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Empresários tomam conta das ruas de Manaus colocando cones particulares nas vias

“Não é autorizado reservar vaga exclusiva em via pública. À noite também tem bares que reservam espaço público, sem autorização”, disse o diretor do Manaustrans 30/08/2015 às 11:26
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A rua, cujo nome oficial é Brigadeiro Hilário Gurjão, tem apenas duas pistas.
Nelson Brilhante Manaus (AM)

“Quem dera” que a Rua do Fuxico, no bairro São José, Zona Leste, fosse apenas uma via repleta de “fuxiqueiros” (gente que fica falando mal da vida dos outros). O problema, acreditem, é bem maior. A rua, cujo nome oficial é Brigadeiro Hilário Gurjão, tem apenas duas pistas, mas virou um dos maiores centros comerciais de Manaus, com aproximadamente 120 distribuidoras de mercadorias dos mais variados produtos. Muito dinheiro circulando e inúmeros problemas também, só que na rua.

O pior deles é a falta de estacionamento, até para quem vai ao local para fazer compras. Por conta disso, a maioria dos empresários demarca território, colocando ilegalmente, em frente ao estabelecimento, cones com as cores amarelo e preto, típicas do Departamento Estadual de Trânsito (Detran-AM), ação completamente irregular, para assegurar espaço tanto a carretas desembarcando, quanto a carros de passeio embarcando mercadorias.

De acordo com o diretor do Instituto Municipal de Engenharia e Fiscalização do Trânsito de Manaus (Manaustrans), Paulo Henrique Martins, é proibido o uso de cones por particulares.

Mas, sem nenhuma dificuldade, até “flanelinhas” (guardadores de carros) e recepcionistas de estacionamentos particulares demarcam territórios nas ruas de Manaus com cones comprados facilmente nas lojas especializadas.

Sobre a rua do Fuxico, Paulo Henrique admite que trata-se de uma área complexa, onde seus agentes correm até risco de morte.

“É a área mais critica de toda a zona Leste. Constantemente placas são roubadas. A situação é tão séria que a fiscalização precisa ser feita com acompanhamento da Polícia Militar (PM). Agentes nossos já foram ameaçados até com faca em pleno dia”, revela Martins.

Sobre as normas da legislação municipal acerca do assunto, de acordo com o diretor do Manaustrans, não há nenhuma dúvida.  “Não é autorizado reservar vaga exclusiva em via pública, principalmente com cones. À noite também tem os bares que reservam espaço público, usando cavaletes, sem autorização. O Manaustrans recolhe todos”, garante o diretor.

Reserva de vaga

Revoltado com a situação, o vendedor ambulante Sidinelson Cavalcante Freire, de 55 anos, lembra que trabalha há seis anos comprando nas lojas para revender nas ruas, e todo dia tem problema para estacionar seu veículo.

“Às vezes, não consigo fazer minhas compras porque não há vaga para estacionar meu carro. E ainda tem guarda de trânsito multando. O pessoal que faz frete toma a vaga e acha que é dono do espaço. Tem funcionário de distribuidora que chega com a gente dizendo que vai já chegar um caminhão com mercadoria. Só que é enganação, porque esse caminhão nunca chega. Eles colocam os cones na rua e a gente não pode encostar”, protesta o vendedor.

Professora questiona área militar

A professora de arte e atriz, Raquel Cardoso, moradora do bairro São Jorge, Zona Oeste, fica revoltada com o isolamento que o Exército Brasileiro faz num trecho da Rua Brasil. Embora seja uma área militar, ocupada por residências de oficiais, e com permissão para usar medidas de segurança, ela acha que a rua é pública, não é sem saída e por isso  não deveria ser interditada por cones.

“Sou assessora pedagógica de uma escola municipal que fica no bairro Vila da Prata (na mesma zona) e preciso fazer uma volta imensa para chegar ao trabalho. A mesma situação enfrenta quem estuda ou trabalha na escola estadual Fueth Paulo Mourão”.

É até situação de constrangimento porque, para passar, as pessoas precisam se identificar e dizer se moram ou não na rua. “Por que não isolam a rua de uma vez por todas, em vez de colocarem cones, com guarda armada, intimidando as pessoas? Acho isso ilegal, trancarem a rua. Os militares ficam com medo de ser assaltados e colocam até guarda armado na rua, isolada por cones e acabam intimidando as pessoas comuns que moram em lugares sem segurança e ainda têm que se deslocar com dificuldade até o local onde trabalham”, questiona a professora.

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