Sexta-feira, 25 de Setembro de 2020
CONFLITOS

Entidades assinam manifesto contra operação policial em Nova Olinda

O bispo de Manaus, Dom Leonardo Steiner, entregou o manifesto, assinado por mais de 50 entidades, a representantes do Ministério Público Estadual e Federal.



WhatsApp_Image_2020-08-17_at_10.20.10_55863077-73DC-4077-BEE0-855EF64FAB6D.jpeg (Foto: Jair Araújo)
17/08/2020 às 12:15

Entidades de defesa da sociedade civil participaram, na manhã desta segunda-feira (17), de manifestação contra violência da Polícia Militar no rio Abacaxis e na terra indígena Coata-Laranjal, entre os municípios de Nova Olinda do Norte e Borba, interior do Amazonas.

O ato ocorreu em coletiva de imprensa no Centro Arquidiocesano São José, Zona Centro-Sul. O bispo de Manaus, Dom Leonardo Steiner, entregou o manifesto, assinado por mais de 50 entidades, a representantes do Ministério Público Estadual e Federal.



A região se tornou foco de denúncias de violência contra indígenas, ribeirinhos e camponeses após o assassinato de dois policiais militares que participaram de uma operação do rio Abacaxis, no dia 3 de agosto.

A intervenção foi deflagrada pela Secretaria de Estado de Segurança Pública (SSP-AM) em apoio à Força Nacional na tarefa de desarticular uma associação vinculada ao tráfico de drogas, extração ilegal de minérios e madeira e pirataria. A reportagem procurou a SSP-AM e aguarda posicionamento a respeito do manifesto. 

Em julho, o secretário Executivo do Fundo de Promoção Social do Governo do Amazonas, Saulo Moysés Costa, foi baleado enquanto tentava ingressar no rio Abacaxis, habitada pelo povo maraguá e comunidades ribeirinhas, para praticar pesca esportiva.

O procurador Fernando Soave, do Ministério Público Federal d o Amazonas (MPF-AM), afirmou que tramitam na justiça ações civis públicas que pedem a suspensão da operação da Polícia Militar na área. “É uma região complexa do ponto de vista operacional”, observou. “Seria de bom tom que o governo do Amazonas demonstrasse sua isenção nessa operação”.

Soave esclareceu que o rio Abacaxis não é uma via de trânsito, portanto seu uso deve ser submetido à consulta dos povos que vivem ali.
 
A Procuradora-Geral de Justiça do Ministério Público do Amazonas (MPE-AM), Leda Albuquerque, informou que órgão enviou uma equipe vinculada ao Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco) à região para levantamento de informações.
 
“Instauramos procedimento no Gaeco com acompanhamento de promotores com experiência nesse trabalho”, acrescentou Albuquerque. “É importante que os movimentos sociais e as entidades se unam e tenham voz neste momento”.
 
“Precisamos que o Estado se mobilize. Não pode continuar matando e massacrando as pessoas”, argumentou o arcebispo de Manaus, Dom Leonardo Steiner.

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Repórter de Cidades
Formado em Comunicação Social/Jornalismo pela Universidade Federal do Amazonas (Ufam). Além de A Crítica, já atuou em uma variedade de assessorias de imprensa e jornais, com ênfase na cobertura de Cidades e Cultura.

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