Segunda-feira, 10 de Agosto de 2020
PANDEMIA

Encerramento das atividades em unidades referência para Covid-19 preocupa pesquisadores

Segundo especialistas que estudam a curva de infecção do vírus, a desativação de hospitais significa redução da capacidade de atendimento



WhatsApp_Image_2020-07-06_at_21.04.43_F6EDB360-727C-4E7B-91AB-A8AB3B4590AC.jpeg Foto: Junio Matos
07/07/2020 às 06:55

Enquanto pesquisadores apontam uma possibilidade de aumento no número de casos novos de Covid-19 devido à reabertura das atividades econômicas, os órgãos municipal e estadual de Saúde optaram por desativar os hospitais de referência após redução do número de internações e óbitos pelo novo coronavírus.

Ontem (6), o Hospital de Combate à Covid-19 da Nilton Lins, Zona Centro-Sul, foi desativado pela Secretaria de Saúde do Estado (Susam), mas manterá em funcionamento a ala montada com o apoio do governo federal para o atendimento exclusivo de indígenas. No último dia 23, a Prefeitura de Manaus determinou o encerramento das atividades do hospital de campanha municipal, localizado no Lago Azul, na Zona Norte da capital.



No ponto de vista de especialistas que estudam a curva de infecção do vírus, a desativação de hospitais significa redução da capacidade de atendimento.

“É difícil opinar sobre a questão, mas é óbvio que houve uma redução da capacidade. No início do mês de junho, a curva de infecção estava tendendo fortemente para baixo, caso continuasse daquela forma poderíamos ir a zero. No entanto, com a abertura sabemos que os casos irão aumentar e um possível pico não era esperado em junho, mas sim em julho. É isso que tenho acompanhado”, afirmou o cientista de dados e professor de matemática da Universidade do Estado do Amazonas (UEA), Rodrigo Tavares Teixeira.

Conforme seus estudos, Rodrigo apresenta as curvas de tendência que mostram o comportamento da pandemia em Manaus. “O distanciamento está tendendo à normalidade. Mas, ainda não é o pré-pandemia, pois as escolas e universidades ainda estão fechadas, assim como bares e outros”, destaca ele, sobre as curvas de isolamento que tem estado na média. 

Para o coordenador geral do Atlas dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) Amazonas, Henrique dos Santos Pereira, foi perceptível uma pequena aceleração no gráfico de pacientes em Unidade de Terapia Intensiva (UTI).

“Se observarmos o numero de leitos UTI ocupados com pacientes de Covid-19, há uma tendência de redução desde 20 de maio, com uma pequena aceleração em 1º de julho. Não creio que o fechamento de hospitais de campanha tenha sido a razão. Pode ser que tenha sido um efeito da reabertura ou da transferência de pacientes do interior. Em nossos estudos não estivemos monitorando com a mesma atenção as respostas do sistema de saúde”, comentou ele.

Conforme o boletim divulgado ontem pela Fundação de Vigilância em Saúde (FVS-AM), entre os casos confirmados de Covid-19, havia 259 pacientes internados, sendo 183 em leitos clínicos e 76 em UTI. Há ainda outros 158 pacientes internados considerados suspeitos. Desses, 112 estão em leitos e 46 estão em UTI.

Atendimento em UBSs preferenciais

Pela Prefeitura de Manaus, desde o último sábado (4), o atendimento a pacientes com suspeita de síndromes respiratórias e Covid-19 passou a ser feito nas dez Unidades Básicas de Saúde (UBS) de horário ampliado e na Clínica da Família Carmen Nicolau, localizado na rua Santa Tereza D’ávila, bairro Lago Azul, Zona Norte.

De acordo com o secretário municipal de Saúde, Marcelo Magaldi, a medida é em razão da redução do contágio e do número de casos de Covid-19 e a retomada dos atendimentos programados de atenção primária.

“Durante o pico da doença em Manaus, a Semsa estabeleceu o atendimento aos casos de suspeita de síndromes gripais e infecção pelo novo coronavírus em 18 unidades”, disse. “Como os registros indicam uma queda na curva, entendemos ser possível manter os atendimentos nessas unidades”, acrescentou.

Os horários de atendimento seguirão a rotina das UBS de horário ampliado – de segunda a sexta-feira, das 7h às 21h. Aos sábados, das 8h às 12h. A Clínica da Família Carmen Nicolau funcionará de segunda a sexta-feira das 7h às 19h e aos sábados, domingos e feriados das 8h às 18h.

Lista

Distrito Leste
- UBS Alfedo Campos - rua André Araújo, s/nº -  Zumbi dos Palmares
- UBS Dr. José Amazonas Palhano - rua Antônio Matias, s/nº - São José Operário
- UBS Maria Leonor Brilhante - avenida Autaz Mirim, s/nº - Tancredo Neves

Distrito Norte
- UBS Augias Gadelha - rua A, nº 15 - Cidade Nova I
- UBS Balbina Mestrinho - rua 17, nº 170 - Cidade Nova
- UBS Major Sálvio Belota - rua das Samambaias, nº 786 - Santa Etelvina

Distrito Sul
- UBS José Rayol dos Santos - avenida Constantino Nery, s/nº – Chapada
- UBS Morro da Liberdade - rua São Benedito, s/nº - Morro da Liberdade

Distrito Oeste
- UBS Deodato de Miranda Leão - avenida Presidente Dutra, s/nº – Glória
- UBS Leonor de Freitas - avenida Brasil, s/nº - Compensa

HPS Delphina Aziz continuará sendo a unidade referência

O hospital de Combate à Covid-19 da Nilton Lins, com quase três meses de funcionamento como referência no tratamento de pacientes com o vírus, foi aberto no dia 18 de abril e contava com 148 leitos, sendo 40 de UTI e 108 clínicos. Desses, 59 são leitos da ala montada com o apoio do governo federal para o atendimento exclusivo de indígenas.

Desde a última sexta-feira (3), a Secretaria de Estado de Saúde (Susam) iniciou a reestruturação dos atendimentos no hospital e transferiu 14 pacientes para outras unidades de saúde do Estado, como o hospital de referência no tratamento dos casos graves da doença, o Delphina Aziz, na Zona Norte de Manaus, e o Hospital e Pronto-Socorr (HPS) o Platão Araújo, na Zona Leste da capital amazonese.

Em nota, a  Secretaria de Estado  informou que as unidades de urgência e emergência continuam a ser portas de entrada para o atendimento de pacientes suspeitos de Covid-19 e o Hospital Delphina Aziz, a unidade de referência no tratamento da doença na rede estadual.

Na capital, o paciente, ao procurar o primeiro atendimento e ser constatada a necessidade de internação, é inserido no Sistema de Regulação (Sisreg) e transferido para a unidade referenciada. No interior, as unidades de saúde também solicitam a transferência dos pacientes via Sisreg e as mesmas são feitas via UTI aérea e terrestre.  

Conforme os números consolidados pela Susam, no domingo, a taxa de ocupação de leitos de UTI Covid-19 era de 45% e a taxa de UTI não-Covid era de 66%. Em relação aos leitos clínicos Covid a taxa de ocupação estava em 29% no domingo, já os leitos não-Covid registravam 74% de ocupação.

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Repórter de Cidades
Jornalista formada pela Uninorte. Apaixonada pela linguagem radiofônica, na qual teve suas primeiras experiências, foi no impresso que encarou o desafio da prática jornalística e o amor pela escrita.

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