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Escola de samba Balaku-Blaku engana 19 parintinenses

Grupo passa fome, não tem onde morar e faz apelo ao governo. Oito deles, sem ter dinheiro para retornar a Parintins, continuam abandonadas no galpão da escola sem energia elétrica, água potável e muito menos alimentação 07/03/2013 às 08:04
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Esperança dos artistas parintinenses é que autoridades obriguem a diretoria da Balaku Blaku a fazer o pagamento
Nelson Brilhante ---

Já se passaram 26 dias do encerramento do Carnaval de Manaus e até agora 19 pessoas trazidas do Município de Parintins (a 365 quilômetros de Manaus) pela direção da Escola de Samba Balaku-Blaku ainda não receberam o montante de aproximadamente R$ 23 mil referente a três meses de trabalho na montagem do espetáculo da escola.

O pior é que oito delas, sem ter dinheiro para retornar, continuam abandonadas no galpão da escola, na Cidade do Samba, onde, desde o dia 9 não tem energia elétrica, nem água potável e muito menos alimentação. Nas poucas vezes que compareceram ao local, diretores da agremiação alegaram que ainda não completaram o pagamento porque estão esperando o último repasse por parte do Governo do Estado, informação contestada pelos trabalhadores.

Segundo o artista plástico responsável pelos carros alegóricos, Natalício Vasconcelos, 39, presidentes de três outras escolas de samba teriam informado ao grupo que a Balaku-Blaku recebeu um total de R$ 611 mil. A verba veio do Governo do Estado, Prefeitura de Manaus, empresa Ativa, cotas referentes a venda de bebidas, camarotes e mesas, direito de imagem e o patrocínio de uma instituição bancária.

“Eles não têm mais nada para receber de ninguém. A maior dívida que a escola tinha era R$ 180 mil numa loja do Rio de Janeiro. Estamos jogados aqui como animais, sem nada e sem ter para onde ir. A gente só entra para dormir tarde da noite porque tem carapanã demais”, reclama Natalício.

Protesto

Há 15 dias eles cumpriram com a ameaça e, como forma de protesto, colocaram alguns carros alegóricos do galpão para bloquear a avenida do Samba. Entretanto, segundo eles, o resultado foi apenas o adiantamento de R$ 500 para cada um dos 14 homens que estavam morando no galpão.

De acordo com o aderecista Raimundo Campos de Lima, 42, para conseguirem comprar comida, eles estão trabalhando no desmonte de alegorias de escolas do segundo grupo e até já venderam sobras de peças para o ferro velho.

Solidário com o grupo, o artesão Paulo Góes, que presta serviço a quase todas as escolas, foi quem conseguiu o “bico” para os parintinenses.

A equipe de Raimundo Gomes era composta por sete pessoas, todas aderecistas com experiência na confecção de fantasias para o Carnaval de Manaus. Com a parte do dinheiro recebido, ele diz que pagou seus comandados e os liberou de volta a Parintins.

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