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Manaus
EM NOME DO AMOR

Entre mães e filhos: conheça as histórias de famílias por trás da notícia

O Portal A Crítica conta histórias marcantes das mães dos colaboradores da equipe. Isso é para homenagear todas as mamães que fazem do nosso mundo um lugar tão especial 13/05/2018 às 10:00 - Atualizado em 13/05/2018 às 14:04
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Fotos: Arquivo pessoal
Da Redação Manaus (AM)

A vida é cheia de surpresas algumas boas e outras nem tanto assim. Mas se existe algo bom é mãe.  A palavra é curtinha e mesmo assim traz em si o infinito. O mundo não teria a mesma cor sem elas que se dedicam tanto a nós. Há muitas histórias entre filhos e mães. Desse amor avassalador e enérgico que caracteriza o que somos. E, neste dia tão especial, a equipe do Portal A Crítica abriu o coração e decidiu contar alguns dos momentos marcantes que vivenciaram com suas mães. Tem história de superação, de realização de sonhos, de sentimentos que estavam presos, de luta contra doença, de saudade e de tudo que precisa ser dito. Feliz Dia das Mães.

Surpresas de mãe (Por Raine Luiz)

Já tive ótimos momentos com a minha mãe durante a minha infância, mas esse com certeza foi o mais incrível de todos. O ano foi 2005, morávamos em Teresina no Piauí. Quando eu era criança, gostava muito do filme “Free Willy” por conta de ser apaixonado pelo mar. Passei dias e dias insistindo para que a minha mãe me levasse para a praia. Certo dia, minha mãe falou que eu e meu irmão mais novo teríamos que fazer um exame de sangue na sexta-feira, então não iríamos para a escola.

No dia, eu fiquei apavorado porque nenhuma criança gosta de fazer exame de sangue. Passaram uns dias e eu ficando cada vez mais nervoso, até que chegou a quinta-feira e minha mãe me fez dormir em um horário muito cedo. Amanheceu, eu e meu irmão nos arrumamos e saímos de carro rumo à “clínica” junto com nossos pais e irmã mais velha. Quando chegamos ao local, não era exatamente o que eu estava esperando, pois haviam ônibus e várias pessoas com malas. Chegando lá perguntei da minha mãe onde estávamos, e ela respondeu: “Estamos na rodoviária. Vamos para Fortaleza ver o mar!”. Me senti a criança mais feliz do mundo, pois simplesmente eu e meus irmãos fomos pegos totalmente de surpresa.

O nervosismo do falso exame tinha passado e agora só restava uma grande alegria. Entramos no ônibus e começamos uma excursão que foi incrível. Passamos por várias cidades do Nordeste até chegar a Fortaleza. Quando vi o mar pela primeira aos 9 anos com minha mãe, foi lindo e com certeza uma das maiores surpresas que tive na vida. E tudo isso só foi melhor porque foi proporcionado pela minha mãe.

Sempre comigo (Por Neto Pantoja)

Minha mãe colecionou pelos seus 50 anos de vida diversas identidades, as quais só eu tive privilégio de conhecer. “Leonor”, enquanto professora da rede pública municipal; “Léo”, para os amigos mais queridos; “Preta”, para os dezenas de parentes que adoram essa caçula de sete filhas; e "mãe" pra mim, que reconheço nela um exemplo de força que me inspira a sonhar alto, incentivando a usar tudo o que tenho para correr e concretizar.

Com 24 anos, coleciono histórias de carinho, aprendizado e companheirismo com uma mulher que se tornou a minha amiga inseparável. É viva, bonita e um pouco dolorosa a lembrança dos dias que estivemos juntos no hospital ao lado da minha avó, Rosilda. O brilho no sorriso daquelas duas mulheres nunca deixou aqueles dias mórbidos. Pelo contrário... Era tudo uma grande certeza que as coisas ficariam bem.

Depois que a vovó partiu, minha mãe teve que amadurecer sozinha, e eu acompanhei do jeito que pude. Ela ainda tinha força para me deixar na escola, se dedicar ao trabalho e enfrentar junto comigo o que viria pela frente. Foi a pessoa que esteve ao meu lado desde a primeira desilusão amorosa até o dia de entrega de diploma na universidade. Ela foi e continua sendo minha parceira em todos esses altos e baixos dessa montanha-russa louca que é a vida.

Uma viagem de carro (Por Isabella Pina)

Eu tinha um texto para escrever. Eu tinha o Dia das Mães chegando. Eu tinha minha mãe no carro e uma conversa fiada sobre viagens. Eu tinha, ali, o momento perfeito para reforçar o eco de um sentimento. Eu não pensei duas vezes em resgatar um “eu te amo” que não saía há anos. Minha mãe riu. “Você ouviu?”. “Ouvi. Só por hoje?”. É uma piada nossa. Eu disse não. Por amanhã também.

Não trocamos muito carinho, nem falamos muito da importância que uma tem na vida da outra. A cumplicidade que cultivamos por longos 24 anos nos coloca em lugar confortável para que seja puro amor disfarçado de pouco caso.

