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Manaus
CASO DE BORBA

Envolvidos em linchamento de jovem no AM serão trazidos para Manaus, diz secretário

A polícia conseguiu fazer uma lista com os nomes dos investigados e está indo de casa em casa tentando localizá-los para que compareçam à delegacia e sejam ouvidos em depoimento 10/07/2018 às 20:18 - Atualizado em 11/07/2018 às 07:11
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Foto: Divulgação
Joana Queiroz Manaus (AM)

A equipe da Polícia Civil que está em Borba (a 151 quilômetros de Manaus) já conseguiu identificar pelos dez pessoas como autores da depredação e morte do jovem Gabriel Lima Cardoso, de 18 anos, linchado e queimado em via pública no início da noite do último domingo. De acordo com o secretário de segurança pública Anésio Paiva, todos que forem reconhecidos, indiciados e presos serão trazidos para capital para que fiquem aguardando a decisão da Justiça em uma unidade prisional.

Os trabalhos da polícia começaram ainda na manhã de segunda-feira e estão sendo comandados pelo delegado da Polícia Civil Matheus Moreira. O número exato de envolvidos ainda era desconhecido pela polícia.

Os policiais estão usando as imagens do linchamento feitas por populares e que foram postadas nas redes sociais para identificar os que participaram da invasão ao quartel da Polícia Militar e do linchamento de Gabriel. Segundo o secretário, a população está colaborando com as investigações.

A polícia conseguiu fazer uma lista com os nomes dos investigados e está indo de casa em casa tentando localizá-los para que compareçam à delegacia e sejam ouvidos em depoimento. Os familiares das vítimas, de Gabriel e da adolescente que ele estava sendo acusado de ter matado, Patriciene Barros dos Santos, 14, foram os primeiros a serem ouvidos.

A informação de moradores e da polícia é que o clima na cidade é de tranquilidade depois da barbárie da noite de domingo. O jovem Gabriel foi sepultado na manhã de segunda-feira depois de ser velado por algumas horas. O velório aconteceu no salão da igreja Assembléia de Deus, no bairro Bela Vista, onde o pai do jovem é pastor.

O caso

O linchamento de Gabriel aconteceu em via pública no município, depois que dezenas de pessoas invadiram o quartel da Polícia Militar do município, onde ele estava preso, e o tiraram de lá. De acordo com o secretário de Segurança do Estado, coronel Anésio Paiva, alguns policiais chegaram a ser feridos pela população na invasão ao quartel.

As imagens do crime mostram dezenas de pessoas completamente ensandecidas diante do preso já inconsciente. Em frente a uma viatura da Polícia Militar, eles espancam incessantemente Gabriel, com duros golpes na cabeça, pedradas, pauladas e chutes.

Dois homens, então, pegam o corpo e colocam em cima da viatura, para exibi-lo para a multidão. Com o corpo exposto, mais pessoas batem na cabeça de Gabriel, filho de um pastor do município, até o local abrir de tanto sangue, em uma cena chocante. Depois disso o corpo é levado para a rua, onde um pneu já está em chamas e é atirado no fogo. A multidão, com os celulares nas mãos para registrar a cena, chega a comemorar na hora que o corpo é colocado nas chamas.

Contingente na hora do linchamento

De acordo com o comandante do Comando de Policiamento da Capital (CPC), coronel Marcelo Márcio Santiago, a segurança do município é feita por dez policiais e no momento do linchamento de Gabriel tinham sete. Destes, seis tiveram ferimentos leves e foram encaminhados ao hospital. Populares estavam armados com pau e pedras. Conforme Santiago, o pior foi inevitável, pois o contingente da população era bem superior ao número de policiais.

O comandante disse que os militares fizeram o que puderam, para evitar a tragédia, mas foram vencidos pela fúria da população.  Inicialmente reagiram na tentativa de evitar que o preso fosse resgatado do quartel e linchado, mas não conseguiram. Na opinião do coronel Santiago teria sido muito pior se houvesse uma reação da Polícia Militar, que contava com a ajuda da Guarda Municipal.

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