Terça-feira, 12 de Novembro de 2019
Manaus

Envolvidos na morte da menina Grazielly têm prisão prorrogada; pai planejava crime desde 2008

Cerca de 32 testemunhas já foram ouvidas. Uma delas declarou que foi chamada pelo pai da vítima para contratar alguém pra matar a menina Grazielly, por uma quantia de R$ 200, informou o delegado titular da 39° Delegacia Interativa de Polícia 



1.jpg A criança foi encontrada morta em um ramal na tarde do dia 19 de junho.
17/07/2015 às 16:08

A Justiça do município amazonense de Autazes prorrogou a prisão pra 30 dias dos envolvidos no homicídio da estudante Grazielly dos Santos, de 9 anos, morta por asfixia em junho deste. No dia 24 de junho, o pai da vítima, Gilbervan de Jesus Eloi, conhecido como "Preto" ou "Gil"; o tio Gilbermilson de Jesus Eloi, o "Beto"; e a madrasta, Gilmara França de Souza, foram presos em Autazes, onde ocorreu o crime, e encaminhados a Manaus.

“Provavelmente depois desse prazo vai ser prorrogada a prisão preventiva de todos eles e a sentença será igual para todos”, informou o delegado titular da 39° Delegacia Interativa de Polícia (DIP), Eleandro Granja. Ainda segundo ele, cerca de 32 testemunhas já foram ouvidas.



Uma delas contou, em depoimento, que foi chamada pelo pai da criança para contratar alguém para matar Grazielly pela quantia de R$ 200. “Essa testemunha-chave para as investigações recusou o pedido (do pai da vítima). Em depoimento, ela declarou que o pai desejava matar sua filha desde o início de 2008. O motivo seria mesmo porque ele não queria pagar a pensão alimentícia”, informou o delegado.

“Essa testemunha relatou tudo em detalhe para a gente, era uma trama já esquematizada há muito tempo. Nossas investigações irão continuar para localizar outra peça-chave que foi citada durante os depoimentos, que é uma ex-namorada do pai da criança. Ele teria pedido para que ela levasse um lanche envenenado para Grazielly, dentro de sua escola”, destacou Eleandro.

O delegado titular também informou que Gilbervan já teria informado à ex-namorada, cuja identidade foi preservada, onde ficava a casa da criança, toda sua rotina, horários de saída e chegada da escola e também os passos de familiares próximos da menina. “Nossa intenção é concluir as investigações em torno do caso ao longo dos próximos dias e indiciar os envolvidos”, finalizou o delegado.

Prisão

Na tarde do dia 2 de julho deste ano, o tio e o pai seguiram para a Cadeia Pública Raimundo Vidal Pessoa, Centro de Manaus, e a madrasta para o Centro de Detenção Provisória (CDP) Feminino, localizado no quilômetro 8, da BR-174. A ação contou com o apoio de quatro investigadores e duas viaturas da Delegacia Especializada em Homicídios e Sequestros (DEHS).

Entenda o caso

Grazielly Dos Santos Costa desapareceu na tarde do dia 17 de junho, município de Autazes. De acordo com a Polícia Civil, a menina estava a caminho da escola quando decidiu subir em um jambeiro para colher alguns frutos.

Colegas de Grazielly, da mesma faixa etária, disseram que ela tirou a mochila e os chinelos e em seguida subiu na árvore. Segundo o relato das crianças, um carro preto, de placas e modelo não identificadas, parou próximo a garota, a levou e depois saiu em alta velocidade.

Na tarde do dia 19 de junho, por volta de 17h, o corpo da menina, já em estado de decomposição, foi encontrado em um ramal conhecido como Tumbira, próximo à casa da menina.

Um laudo preliminar do Instituto Médico Legal (IML), emitido no 22 do mês passado, apontou que a estudante foi morta por asfixia. De acordo com a PC, perfurações encontradas no corpo da criança foram resultantes de bicadas de urubu.

Motivo

Segundo investigadores do caso o pai não reconhecia a filha e teve que fazer exame de DNA para ter a paternidade confirmada. Na Justiça, ele foi sentenciado a pagar uma pensão de R$ 100,00. De acordo com as investigações, a madrasta não queria que ele pagasse o valor.

A mãe de Grazielly disse que não desconfiava de participação do pai da menina no crime. Segundo Liziane de Almeida, o homem virou o principal suspeito a partir do momento em que começou a despistar as buscas, as quais ele estava à frente. O homem, por sua vez, negou participação na morte da filha.


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