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Manaus
ENSINO E TRADIÇÃO

Escolas centenárias mantêm glamour do passado e colecionam histórias curiosas

Alunos, ex-alunos, professores, gestores e funcionários falam da satisfação de pertencerem a algumas das escolas mais tradicionais e seculares do Estado. Colégio Amazonense Dom Pedro 2º, no Centro, é a mais antigo 20/05/2018 às 16:20
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As alunas Rebeca Fernandes, 17, e Thássila Souza, 16, falaram da satisfação de estudar no Instituto do Estado do Amazonas (IEA). Fotos: Jair Araújo
Paulo André Nunes Manaus (AM)

As suntuosas, imponentes e tradicionais escolas centenárias de Manaus mantêm cada vez mais em suas paredes, com o passar do tempo, a magia e o glamour das suas estruturas e a satisfação de alunos, ex-alunos, gestores e funcionários dessas instituições.

Em Manaus a escola mais antiga é o Colégio Amazonense Dom Pedro 2º, que tem 149 anos de fundação, tendo sido criada em 14 de março de 1869 ainda sob a designação de Lyceu Provincial Amazonense - o presidente da província do Amazonas era João Wilkens de Matos, com o nome de Lyceu Provincial Amazonense. A unidade é considerada Patrimônio Histórico do Amazonas e foi tombada em 1988, pelo decreto nº 11.034

Ao longo da história, a escola teve outras nomenclaturas oficiais: Gymnasio Amazonense, Gymnasio Amazonense D. Pedro II e, a partir da administração do governador Henoch da Silva Reis, em 1975, passou a ser chamado de Colégio Amazonense Dom Pedro 2º.

O Instituto de Educação do Amazonas (IEA) vem em seguida em longevidade, com 139 anos de atividades. Segundo dados da Secretaria de Estado de Educação e Qualidade do Ensino (Seduc), seguem-se Benjamin Constant (este último cedido atualmente para o Centro de Educação Tecnológico do Amazonas (Cetam)), Nilo Peçanha (Centro), Sólon de Lucena (São Geraldo), Marechal Hermes (Nova Esperança), Cônego Azevedo (Nossa Senhora Aparecida), Antônio Bittencourt (Glória), além da escola Saldanha Marinho (que será transformada em sede administrativas da Seduc).

Thássila, de 16 anos, estuda desde 2015 no IEA, sendo finalista do ensino médio. Estudar no Instituto fez com que ela aprendesse a valorizar a história do Amazonas, pois já foi sede de Governo, por exemplo. “Nós geralmente temos essa coisa de valorizar o que vem de fora, quando o nosso também é bonito. Entrei no IEA por ele ser uma escola de excelência e pela educação ser reconhecida e ter qualidade“, disse ela, quer cursar faculdade de História ou Direito.

Sua colega Rebeca Fernandes, 17, disse que o Instituto lhe fez aprender, além da educação, pelo fato de estudar em tempo integral, “a socializar com mais pessoas, com os nossos professores sendo nossos amigos”.

“O IEA me traz saudosismo pelo fato de ter estudado aqui a minha avó, Agostinha Pacheco, já falecida, a minha mãe Idalécia Pacheco, e tios, terem trabalhado também. Era um sonho que eu realizei e é uma responsabilidade de proporções imensuráveis e uma honra ser diretora de uma escola que é enxergada como patrimônio”, disse a gestora do Instituto de Educação, Carla Pacheco.

Ana Goreti, que é diretora do Colégio Amazonense Dom Pedro 2º, está há cinco anos no comando da instituição mais antiga do Amazonas e contou que o “grande objetivo é fazer um trabalho em grupo com docentes, alunos e administrativos visando mostrar à sociedade a grande aprovação que temos nos vestibulares públicos”.


Rebeca Costa, 17, é finalista no Colégio Dom Pedro 21C, a mais antiga escola da capital  

A aluna Rebeca Costa, 17, fazia o ensino fundamental no IEA e veio para o “Estadual”. Há poucos meses de se formar, ela disse que estudar no Dom Pedro 2º é “uma honra, pois aqui é um centro de excelência”.

Cetam/Benjamin

O estudante Vágner Neves Gomes, 37, é aluno do Cetam instalado no belíssimo Benjamin Constant, na rua Ramos Ferreira, Centro, e comentou que, para ele, “é importante fazer parte dessa escola que é centenária”. Bruno Teixeira lembrou que o local é um “patrimônio”.


O aluno Vágner Gomes, 37, que integra o curso de Técnico em Qualidade no Benjamin Constant

O assistente  administrativo Francisco Carlos, de 56 anos, vai completar em junho 35 primaveras trabalhando no Colégio Amazonense Dom Pedro 2º. “Chiquinho”, como é carinhosamente conhecido por colegas e alunos, é ex-aluno da instituição também chamada de “Estadual” e filho de Pedro Pinheiro, porteiro já falecido da escola.


