Segunda-feira, 24 de Junho de 2019
Manaus

Enquanto as águas do Rio Negro sobem, o lixo invade as casas nas áreas ribeirinhas de Manaus

Os moradores da comunidade Bariri, que esperam as obras do Prosamim chegar, aguardam a subida do Rio Negro apreensivos



1.jpg A grande quantidade de lixo jogada pelos próprios moradores torna-se um tormento com a subida do rio. Além do perigo de animais peçonhentos, o lixo também coloca em risco a saúde dos moradores
03/05/2015 às 21:00

Na área ribeirinha de Manaus, moradores estão preocupados, pois junto com a subida da água há uma grande quantidade de lixo nos igarapés. No bairro Presidente Vargas, Zona Centro-Sul, as famílias da comunidade Bariri estão apreensivas, pois algumas casas que entraram no projeto Prosamim permanecem no local e só serão deslocadas após a enchente.

De acordo com o comerciante Francisco Freitas, 56, a balsa que faz a limpeza  está no São Raimundo, Zona Oeste, mas  não atravessa para a comunidade.

A dona de casa Erinelza Damasceno, 56, passou por quatro alagações no local. Ela  fazia planos de levantar  outro piso mas com a promessa do Prosamim não mexeu mais na estrutura da casa e agora teme que o lixo atraia doenças e animais peçonhentos.

“A cheia vai ser grande e nós vamos ficar aqui ilhados no meio do lixo, porque nem o pessoal da limpeza e nem a  ponte  chega até aqui”, declarou.

Como o nível da água ainda está baixo, para a comunidade a prioridade neste momento é a remoção da sujeira no igarapé. Eles questionam se a prefeitura vai esperar que o lixo entre nas casas e aumente o prejuízo das famílias para poder entrar em ação.


Quanto à denúncia sobre a grande quantidade de lixo na área ribeirinha da cidade, a Secretaria Municipal de Limpeza Pública (Semulsp), informou ao A CRÍTICA que todos os dias, 20 funcionários estão fazendo a limpeza utilizando duas balsas, sendo uma  no bairro de Educandos, Zona Sul,  e outra no São Raimundo, Zona Oeste, além de mais três canoas que percorrem as demais comunidades.

A secretaria destacou que diariamente  são retirados em torno de três  toneladas de lixo dos igarapés, mas que o trabalho é uma ação contínua e que exige consciência coletiva, uma vez que enquanto os próprios moradores continuam jogando lixo no igarapé, eles próprios irão sofrer com as consequências. O órgão enfatizou, ainda, que os responsáveis por boa parte do lixo  são pessoas de lugares mais elevados, que jogam os resíduos que descem para os igarapés.

Para os  moradores, a informação não procede e destacam que apesar dos problemas, precisam sobreviver em meio ao lixo.

Prefeitura e Defesa Civil vão reformar 37 pontes

Outro problema, segundo eles, é com relação à construção das passarelas de madeira. Indignados, os moradores afirmam que se quiserem sair para os seus compromissos, precisarão construir por conta própria acesso das casas às pontes centrais. Desta forma, por falta de dinheiro, eles utilizam  restos de madeira, construindo uma edificação fraca e permanecendo em risco de desabar no meio do lixo.

Assim, os moradores “se viram como podem”, é o que afirma a aposentada Etelvina Alencar (74),  ela indaga que se a construção das pontes é para ajudar na locomoção das pessoas,  deveria ir até as residências, e encerrou perguntando sobre os impostos tributados e as verbas que vem para o município.


“Eu preciso fazer hemodiálise toda semana, aí eles constroem a metade de uma ponte no meio da passagem, os carros não chegam mais aqui. Eu sou idosa pra passar por baixo, tenho que fazer toda uma caminhada até a outra esquina para poder ir pro hospital”, lamentou.

A construção da ponte na comunidade  Bariri, no bairro Presidente Vargas, Zona Centro-Sul,  começou no ultimo sábado e até o final desta edição não houve um retorno da Defesa Civil quanto ao prazo de entrega da ponte e nem como as famílias serão assistidas.

De acordo com a Secretaria Municipal de Infraestrutura (Seminf),  37  pontes irão receber obras de reforma e ajustes, sendo que 11 delas são de competência da pasta e as demais da Defesa Civil do Município.

Até este domingo (3), o município utilizou recursos na ordem de R$ 221.850 para a aquisição de madeiras e pregos. O município também conta com a doação de madeiras apreendidas pelas polícias Civil e Militar.

Frase

"A cheia vai ser grande e nós vamos ficar aqui ilhados no meio do lixo, porque nem o pessoal da limpeza e nem a  ponte  chega até aqui". Erinelza Damasceno, Dona de casa.

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