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Entidades fazem alerta para que consumidor fique atento aos ovos comercializados em Manaus

O forte calor do verão amazônico é um elemento que pesa na balança porque pode encurtar esse prazo e colocar em risco a saúde da população 25/09/2014 às 21:39
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Ovos importados levam 15 dias para chegar em Manaus; aqui eles ainda têm validade estimada de dois meses
ACYANE DO VALLE ---

O consumidor de Manaus pode estar levando ovo estragado para casa. O problema envolve o produto – o quarto item da cesta básica do brasileiro -, que vem de outros Estados, principalmente do Mato Grosso e São Paulo. Os carregamentos de ovos demoram, em média, 15 dias para chegar a Manaus e ainda recebem um prazo de validade de 60 dias. Além disso, o forte calor do verão amazônico é um elemento que pesa na balança porque pode encurtar esse prazo e colocar em risco a saúde da população.

O alerta é de entidades ligadas a setores produtores do Amazonas, de Medicina Veterinária e também da Agência de Defesa Agropecuária e Florestal do Estado (Adaf/AM). Esta semana, após reunião com representantes desses órgãos, foram definidas algumas ações para proteger e assegurar a saúde do cidadão, porém, a principal arma do consumidor continua sendo um cuidado maior na hora de comprar os ovos. “A população deve observar se existe mau cheiro e se tem um aspecto de ‘ovo velho’; preferir o alimento fresco ou que esteja com data de validade de, aproximadamente, 25 dias. Essas são as medidas principais para assegurar a tranquilidade de adquirir um produto próprio para o consumo”, orientou Milton Sakamoto, presidente da Associação Amazonense de Avicultura.

Ele disse que os ovos de outros Estados estão sendo comercializados na capital com um prazo de validade muito alto. “Para o prazo de 60 dias, como vem sendo colocado, sem armazenagem adequada, o produto não aguenta. Estão vendendo ovo estragado. Outra coisa é que em nenhum lugar do mundo, o ovo in natura tem 60 dias de prazo”, alertou Sakamoto, acrescentando que esse tipo de situação tem sido mais comum em redes de supermercados e grandes atacadistas. Ovo estragado pode resultar em infecções intestinais, intoxicação alimentar, dentre outras doenças.

O diretor-presidente da Agência de Defesa Agropecuária e Florestal do Amazonas, Sérgio Muniz, enfatizou a interferência das altas temperaturas, registradas nesse período em Manaus. “O clima da cidade, nesta época do ano, é totalmente diferente do local onde o produto é produzido; há toda uma logística para chegar até o Amazonas. E, dentro das nossas condições climáticas, o prazo de validade pode ser diminuído se o alimento estiver sendo armazenado fora do padrão estabelecido”, afirmou. “A partir do momento em que o ovo sai do animal, começa uma corrida contra o tempo para chegar à mesa do consumidor em condições adequadas, tendo a segurança de um produto de qualidade”, adicionou.

Temor é ainda maior no interior

Se já existe uma preocupação com os carregamentos de ovos que chegam a Manaus, quando o assunto é o interior do Estado, o temor é maior. Isso também devido à logística da região, que acaba fazendo com que o produto demore mais tempo para chegar à mesa do ribeirinho.

O diretor-presidente da Agência de Defesa Agropecuária e Florestal do Amazonas, Sérgio Muniz, explicou que, dependendo do município, esses ovos podem seguir de barco, estrada ou avião. Quem mora no Amazonas ou conhece a região sabe que existem localidades que a viagem dura de cinco a dez dias de barco. “Não queremos alarmar, e sim fazer um trabalho para que o consumidor possa tomar cuidado e levar um produto de qualidade para a sua casa, cumprindo a nossa obrigação de zelar pela saúde pública”, acrescentou.

O presidente da Associação Amazonense de Avicultura, Milton Sakamoto, alertou para outra situação: a vazante do “Madeira”. “Quando o rio começar a baixar, existem aquelas dificuldades de navegação, que geralmente surgem a cada ano, fazendo com que o produto demore mais tempo para chegar a Manaus. E os ovos de outros Estados também seguem para o interior”, salientou.

Em números: 55 milhões de unidades  de ovos são produzidos por mês no Estado do Amazonas. É uma das cadeias do setor primário que mais avançou na produção local e garante a autosuficiência do mercado. As maiores granjas estão concentradas em municípios da Região Metropolitana de Manaus. 

Personagem: especialista em aves,  Marlene Sá

Qualidade prevista em lei

Especialista na área de Aves em Produção, Marlene Sá lembrou que o artigo 733, do Regulamento da Inspeção Industrial e Sanitária de Produtos de Origem Animal , determina qual ovo é considerado impróprio para o consumo: aqueles que possuem alterações na gema e na clara (gema aderente à casca, arrebentada, com manchas escuras, presença de sangue alcançando também a clara, presença de embrião com mancha orbitária ou em adiantado estado de desenvolvimento); mumificação (ovo seco); podridão; presença de fungos; cor, odor ou sabor anormais; rompimento da casca e outros.

Nota técnica

Para evitar danos à saúde pública, a Adaf e o Conselho Regional de Medicina Veterinária do Amazonas vão elaborar uma nota técnica com os procedimentos e orientações detalhadas aos veterinários responsáveis pelo armazenamento, administração e manuseio dos ovos em seus estabelecimentos comerciais. Também haverá uma reunião com esses profissionais no próximo dia 7 de outubro, na sede do conselho, para discutir a problemática e outros procedimentos de segurança que poderão ser adotados. O diretor-presidente da Adaf, Sérgio Muniz, adiantou que será desenvolvida uma campanha de esclarecimento ao consumidor de Manaus sobre esse assunto a fim de orientá-lo quanto aos cuidados que deve adotar na hora de comprar ovos.

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