Francisco Carlos, o Chiquinho: ex-aluno e 35 anos de Colégio Estadual Dom Pedro 2º

No colégio, Chiquinho fez os ensinos fundamental e o médio, na sua época 1º e 2º graus. “É uma vida esses 35 anos. Aprendemos com os alunos  a gostar da casa como se fosse a nossa própria. Nos dedicamos a ela e acostumamos a trabalhar no dia a dia. Tenho a satisfação de ver que o colégio está formando meninos para a sociedade como advogados, médicos, jornalistas”, disse ele.
Chiquinho relembra, entre os fatos curiosos vividos, caso misterioso: “Uma colega nossa relatou que ela ouviu cadeiras de uma salas se arrastando e quando foi olhar como se fosse uma ‘visagem’, não tinha ninguém na sala”, contou.

Lembranças do bisavô do Instituto

A atriz  Isabela Catão, 24, é bisneta de Artur Evangelista Catão, vigia do IEA, e que, por ironia do destino, faleceu trabalhando na própria escola após sentir-se mal.
Outra particularidade da vida do tataravô, diz ela, é que seu Artur Catão costumava se deparar com fenômenos sobrenaturais no interior do Instituto de Educação.

“Minha avó dizia que, como ele passava muito tempo aqui no IEA, e o prédio é centenário, ele via muitos vultos e alguns fantasmas. Esses prédios antigos têm muitas histórias de casos assim. O IEA mesmo traz histórias de outras pessoas. São locais carregados por essa energia e lembranças”, contou a atriz.

Isabela Catão conta que sempre teve vontade de estudar no IEA, mas nunca teve oportunidade. “Era uma vontade de adolescente conhecer outras pessoas e o Centro, naquela época, pra mim, era um lugar propício a isso. Havia todo um charme, e as fardas eram maravilhosas, como das meninas que usavam sainha. O IEA tem essa coisa do aluno ser estimulado a conhecer sua cultura, e a escola tem teatro”.

Blog: Robério Braga, advogado

Fui aluno do IEA de 1963 a 1969, desde a primeira série ginasial ao fim do curso de professores. Menos a quarta serie que fiz no Instituto Christus. Nos meus anos havia o Grêmio Marciano Armond, o Radar Clube, Olimpíadas Culturais e Esportivas, desfile em Sete de Setembro, banda de música, jogos de futebol de salão contra o Colégio Estadual, dança folclórica no festival do Amazonas, concurso de oratória...  De tudo eu participei.

Na minha família era tradição, desde a minha mãe que se formou lá em 1931, até meus sobrinhos e sobrinhas. Ingressar no Instituto era um prêmio para os melhores alunos, porque era necessário fazer exame de admissão, muito concorrido, como se fosse um mini vestibular. Foi lá em 1963, logo no primeiro ano, que venci o primeiro concurso de oratória. Editávamos um jornal, impresso em gráfica, “O Idealista”, sem temor de nada. 

Fugir para o cinema Avenida ou Odeon, descer a avenida com a barra da saia enrolada para encurtar a bainha, ficar tomando sorvete no Pinguim, jogar conversa fora na praça do Congresso, eram as distrações preferidas, principalmente das meninas do curso ginasial.

Blog: Serafim Corrêa, deputado Estadual (PSB)

O deputado estadual e ex-prefeito de Manaus, Serafim Corrêa (PSB), não estudou em escolas centenárias, mas foi aluno de duas das mais tradicionais instituições da capital: os colégios Brasileiro e Dom Bosco,  que completa 100 anos em 2020. “Estudei de 1958 a 1965 no Dom Bosco, e lá eu fiz exame de admissão, curso ginasial e o Científico, e estudei no Colégio Brasileiro, Técnica em Contabilidade, à noite, de 1963 a 1965. Tenho alegrias e boas recordações tanto de um quanto do outro. Dos professores todos muito especiais, como de colegas, e muitos dos que estudaram tanto em um colégio quanto no outro ascenderam posições de relevo e de destaque na sociedade amazonense, inclusive na política. Fui contemporâneo no Dom Bosco do governador Amazonino Mendes. E também lá estudaram (o conselheiro do Tribunal de Contas do Estado (TCE) Josué Filho, (senador) Eduardo Braga (PMDB) já muito depois de mim, na década de 1970, quando lá estudaram meus filhos. O Dom Bosco também foi uma escola de cidadania, com o rigor e a disciplina dos salesianos, mas sobretudo com amor e respeito ao próximo”.

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