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Empresa Global Green possui R$ 14 milhões de déficit no FGTS, diz Artur Neto

O prefeito de Manaus, após reunião na tarde desta segunda-feira (01) com representantes dos rodoviários e da empresa, pontuou que foram discutidas as formas de quitação deste déficit e de que maneira a prefeitura responderá às reivindicações dos funcionários 04/07/2013 às 15:41
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O prefeito de Manaus, Artur Neto, em encontro com rodoviários na tarde desta segunda (01)
Laynna Feitoza Manaus, AM

“Empresa que pode arcar com seus compromissos fica. As que não podem arcar saem”, afirmou o prefeito Artur Neto (PSDB) após reunião na tarde desta segunda-feira (01) com representantes dos rodoviários da empresa Global Green, antiga Vitória Régia, que iniciaram uma greve na manhã passada para reivindicar a atualização e pagamento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) e Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Além dos rodoviários, estavam presentes os representantes da empresa e do sindicato da categoria.

Ainda de acordo com Artur, a manifestação dos rodoviários embasou-se em compromissos não cumpridos pela empresa. “Ponderei com eles que a gente precisa manter o diálogo de comunicação bem mais firme. Isso abriu caminho para que 150 vândalos, que não eram os rodoviários e nem a população normal, entrarem aqui. Parecia até uma ação concatenada com outra força. Chegaram aqui com barras de ferro, pedaços de pau, material explosivo, queimaram ônibus. Ameaçaram pessoas, foi preciso os rodoviários se esconderem para não haver mortos”, disse ele, sobre a destruição de 30 coletivos da empresa na manhã do início da greve. No ato, alguns ônibus foram depredados e queimados.

Dos 150 vândalos, sete foram presos e foram encaminhados ao 9º Distrito Integrado de Polícia (DIP), conforme o prefeito, lembrando que as reivindicações da classe rodoviária são ‘factíveis’ e ‘fáceis de serem resolvidas’.

“Nós estamos convocando os donos da empresa, que são três, e estão no Rio de Janeiro. Um deles teve um infarto e está vindo na outra semana para nós definirmos várias coisas. Inclusive para definir se a empresa fica ou não no sistema. Os problemas vão acabar”, assegurou Artur Neto.

A Global Green possui R$ 14 milhões de déficit passivo no FGTS, de acordo com o prefeito. Ele pontuou também que foram discutidas as formas de quitação deste déficit e de que maneira a prefeitura responderá às reivindicações.

“Temos propostas bem claras para oferecer a eles. O FGTS depende da Caixa Econômica Federal, que estaria concordando. É um montante muito alto. Nós vamos estabelecer com os proprietários como é que eles vão quitar isso. A proposta que foi aceita por eles envolve quitar com parcelas de R$ 300 mil por mês em um acordo estabelecido com a Justiça do Trabalho. Tem também outras reivindicações, uma delas é o dinheiro do ticket do DDD Crédito que vai ser regularizado na folha desse mês no valor de R$ 45 mil”, destacou Artur.

O prefeito afirmou que os rodoviários, que devem voltar ao trabalho já nesta terça (02), não sofrerão punições trabalhistas pela manifestação, que mobilizou mais de 2 mil funcionários.

“Em função da boa vontade que eles mostraram, eles não perderão o dia de hoje e nem haverá retaliação por parte da empresa ou política de demissão”, concluiu. Segundo ele, será definida junto com a prefeitura se a Global Green deve permanecer ou se suas linhas devem ser repassadas para outras empresas. Os rodoviários compraram materiais para recompor os coletivos quebrados, cujo faturamento somou R$ 250 mil de prejuízos, conforme Artur.

Comissão auditará empresa

De acordo com o titular da Superintendência Municipal de Transportes Urbanos (SMTU), Pedro Carvalho, o prefeito Artur Neto criará uma comissão para levantar a situação financeira da Global Green, em moldes de auditoria, para avaliar a capacidade de pagamento dos direitos trabalhistas aos rodoviários. Sobre as reivindicações, Carvalho adiantou que já há um acerto com o Ministério do Trabalho.

“Na quinta-feira da outra semana haverá uma reunião, cujo Sindicato dos Rodoviários já tratou disso. Ele está entrando judicialmente para que esses pagamentos sejam efetuados. O problema aqui é que muitas promessas não foram cumpridas, mas agora em função do que acontece, se tivermos que intervir na empresa, a gente intervém. Se tivermos que mudar, mudaremos. Isso é necessário”, desdobrou Pedro.

Ainda de acordo com o titular da SMTU, o índice de passageiros por quilômetro é em determinadas áreas bom, e em outras, ruim. “Tem empresas que a tarifa de R$ 2,75 cobre as despesas, como há empresas que este valor não cobre. E temos que buscar este equilíbrio adotando a câmara de compensação, que nós já adotamos, mas ainda falta bastante ajuste. Ou partir para uma metodologia mais sofisticada, como por exemplo o consórcio operacional, onde todo mundo é posto numa só forma de administrar financeiramente. Hoje temos em Manaus empresas em boas e más situações”, revelou.

Questionado sobre quem assumiria a dívida da empresa caso a unidade perca a concessão das linhas de transporte coletivo, o presidente pontuou que a medida é passível de negociação.

“A solução de tirar uma empresa não é simples. Isso leva no mínimo seis meses para regularizar. Enquanto isso nós temos a obrigação de manter esse equilíbrio, porque a solução de tudo não está só aqui. Tem que regularizar moto táxi, o transporte executivo e o alternativo, porque hoje da forma que está eles são predadores. Com o sistema principal precisamos ter cuidado, estudar cada caso para não cometer erros. É difícil arrumar alguém que queira assumir a empresa e, por conseguinte, assumir toda a dívida”, concluiu.

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