Quinta-feira, 02 de Abril de 2020
Falta de insumos

Epidemia de coronavírus põe em risco produção industrial do PIM

Levantamento mostra que mais da metade das empresas do setor apresentam problemas no recebimento de materiais, componentes e insumos provenientes da China, foco do vírus



show_moto_123_ABF09CA9-A85F-4AAE-8E74-E823A96A598D.jpg Foto: Arquivo/A Crítica
19/02/2020 às 06:53

Sinal amarelo na indústria de eletroeletrônicos por conta da epidemia de coronavírus que pode comprometer fornecimento de insumos da China para fábricas da Zona Franca de Manaus e de todo o País. Levantamento feito pela Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee), com as empresas fabricantes de produtos do setor eletroeletrônico e de tecnologia da informação (celulares, computadores), mostrou que 52% das entrevistadas já apresentam problemas no recebimento de materiais, componentes e insumos provenientes da China.

A pesquisa foi realizada no início do mês de fevereiro de 2020, com a participação de cerca de 50 indústrias das diversas áreas do setor eletroeletrônico. Caso essa situação persista, 22% das empresas pesquisadas sinalizam eventuais paralisações na produção nas próximas semanas, visto que a falta de materiais, componentes e insumos oriundos da China dificulta a continuidade da fabricação de bens do setor eletroeletrônico. “Estamos muito preocupados com os impactos na produção do setor e continuamos avaliando a situação de perto”, afirma o presidente executivo da Abinee, Humberto Barbato.



O presidente do Centro das Indústrias do Estado do Amazonas (Cieam), Wilson Périco, confirmou que o risco de desabastecimento de insumos no Polo Industrial de Manaus (PIM) existe. “Há informações de que fabricantes de smartphones, como Samsung e Motorola, já estariam reduzindo suas atividades. E segmento de duas rodas também está preocupado, pois, existem insumos oriundos da China”.

Grupo de trabalho

Em uma tentativa de se antecipar à paralisação das atividades das indústrias que recebem insumos chineses, o deputado federal Capitão Alberto Neto (Republicanos-AM) fez uma indicação (sugestão) ao ministério da Economia para a criação de um grupo de trabalho envolvendo o setor público e privado, destinado a estudar os efeitos da epidemia de coronavírus sobre a produção industrial e apresentar propostas sobre o eventual desabastecimento de insumos no âmbito da Zona Franca de Manaus e de toda a indústria brasileira. A ideia do parlamentar é reunir representantes dos Ministérios da Economia e Relações Exteriores, entidades empresariais e de trabalhadores do Polo Industrial de Manaus e de toda a indústria nacional.

O presidente do Cieam, Wilson Périco, informou que a entidade ainda não foi consultada para a formação do GT da China e os impactos do coronavírus na produção do PIM, mas considera importante um grupo para discutir possíveis alternativas, “se é que existam”, mas, principalmente, medidas e ações para assegurar os empregos como uma compensação, sem aumento de custos, caso haja paralisação das linhas de produção.

Queda de ritmo

Na sondagem feita pela Abinee, junto às empresas de tecnologia da informação, mesmo as entrevistadas que ainda não foram afetadas pela epidemia do coronavírus, citaram que se o abastecimento de componentes e insumos da China não se normalizar nos próximos 20 dias será muito difícil conseguir manter o mesmo ritmo de atividade nos próximos meses. Não somente a China, mas toda a Ásia representou 80% da origem dos componentes elétricos e eletrônicos do país.

Férias coletivas

Fabricantes de telefones celulares, instaladas fora da Zona Franca de Manaus, já sentem os impactos do desabastecimento de insumos por conta do coronavírus e já estão mandando trabalhadores para casa. Segundo a Abinee, a Flextronics, que fabrica os aparelhos da Motorola, deu férias coletivas a parte dos funcionários. 

Em nota, enviada ao sindicato dos metalúrgicos, a fábrica da LG, em Taubaté/SP, informou que a partir do dia 2 de março 330 trabalhadores vão ficar em casa por dez dias. As férias coletivas dos trabalhadores da Flextronics já começaram e estão programadas para durar dez dias também. As indústrias não recebendo os componentes para montar os celulares então resolveram ceder férias coletivas para 80% dos trabalhadores da fábrica, cerca de 2.200 trabalhadores. 

Em Manaus, uma funcionária da Samsung informou que não há confirmação de que haverá férias coletivas na empresa. “Vamos ter um feriado de cinco dias, mas é por causa do Carnaval”, disse Maricleia de Oliveira Pires. 

O presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do Amazonas (Sindmetal-AM), Valdemir Santana, disse que a preocupação dos empresários dos polos eletroeletrônico e de duas rodas é real e que os patrões estudam a possibilidade de conceder férias coletivas ou licença remunerada, caso o desabastecimento de insumos e peças ocorra. A resposta virá em 15 dias.

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Repórter de A Crítica - Correspondente em Brasília

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