Quinta-feira, 22 de Outubro de 2020
Mobilidade urbana

Enquanto novos ônibus não entram em circulação, população sofre com ‘cacarecos’

Os 112 veículos da nova frota do sistema de transporte coletivo de Manaus, entregues na última terça-feira (15), aguardam ordem de serviço da Prefeitura de Manaus para começar a circular



bus_A0CD4CE1-5E78-4B7C-8B76-D62E97902A38.JPG Relatos de pane mecânica nos ônibus coletivos são diários. Foto: Junio Matos
18/09/2020 às 06:53

“Não existem ônibus em boas condições em Manaus”, sentencia a aposentada Marinelza Rodrigues, que considera a qualidade do sistema de transporte coletivo da capital inferior à de cidades como Belém, Natal, Fortaleza e Maceió. “Mesmo com a pandemia e a necessidade de distanciamento, os coletivos continuam lotados. Os pisos são velhos e a frota não acompanha o crescimento da população a cada ano”.

Para Marinelza, trata-se de um problema enfrentado há anos pela população e que deveria ter recebido medidas mais efetivas do poder municipal. “Depois de oito anos no poder, nosso prefeito resolve colocar novos ônibus em circulação. Ele poderia ter disponibilizado mais carros nesse período. Em breve vamos eleger um novo prefeito e precisamos prestar atenção”, observa.



As condições precárias dos veículos que fazem a integração de passageiros entre bairros e terminais é o principal motivo de reclamação do administrador de empresas Celso Pascoal, 60. “Estão totalmente deteriorados, caindo aos pedaços. Inclusive os volantes. Não sei como os motoristas conseguem trabalhar”, observa.

Pascoal reconhece que muitos usuários danificam a estrutura dos veículos, que não recebem os devidos reparos por parte das empresas. Por outro lado, a combinação de calor e superlotação afeta a saúde dos idosos, “principalmente aqueles com quadro de pressão alta”, afirma.

“Algumas áreas são atendidas por várias linhas de ônibus enquanto outras não recebem o quantitativo suficiente”, diz a promotora de vendas Leandra Santiago, 21. “Espero que, com a nova frota, as viagens fiquem mais rápidas. Às vezes demoramos até duas horas para chegar ao destino. Além disso, os articulados quebram e precisam de consertos frequentes. Também falta segurança para os usuários”, acrescenta.

O promotor de vendas Afonso Henrique, 24, chama a atenção para a diferença entre os horários indicados por um aplicativo de rotas e o tempo previsto para a chegada dos coletivos em pontos e terminais. “O aplicativo mostra que vai passar às 17h e acabamos esperando até às 18h”, exemplifica.

Busão novo, só daqui a duas semanas

Os 112 veículos da nova frota do sistema de transporte coletivo de Manaus, entregues na última terça-feira (15), aguardam ordem de serviço da Prefeitura de Manaus para começar a circular, o que deve ocorrer num prazo superior a duas semanas. É o período previsto entre a finalização do emplacamento dos ônibus e a autorização do poder municipal para o início das operações.

Segundo o Instituto Municipal de Mobilidade Urbana (IMMU), 300 novos ônibus serão incorporados à frota da capital até dezembro. Os novos veículos têm formato articulado, convencional, do tipo “micrão”, adequado à estrutura de ruas menores.

A iniciativa, que integra o plano de intervenção da prefeitura para a melhoria do sistema de transporte coletivo da capital, vai custar em R$ 120 milhões em investimentos das empresas. O setor de gerenciamento do sistema de transporte do Instituto Municipal de Mobilidade Urbana (IMMU) está definindo as linhas que serão atendidas pelos novos veículos.

“Os ônibus são devidamente adaptados para pessoas com mobilidade reduzida, contando com elevador de acesso, espaço adaptado, além de cadeiras na cor amarela, que torna todos os assentos do transporte coletivo de Manaus preferenciais para idosos, gestantes e pessoas com deficiência”, informou o IMMU em nota.

Barras de proteção entre o cobrador e motorista foram instalados nos veículos para evitar contatos e melhorar as condições de segurança conta o novo coronavírus.

“Atualmente a frota operante é de 935 veículos e a demanda é de aproximadamente 450 mil passageiros. Antes da pandemia, o número de passageiros/dia era de 600 mil”, explica o assessor jurídico do Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros do Amazonas (Sinetram), Fernando Borges.

A inauguração do complexo viário da Constantino Nery, a construção do Terminal de Integração 6 (T6 – Lago Azul), a reforma do Terminal 3 e a reestruturação do Terminal 1 também compõem a série de medidas implantadas pela administração municipal no sistema de transporte coletivo.

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Repórter de Cidades
Formado em Comunicação Social/Jornalismo pela Universidade Federal do Amazonas (Ufam). Além de A Crítica, já atuou em uma variedade de assessorias de imprensa e jornais, com ênfase na cobertura de Cidades e Cultura.

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