Sábado, 06 de Junho de 2020
MANIFESTO

Entidades cobram rigidez no isolamento e ajuda aos vulneráveis na pandemia

Manifesto de associações e coletivos da sociedade civil lança campanha de segurança alimentar para famílias vulneráreis. Grupo prega união para ampliar medidas de isolamento na capital, e no interior



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08/05/2020 às 14:34

A adoção da quarentena total (lockdown) por parte do poder público para promover o isolamento social no Amazonas e frear o aumento vertiginoso de infectados pelo novo coronavírus é urgente, mas antes é preciso promover a “solidariedade alimentar” para incentivar a camada mais pobre da população a aderir à quarentena.

Essas são as principais reivindicações publicadas em carta-manifesto divulgada ontem e assinada por 44 entidades e coletivos, entre eles o Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado do Amazonas (SJPAM), a Associação dos Docentes da Universidade Federal do Amazonas (Adua) e a Cáritas Arquidiocesana de Manaus.



Na carta, além de sobrar os governos municipal e estadual, os movimentos conclamam ainda ao Ministério Público Estadual, Federal e do Trabalho, além da Defensoria Pública do Estado (DPE-AM) e da União, e a Ordem dos Advogados do Brasil - Seccional Amazonas (OAB-AM) para que “lutem ao lado do povo, movendo todas as ações extrajudiciais e judiciais, de acordo com suas atribuições constitucionais, para salvar vidas, para proteger nossos direitos fundamentais à vida, à saúde, ao alimento”, diz um trecho.

Conforme a coordenadora da Associação das Mulheres Indígenas do Alto Rio Negro (Amarn), Clarisse Arbella, o “clamor” maior dos grupos é que os poderes públicos tenham mais firmeza quanto à aplicação do distanciamento social, contudo, ao mesmo tempo, acrescenta que não adianta endurecer as medidas de isolamento social se não houver apoio alimentar àquelas pessoas que precisam sair de casa para assegurar o sustento da família.

“Sobre a solidariedade alimentar, proposta pelos coletivos, a ideia é que tanto os órgãos governamentais, quanto empresas e pessoas físicas possam ajudar a sustentar as famílias que se encontram na maior precariedade nesse momento de pandemia, como os indígenas, os ribeirinhos, e todos aqueles que estão abandonados à própria sorte na periferia e nos municípios do interior do Estado”, frisou.

Arbella destaca ainda que as mulheres Indígenas do Alto Rio Negro residentes em Manaus estão entre os grupos socias que mais têm sentido o baque da crise econômica causada pela pandemia do novo coronavírus.

“Na maioria das vezes, essas mulheres atuam como babás, diaristas ou domésticas. Para complementar a renda familiar, elas costumavam confeccionar artesanatos e a Associação os vendia. Agora ficou tudo difícil porque as mulheres não tem como tirar o seu sustento. Estamos buscando parcerias para as doações de cestas básicas e kits para limpeza para que elas fiquem em casa e se protejam”, disse.

Ontem, o Amazonas confirmou mais 856 registros e 43 mortes. O estado acumula 10.009 casos confirmados, com 806 mortes em decorrência da Covid-19, de acordo com o boletim divulgado pela Fundação de Vigilância em Saúde do Amazonas (FVS-AM).

Projeto de Lei

Na última quarta-feira (6), por 13 votos a 2, a Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam) aprovou o projeto de lei (PL) nº 136/202 que permite a celebração de missas e cultos durante a pandemia. A votação aconteceu no mesmo dia em que o Estado registrou, pela primeira vez, mais de 1.000 casos novos de Covid-19.

A aprovação do PL foi umas das críticas tecidas na carta-manifesto. “Além de deflagrar um processo de destituição do cargo de governador em momento totalmente inoportuno, [a Aleam] aprova projeto para reabertura de templos que incentiva novas aglomerações e contaminações. Irresponsabilidade inaceitável e incoerência aberta, pois os mesmos que abrem os templos são os que decidiram fechar a Assembleia Legislativa”, criticam os coletivos.

Sobram críticas também à Justiça do Amazonas que negou, na última quarta-feira (6), a decretação da quarentena total no Amazonas pedida pelo Ministério Público do Estado (MPE-AM).

“[A Justiça do Amazonas] negou liminar por falta de “base documental” enquanto a prova dessa necessidade é pública e notória, pois são mais de 9 mil contaminados e 751 mortes”, apontaram baseando-se no boletim epidemiológico divulgado anteontem. “Quantos mais de nós precisa morrer para que o Judiciário do Amazonas tenha a prova que o isolamento social mais firme é necessário e urgente?”, questionam.

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Repórter do caderno Cidades do jornal A Crítica. Jornalista por formação acadêmica. Já foi revisor de texto de A Crítica por quatro anos e atuou como repórter em diversas assessorias de imprensa e publicações independentes. Também é licenciado em Letras (Língua e Literatura Portuguesa) pela Universidade Federal do Amazonas (Ufam).

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