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Empresa de ônibus emite laudo próprio e isenta culpa de motorista em morte de ciclista

Motorista da linha 440 atropelou e matou ciclista, ontem, na av. Djalma Batista, em Manaus. Sinetram isentou culpa do condutor em laudo não oficial, que diz que a avenida não tem espaço para ciclistas. Condutor foi afastado do trabalho e passará por exames 22/05/2015 às 15:08
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Segundo perito da empresa Líder, ciclista usava fone do ouvido
VINICIUS LEAL Manaus (AM)

O Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros do Amazonas (Sinetram) e a empresa Auto Ônibus Líder informaram, na manhã desta sexta-feira (22), que o motorista Robert de Oliveira Mota, 29, que dirigia o coletivo da linha 440, ontem, na avenida Djalma Batista, não teve culpa no atropelamento e morte do ciclista Antônio Simão de Lima Araújo, de 61 anos.

Conforme o órgão e a empresa, um laudo preliminar e não oficial foi produzido por um perito da própria empresa Líder, responsável pela linha 440, e foi verificado que o motorista Robert não teve culpa no atropelamento. Segundo os órgãos, o motorista Robert "não cometeu nenhuma infração de trânsito" durante o acidente.

Para o Sinetram, o condutor do 440 "estava na faixa de rolagem permitida para o tráfego" e "em velocidade compatível para a via, que não é dotada da faixa exclusiva para ciclistas". O órgão afirma, ainda, que o ciclista Antônio usava fone de ouvido e que isso pode ter impedido ele de perceber a presença do ônibus, que vinha por trás.

No entanto, o motorista foi afastado da função até que os fatos sejam esclarecidos e, segundo o Sinetram, deverá passar por tratamento psicológico para saber se poderá retomar as atividades quando tudo estiver elucidado. Ele foi indiciado em flagrante por homicídio culposo e responderá pelo crime em liberdade, após pagar fiança de R$ 5 mil.

Questionada pela reportagem, a assessoria de imprensa do Sinetram informou que cada empresa de ônibus de Manaus possui um perito e que "eles têm a mesma capacidade para emitir laudos que um perito da Polícia Civil". Segundo a assessoria, esse laudo é emitido e enviado para uma seguradora, mas não vale como oficial.

Contradição

O advogado do Sinetram, Fernando Borges, confirmou a capacidade do perito em emitir laudos como um perito da Polícia Civil, e que o mesmo teria considerado as Leis de Trânsito para produzir o exame.

Segundo Borges, o perito considerou que a avenida Djalma Batista não comporta de espaço necessário para que motoristas de ônibus mantenham a distância mínima de 1,5 metro de ciclistas. Para se distanciar do condutor da bicicleta, segundo o advogado, o motorista Robert precisaria "invadir a pista ao lado", o que seria "impossível".

"Para onde ele vai?", indagou o advogado, em entrevista por telefone com a reportagem do Portal A Crítica. Segundo Borges, o ônibus estava a 35 km/h e o motorista não poderia diminuir a velocidade, pois já estava “devagar”. Em conclusão, conforme a informação repassada pelo advogado, a avenida Djalma Batista não está adequada às leis de trânsito e a via não poderia receber ciclistas.

Laudo oficial

O laudo oficial sobre as causas do acidente será emitido pelo Instituto de Criminalística (IC) da Polícia Civil. O inquérito sobre o caso foi registrado no 22º Distrito Integrado de Polícia e será transferido, na semana que vem, à Delegacia de Acidentes de Trânsito (Deat), onde as investigações vão continuar. A polícia espera o laudo da perícia do IC.

Vídeo

Uma câmera de segurança registrou o atropelamento e morte do ciclista Antônio Simão, que teve a cabeça esmagada pelo ônibus 440. Clique aqui e veja as imagens. Entretanto, na imagem não se vê Antônio se desequilibrando e caindo no chão, conforme havia sido divulgado.

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