Eu tinha mil e duas histórias para contar sobre minha mãe. Como fugimos, nos resgatamos e nos reerguemos. Sobre como eu tenho inveja do cabelo dela e ela do meu. Sobre como ligações para o outro lado do país apertam o coração. Mas eu queria um novo capítulo. Queria razões desconexas para poder jogar ao vento a prosa do nosso carinho.

Então, a minha mãe-pai, quase que por capricho, soltou um “te amo” de volta. Essa mulher que é sua melhor versão todos os dias. Olhei, ri e arrisquei um abraço. Foi compensação de todos os que não andei dando.

E tive ali, naquela conversa de carro, um lembrete do amor que vai além do só por hoje ou do amanhã. Eu também tive o ontem.

Abraço apertado (Por Felipe Gramajo)

Estou há pouco mais de um ano em Manaus. Minha mãe em São Paulo permanece, porém as saudades ficam contidas dentro destes pequenos universos chamados de lágrimas. Não, eu não posso reclamar, pois meus dias aqui têm sido muito bons e intensos. Mesmo com pequenos percalços, meus passos por estas paragens amazônicas têm trazido muito aprendizado e alegria. É inevitável, todavia, não lamentar a falta que dá o colo de mãe.

De certo modo, quando diante de nossas mães, permanecemos em nosso íntimo a sermos como crianças. Sinto falta de seus abraços apertados para me sentir protegido. Houve, porém, um dia que foi diferente.

Um dia ela precisou muito mais que eu a abraçasse para que pudesse se sentir protegida do que de fato tinha condições de tentar me fazer sentir protegido. Eu ainda era muito novo, uma criança espevitada, quando o fardo sobre os ombros dela pesaram demais e a derrubaram para uma depressão profunda repleta de medo.

Em um destes tristes dias, no mais triste de todos, ela estava sentada no chão, num canto, recostada sobre a parede tentando se firmar em algo. Com lágrimas de desespero refletia sobre o futuro. Não, eu não podia fazer muita coisa. Era pequeno demais pra essas coisas, meu único alívio era pedir a Deus uma solução e que novamente nos trouxesse a paz. Sentei-me em seu colo, absolutamente cansado, a abracei e chorei. Mas chorei muito.

Ao menos naquele momento pude sentir uma brisa de felicidade. Então, nossas lágrimas se uniram. Dizia que queria ela de volta, aquela mãe feliz. Hoje, sei que naquele dia ela precisava muito mais que eu a abraçasse do que eu precisava daquela minha mãe forte e poderosa.

Felizmente muito disso tudo eu esqueci. Só sei que pouco a pouco ela foi melhorando, com a ajuda de remédios e com a paciência e o amor da família que deixou ela se recuperar um dia de cada vez, ao seu tempo.

Eu te amo mãe, e da próxima vez em que nos abraçarmos vou me lembrar daquele abraço no dia mais triste e saber o quanto sou feliz em ter você comigo.

Dedicação extrema (Por Renata Gomes)

Quando eu era criança, era muito fácil escrever uma cartinha numa folha de caderno dizendo como a amo e como ela é minha rainha. Agora que sou adulta e entendo o quão duro ela deu para cuidar de mim e dos meus irmãos, sinto que palavra nenhuma será suficiente para externar meus sentimentos e agradecimento por todo esforço que deu e continua dando. Mãe não escolhe se aposentar quando o filho cresce, mãe se dedica até o fim sem reservas, sem barreiras e sem limitações.

Minha mãe foi e, sempre será, meu exemplo de resiliência e minha inspiração de vida. Em vários momentos, através de suas ações, ela me mostrou que por mais que algumas pessoas digam que ser bom só atrai pessoas mal intencionadas, o erro não está em ser generoso, mas sim em quem não acredita na benevolência gratuita. Um dia espero ser parecida com você e expressar de forma tão genuína toda sua luz.

Mãe, Sandra, minha inocência jamais será a mesma, mas usarei as palavras de quando era criança, porque o amor permanece o mesmo. “Mamãe, minha rainha, feliz Dia das Mães! Te amo para sempre do fundo do meu coração!”.


Quilômetros de distância (Por Vitor Gavirati)

Quatro mil. Um número relativamente grande. Que dirá então quando se junta aos “quatro mil” a palavra “quilômetros”. Essa é a distância aproximada – segundo o Google Maps – que me separa da minha genitora em mais um Dia das Mães. Nos últimos seis, estive ao lado dela em apenas um. Resumindo, sou paulista, estou no Amazonas há quase seis anos e o começo da história vocês já entenderam.

No ano passado, minha mãe perdeu medos. Viajou de avião (e de barco) pela primeira vez para me ver aqui no Norte. Vencer medos, enfrentar distâncias... Coisas que aprendi com a Dona Rosangela e, talvez, ela nem se toque. Como também não deve saber como a história que eu vou relembrar aqui me marcou muito.

