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Manaus
CHEIA 2017

Enchente do rio Negro começa a perder intensidade, em Manaus

Mesmo sem atingir a cota de emergência, o nível da água tem causado transtornos a moradores de vários bairros da capital 25/05/2017 às 05:00
Silane Souza Manaus (AM)

A enchente do rio Negro começa a perder intensidade conforme mostra a medição feita pelo Serviço de Hidrologia no Porto de Manaus. Ontem, o nível do rio subiu um centímetro, sendo que a variação dos últimos dias é de apenas um a dois centímetros. Com a cota em 28,91 metros, faltam nove centímetros para o Negro alcançar a cota de emergência de 29 metros.

Na mesma data no ano da  cheia recorde, em 2012,  a cota era de 29,92 metros. Naquele ano, a vazante começou no dia 2 de junho. Para o chefe do Serviço de Hidrologia no Porto de Manaus, Valderino Pereira da Silva, tudo indica que a enchente deste ano não vai perdurar por muito mais tempo. “Tem que esperar mais um pouco, mas os dados mostram que o rio deve parar de encher logo”, avaliou Valderino, que faz a medição do rio há mais de 30 anos.

Transtornos
Mesmo sem ter atingido a  a cota de emergência em Manaus, o nível das águas do rio Negro têm causado muitos problemas aos  moradores de vários bairros da cidade, como o de  Educandos, na Zona Sul. No beco Ana Nogueira 2, a dona de casa Jacilene Gomes, 42, teve que levantar  o assoalho porque a água já tinha cobrido o nível  original. “Encheu muito rápido e como não temos para onde ir tivemos que levantar o assoalho para poder ficar em casa”, disse Jacilene, referindo-se a maromba improviada em casa.

Vizinha de Jacilene, Rosenilda Teixeira, 40, destacou que nenhuma das famílias recebeu benefícios da Prefeitura de Manaus, apesar de  terem sido cadastradas pela Secretaria Municipal da Mulher, Assistência Social e Direitos Humanos (Semmasdh). “A ponte só foi construída depois de quase um mês que a comunidade solicitou. Temos que nos humilhar para conseguir alguma coisa”, afirmou.

O carpinteiro Gelson Fonseca, 30, está com a sua casa a poucos centímetros para ser inundada. Era para ter feito a maromba, mas ele disse que ainda não teve condições. “Vamos ficar dentro d’água porque ninguém tem dinheiro para comprar madeira para fazer outro assoalho. Queria saber quando vão liberar o SOS enchente para que a gente conseguisse pelo menos comprar madeira”, questionou.

A agricultura Maria do Socorro Magalhães, 57, moradora do beco Inocência de Araújo, também está com a casa onde mora próximo de ser inundada pelas águas do igarapé do Educandos. A preocupação é com o lixo e o mureru, uma planta aquática, que tomam conta da área. “A ponte que construíram não chegou até em casa, para a gente sair só se for de canoa e o lixo e o mato atrapalha muito”, afirmou.

No beco Delcídio de Amaral, a situação não é diferente. Sem pontes construídas pela prefeitura, os próprios moradores se viram como podem para não ficarem ilhados. “Nós fizemos manifestação na ponte  do Educandos, mas não tivemos respostas. Estamos organizando outra para hoje (ontem) à tarde. Precisamos de ajuda”, declarou a dona de casa Ângela Maria Moreira, 38.

A Semmasdh, responsável pela liberação do auxílio SOS Enchente pago pela prefeitura, informou que o benefício não foi pago a nenhuma das famílias atingidas pela cheia deste ano porque ainda não foi decretada a situação de emergência em Manaus.

Dois mil metros de 'pontes'
Antes mesmo de a capital amazonense atingir a cota de emergência de 29 metros, por conta da cheia deste ano do rio Negro, a Prefeitura Municipal de Manaus construiu 2.606 metros de pontes provisórias nos bairros afetados pelo fenômeno, de acordo com a Defesa Civil do município.

O órgão informou que realiza, desde o mês de janeiro, o monitoramento das possíveis áreas afetadas pela cheia. Conforme o relatório do Departamento de Operações, 15 bairros de todas as zonas da capital serão afetados pela enchente:

Tarumã, Mauazinho, São Jorge, Educandos, Raiz, Betânia, Presidente Vargas, Colônia Antônio Aleixo, Aparecida, Centro, Santo Antônio, Cachoeirinha, Glória, Compensa e Puraquequara, além de 13 comunidades das zonas Rural e Ribeirinha.

Os bairros de Aparecida, Presidente Vargas, Colônia António Aleixo, São Jorge, Educandos, Centro e Raiz foram atendidos com a construção de pontes provisórias. A previsão é de que aproximadamente quatro mil famílias sejam atingidas pela cheia de 2017.

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