após argumentação do autor, a emenda foi readequada e aprovada na comissão e seguirá para votação em plenário.

Saiba mais - Verticalização

Trata-se de um processo de crescimento urbano vertical, ou seja o aumento do número de andares das construções. É uma característica de cidades em crescimento populacional porque é uma forma de concentrar mais pessoas em espaços cada vez menores no tecido urbano.

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