Sábado, 20 de Julho de 2019
DECISÃO

Empresa de ônibus é condenada a indenizar cadeirante em R$ 50 mil em Manaus

Motivo foi a inoperância e a ineficiência de rampas de acessibilidade nos coletivos da empresa. Decisão é em 2ª instância



show_1.jpg Foto: Arquivo A Crítica
08/02/2018 às 09:59

A 2ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça do Amazonas negou provimento a um recurso de apelação interposto por uma empresa de ônibus de Manaus, prestadora de serviço de transporte coletivo, e manteve a sentença de 1ª instância que a condenou a indenizar em R$ 50 mil um usuário cadeirante por conta da inoperância e ineficiência de rampas de acessibilidade nos coletivos.

O recurso de apelação nº 0631416-58.2014.8.04.0001.0000 teve como relatora a desembargadora Maria do Perpétuo Socorro Guedes Moura cujo voto pela negativa do provimento e condenação da empresa foi acompanhado pelos demais magistrados da 2ª Câmara Cível do TJAM.

A decisão em 1ª instância, do Juízo da 9ª Vara Cível e de Acidentes do Trabalho, condenou a empresa a indenizar em R$ 50 mil o usuário, a título de danos morais, bem como exigiu da empresa a adoção de providências necessárias para que sejam implementadas as condições de plena acessibilidade às pessoas com deficiência ou mobilidade reduzida nos coletivos de sua propriedade.

Conforme os autos, o autor da ação é paraplégico e sendo portador de necessidades especiais “somente pode utilizar dos ônibus que possuem plataforma elevatória veicular, único meio possível de ingressar e acomodar a cadeira de rodas no veículo coletivo”.

Nos autos, a defesa do requerente afirma que “tentativas após tentativas, dias após dias, o autor frustrou-se diante da impossibilidade da utilização do transporte público coletivo operado pela requerida. Insatisfação que inclusive foi presenciada por populares que, tomando-lhes as dores, passaram a filmar as oportunidades malogradas”, levando este usuário a ingressar na Justiça com pedido de indenização diante das situações degradantes vivenciadas e em razão do sofrimento decorrente da negativa da prestação do serviço.

Falha na prestação de serviço

A relatora do processo em 2ª instância, desembargadora Socorro Guedes, rechaçou os argumentos da empresa citando no voto dela que “conforme dito pelo magistrado sentenciante, não houve contradição, omissão ou obscuridade capaz de modificar a decisão ora atacada, isso porque o dano moral foi arbitrado com proporcionalidade e razoabilidade”.

Na análise do mérito, ao lembrar, no acórdão, o depoimento de quatro testemunhas, a relatora mencionou que “a falha na prestação de serviço de transporte público restou devidamente comprovada, visto que, apesar da apelante juntar documentos que supostamente comprovam a realização de manutenção preventiva e corretiva nas rampas de acessibilidade, esses restaram afastados pelos depoimentos das testemunhas, inclusive do réu, que afirmaram que as rampas apresentam problemas”.

A desembargadora Socorro Guedes mencionou, no mesmo voto, o art. 48 da Lei nº 13.146/2015 destinada a assegurar e a promover, em condições de igualdade, o exercício dos direitos e das liberdades fundamentais por pessoas com deficiência. Tal dispositivo determina que “os veículos de transporte coletivo (...) em operação no País devem ser acessíveis de forma a garantir o seu uso por todas as pessoas”. O art. 53 do mesmo diploma – igualmente citado pela magistrada – diz que “a acessibilidade é direito que garante à pessoa com deficiência ou com mobilidade reduzida viver de forma independente e exercer seus direitos de cidadania e de participação social”.

Indenizar por danos morais

Negando provimento ao recurso de apelação e mantendo a condenação à empresa, a desembargadora Socorro Guedes concluiu o voto afirmando que “impõe-se o reconhecimento da responsabilidade da permissionária pelo ocorrido, e, consequentemente, seu dever de indenizar pelos danos morais sofridos pelo apelado. No que diz respeito à compensação pelo dano moral, de um lado este deve proporcionar um conforto à ofendida, a fim de amenizar o mal experimentado e, de outro, deve servir como uma forma de punição para desestimular a reiteração dos mesmos atos”, concluiu a desembargadora Socorro Guedes.

O voto da relatora, acompanhado pelos demais magistrados da 2ª Câmara Cível do TJAM, ancorou-se, também, na decisão de Repercussão Geral, no Recurso nº 591874, julgado em 26 de setembro de 2009 pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), com relatoria do ministro Ricardo Lewandowski.

*Com informações da assessoria de imprensa

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