Minha infância foi na zona rural, em um bairro com sérios problemas quanto ao horário dos ônibus. Certa vez, fiquei muito doente (problemas respiratórios, garganta), fomos ao hospital à noite, após minha mãe voltar do trabalho. Uma grande parte da grana que tínhamos para passar o mês foi gasta com os meus remédios. Pela falta de ônibus, para voltar até a nossa casa, andamos muito.

Minha mãe estava cansada. Eu estava doente. Depois daquilo entendi o que era o amor de mãe, que as dificuldades deveriam ser vencidas... E as distâncias? Relevadas. Neste Dia das Mães, os quilômetros são de saudades, são do tamanho do nosso amor. Não é, mãe?!

Uma guerreira (Por Vinicius Leal)

A minha mãe não é fácil. Ela não é fácil de lidar e também não é fácil de compreender. Mas a vida também nunca foi fácil com ela. Filha mais velha de uma família de paraenses e amazonenses crescidos numa estreita vila bem no meio da ladeira da Comendador Clementino, lá no Centro. O pai, ex-treinador dos times Remo e Paysandu, não facilitava e fazia da casa um quartel general. E a patente da mamãe era alta. Desde criança, ela foi esteio e pau pra toda obra. Ela me contou. No final da adolescência, já tinha escolhido o caminho mais difícil: o magistério.

Seria inevitável. O jeito e o dom para ser professora são reconhecíveis no rosto dela. Cedo casou, cedo vieram os filhos. Três. Eu fui o último. E, claro, ela também precisava de três empregos. No início da década de 90, logo quando eu nasci, nos mudamos do apertado casebre de madeira no beco da Comendador para uma casa no boêmio bairro do Seringal Mirim. Trabalhando de manhã, de tarde e de noite, com duas cadeiras na Semed e uma na Seduc, e mais dezenas de empréstimos, ela conseguiu dinheiro para criar a gente e fez daquela casa na pacata travessa Santa Luzia um canteiro de obras. Na época, o setor de construção civil não ia bem e o papai fazia o que dava.

Passaram-se anos, ela realizou o sonho de ser uma pedagoga e mais recentemente me viu realizar o mesmo sonho: conseguir o diploma de jornalista. Hoje, ela continua a se dedicar à educação. Cuida de crianças que são filhos dos antigos alunos dela. Gerações e gerações de alunos da professora Inês. Devido ao temperamento dela (a principal característica que herdei dela) já foram tantas brigas entre nós. Mas o coração, tenho certeza, é bondoso.

Quando eu saí de casa, há um ano, ela não gostou. Me chamou de ingrato e tudo. Mas mal sabe ela o quão sou agradecido por tudo. Agora, voltei para casa, e o sorriso no rosto foi inevitável. É amor de mãe, eu sei. Mas nunca saberei o que é isso. Hoje ela quer descanso, quer a aposentadoria, mas até isso para um professor brasileiro não é fácil. Queria que as coisas fossem mais fáceis para ela. Conforto, saúde e paz. Te amo, mãe. Ps: ah, eu também nunca fui fácil com ela.

Minha mãe acredita em mim (Por Luana Moura)

Minha história com a minha mãe é cheia de segredos, nossos segredos, meu e dela e de mais ninguém. Percebi isso muito cedo, a gente passou por umas coisas emocionalmente pesadas que incluem rebeldia jovem e um monte de dúvidas. Minha mãe é quem sempre acompanhou minha vida de perto. Eu dei muito trabalho na adolescência. Ia para a recuperação final todo ano, eu jurava que no ano seguinte ia melhorar, ela acreditava. Aprontava na escola e minha mãe se via obrigada a ir resolver os problemas que eu causei, eu dizia que ia melhorar, ela acreditava. Uma vez quebrei o celular de uma menina no passeio do colégio, tive meus motivos, e prometi que nunca mais ia fazer aquilo de novo e ela mais uma vez acreditou. Eu, sinceramente, teria desistido de mim. Mas ela não, ela acreditava em mim.

Certa vez, reprovei no colégio, ela enlouqueceu comigo porque era um ano de colégio particular jogado no lixo. Na minha cabeça, aquilo não batia. Eu sabia que tinha passado, mas ninguém da diretoria acreditava. E olha que eu nem tinha colado na prova, eu estudei, eu tinha passado. Como sempre fui uma aluna nada exemplar, nenhum professor queria falar comigo e explicar o que aconteceu. Talvez eu até tivesse culpa pela minha índole duvidosa. Mas a minha mãe acreditou em mim.

Eu não tinha provas para contestar a decisão dos professores. Para minha surpresa, ela tinha guardado os documentos com as minhas notas que eu nunca guardava. A soma delas afirmava que eu tinha nota para não reprovar. Como um season finale de um seriado americano, minha mãe apareceu na escola com toda a papelada mostrando que a filha dela tinha passado e poderia ir para o ano seguinte. Como uma super heroína ela surge no meio do caos pra salvar a filha ferrada. Bem, to relembrando isso pra afirmar que nenhuma outra pessoa acreditaria em mim, e nem deveria, mas a minha mãe sim. Ainda bem, né?

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