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Manaus
TECNOLOGIA

Empresa cria site para ajudar agricultores de Manaus e região a vender produção

Objetivo é comercializar frutas e hortaliças de qualidade diretamente entre produtores e clientes, sem atravessadores. Veja como comprar 12/02/2018 às 10:28
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Aos sábados, Onisafra entrega aos clientes os pedidos que foram feitos ao longo da semana. Foto: Divulgação
Vitor Gavirati Manaus (AM)

De um lado estão os produtores rurais, querendo vender as frutas e hortaliças que produzem. Do outro, os consumidores desejando produtos de qualidade. Para unir os dois grupos, surgiu a comunidade Onisafra, empresa que criou um site onde agricultores comercializam o material que produzem diretamente com os clientes, sem atravessadores.

O esquema de funcionamento da empresa é simples. Todas as semanas, no site da Onisafra, os interessados podem consultar até as 23h59 de quinta-feira os alimentos disponíveis para venda e realizar pedidos. Aos sábados, quem comprou pode receber sua cesta de pedidos no Impact Hub Manaus, localizado na avenida Efigênio Salles, 1.299, bairro Aleixo, na Zona Centro-Sul de Manaus.

Na semana que passou, por exemplo, os clientes tinham no leque de opções, frutas regionais como rambutã e tucumã, além de banana pacova, maracujá, limão e açaí (litro). Entre as hortaliças, abobrinha, alface, maxixe, tomate cereja, milho e pimentão. Os produtos ofertados variam conforme a produção indicada pelos agricultores, que só colhem aquilo que é vendido.

Atualmente, as compras podem ser pagas por cartão de crédito, no próprio site da Onisafra. O pagamento antecipado serve para garantir que apenas a quantidade certa de alimentos seja colhida/produzida. Além das frutas e hortaliças, outros alimentos, como farinha, tapioca, geleias e tucupi costumam ser vendidos na plataforma.


Faturamento da Onisafra cresce, em média, 60% a cada semana. Foto:Divulgação

Para a empreendedora Juliana Teles, 27, que é uma das usuárias do serviço, a ideia facilita a vida das pessoas. “Tem a comodidade de você escolher da sua casa, de qualquer lugar e você sabe que vão ser entregues produtos com qualidade. Diferente de quando você vai no supermercado e fica lá escolhendo. Isso poupa seu tempo, poupa filas”, comenta.

“Todo sábado eu e meu marido ‘fazemos mercado’ e a gente vai em um supermercado tradicional. Então é muito legal saber que ao invés de você estar enriquecendo uma pessoa, que compra dos produtores, você está dando direto aos agricultores. Isso é o mais legal. Em vez de um dono, o dinheiro é mais distribuído”, completa Teles, destacando ainda o incentivo aos produtores locais. 

História de empreendedorismo

Com o modelo de negócio atual, o site começou a operar em dezembro de 2017. Macaulay Souza, 23, um dos fundadores e CEO da Onisafra (foto abaixo), conta que a ideia de criar a empresa surgiu em 2015, quando o jovem ainda estava na universidade. “Um amigo meu que tem plantio de banana estava com dificuldades em comercializar o que ele plantava. Aí, eu falei brincando que iria criar um site para ele vender pelo site”, conta.

Um ano depois a veia empreendedora do jovem, que é engenheiro agrônomo e, atualmente, cursa mestrado em Agronomia Tropical na Universidade Federal do Amazonas (Ufam) se revelou.

“Em 2016, a gente começou a estudar o mercado e, na metade do ano, passou a operar. Só que no início a gente conectava o agricultor com empresas. O nosso propósito era ajudar os produtores a terem acesso ao mercado, porque muitos deles caem na mão de atravessadores e não recebem o preço justo pelo produto”, explica.


Equipe conta com 2 desenvolvedores, 1 designer e 1 pessoa da área de gastronomia, além de Macaulay. Foto: Divulgação

Ao longo do processo, Macaulay percebeu que não conseguia entregar o valor que pretendia aos produtores e reorganizou a lógica da empresa. Atualmente, em torno de 20 pedidos são feitos a cada rodada de vendas na plataforma. O site da Onisafra tem recebido, em média, mil acessos por semana.

No negócio, os agricultores escolhem os preços para a comercialização dos produtos. A Onisafra monetiza seu trabalho com a manutenção da plataforma recebendo 20% do valor de cada produto vendido. “Quem define o preço é o próprio agricultor. A gente não interfere e o preço deles, geralmente, é o preço próximo de varejo”, explica Macaulay.

O nome ‘comunidade’ não é à toa

A ideia de Macaulay com a Onisafra é, realmente, gerar uma comunidade em torno da produção rural, como o próprio nome da plataforma sugere. A empresa fica com 75% da taxa administrativa repassada pelos agricultores e os outros 25% vão para os chamados “gerenciadores da comunidade”.

“No sábado (com o término das vendas), os produtores entregam os produtos para nós, a gente monta as cestas e entrega em um local que a gente chama de ‘comunidade’. As comunidades nada mais são do que espaços para entrega e retirada dos produtos. Além disso, a ideia é que, no futuro, haja uma interação entre o agricultor e o consumidor. Nosso objetivo é esse: aproximar ainda mais o agricultor do cliente”, explica o CEO.

Macaulay espera aumentar o número de comunidades pela cidade – atualmente, apenas há a do Impact Hub Manaus –, com cada local tendo agricultores específicos vinculados a eles. No momento, onze agricultores familiares dos municípios de Iranduba, Rio Preto da Eva, Itacoatiara, Careiro da Várzea, Presidente Figueiredo e do Ramal do Pau Rosa (na BR-174, que liga Manaus a Boa Vista) vendem a produção na Onisafra.

“Hoje se fala muito de alimentação saudável. Só que também, às vezes, a gente esquece do agricultor. Quando o consumidor conhece quem produz o alimento e o agricultor sabe o que o cliente quer, ele consegue diversificar ainda mais a produção dele no campo e, consequentemente, ter um retorno financeiro melhor”, aposta o empreendedor Macaulay.

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