Terça-feira, 17 de Setembro de 2019
DEBATE

Encontro discute dificuldades dos povos tradicionais no Amazonas

Evento realizado no Museu Casa Eduardo Ribeiro teve como proposta ouvir minorias étnicas como os quilombolas



evento_BE4FE054-36D1-4D5D-990A-1D2402E52749.JPG Foto: Euzivaldo Queiroz
20/08/2019 às 11:57

Debater as dificuldades que negros e quilombolas enfrentam na capital amazonense e no interior foi o objetivo do 3° Encontro dos Povos Tradicionais e Movimento Negro. O evento aconteceu ontem em um lugar bem singular: o Museu Casa Eduardo Ribeiro, rua José Clemente, Centro de Manaus, que traz o nome do político negro que foi governador do Amazonas (1862-1900).
O evento, realizado pelo Conselho de Segurança Alimentar e Nutricional (Consea-AM), com o apoio da Secretaria de Estado da Assistência Social (Seas), teve como proposta ouvir minorias étnicas como os quilombolas, descendentes de escravos de origem africana, que habitavam quilombos fugindo das fazendas e engenhos, e hoje vivem no Estado.

O Encontro tem como alvo o levantamento de dados para a realização do Plano de Segurança Alimentar e Nutricional do Estado do Amazonas, que vai funcionar a partir de 2020.
Segundo o presidente do Consea-AM, Rui Félix dos Santos, o evento é a formalização para as futuras conferências da entidade, e tem a finalidade de debater as políticas públicas de segurança alimentar que essas entidades de classe e povos precisam para ter conhecimento dos seus direitos e deveres. “Neste evento vamos tratar desses assuntos para trazer como políticas públicas para o Estado”, disse o dirigente.

Ele destacou que vários pontos merecem cuidados e destaque para os povos tradicionais como o corte de direito dos povos como o direito à terra e à exploração, e também a saúde, “onde hoje estamos vivendo novamente em um Pais de fome de novo e ao mesmo tempo aqueles que não têm fomem estão com obesidade. Ou seja, essas políticas todas nós temos que discutir e levar ao conhecimento do público a quem de direito para que faça a inclusão desses grupos na sociedade de forma geral”, pontua o dirigente.

O Consea-AM, diz Rui Félix, tenta reverter uma situação na qual o Governo Federal extingiu o Consea nacional.

“O que queremos é ser parceiros do Governo e encontrar soluções”, arremata o presidente. 

Para Arlete Anchieta representante do Fórum Permanente dos Povos Afro-Descendentes do Amazonas e conselheira do Consea-AM, o Encontro mostra que está população é a mais “marginalizada” e a “fome não se dá ‘apenas pela falta da comida, mas que seja de qualidade e constante”.

Conforme explica Gláucio da Gama, professor de Ensino Religioso e militante afro-descendente, “nosso pleito é a garantia da segurança alimentar e nutricional para todos, de fato como política de Estado e não programa de Governo; tudo visando a vida digna”.

Afrodescendentes como Nonata Corrêa, 65, coordenadora estadual da Articulação Amazônica dos Povos e Comunidades Tradicionais de Terreiro de Matrizes Africana (Aratrama), afirmaram que o evento de ontem mostrou que o Estado começa a se comprometer com as “políticas estruturantes para o povo mais carente de populações tradicionais”.

Ela destacou que alimentos afrodescendentes como o quiabo, maxixe e os grãos de sementes crioulas poderiam ser mais valorizados e colocados mais à mesa pela população. 

Indígenas como Magno Silva, da etnia Apurinã da aldeia Tauamirí, no rio Purus, aproveitou a área externa do Museu Casa Eduardo Ribeiro para expôr a medicina tradicional em forma de garrafadas de Unha de Gato para as fraquezas e também dores na coluna, ao valor de R$ 15, e pomadas mediúnicas de Poraqué, a R$ 10. “É uma produção dos 36 produtos que fazemos em nossa aldeia”, declara ele.

Dados do Movimento Negro no Amazonas apontam a existência de sete comunidades quilombolas na região: Comunidade do Tambor, em Novo Airão, Comunidades Santa Tereza do Matupiri, São Pedro, Trindade, Ituaquara e Boa Fé, em Barreirinha; e a do Barranco, na capital do Amazonas (no bairro Praça 14).

Repórter de A Crítica

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