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Escolas localizadas no entorno do Ipat retomam as aulas em alerta constante

A poucos metros de distância do instituto penal, 307 crianças e adolescentes entre 4 e 14 anos estudam. Antes de começar as aulas os alunos  pediram “proteção divina” contra os fugitivos 17/07/2013 às 08:40
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Na escola municipal Solange Nascimento, funcionários de uma empresa de segurança particular fazem o patrulhamento
Mariana Lima ---

Alerta é a palavra de ordem nas escolas localizadas na BR-174 e que estão próximas ao Instituto Penal Antônio Trindade (Ipat). As gestoras das escolas usam o monitoramento de câmeras e o acompanhamento de uma equipe de segurança particular na tentativa de evitar algo considerado comum entre os moradores da região: ficar cara a cara com fugitivos da Justiça.

Na terça-feira passada, 176 internos fugiram do Ipat durante uma rebelião. Desde então, apenas 97 foram capturados pela polícia e quatro pessoas foram encontradas mortas, possivelmente, foragidos. A maioria deles, segundo a estimativa da polícia, permanece na mata que cerca a BR-174.

A poucos metros de distância do instituto penal, 307 crianças e adolescentes entre 4 e 14 anos estudam. Antes de começar as aulas, os alunos da escola municipal de Ensino Fundamental (EMEF) Ester se reúnem para pedir “proteção divina” contra os fugitivos. A escola é alvo de constantes assaltos e não possui vigias ou porteiros. A segurança do local fica a cargo dos professores, funcionários administrativos, diretora e de uma empresa particular contratada pela Semed.

“Todos os dias conversamos com eles para que não reajam se encontrarem um fugitivo. É comum as crianças me procurarem para contar que viram homens na mata pedindo que vão ao encontro deles. Orientamos aqui para que nos procurem, que nós acionamos a polícia”, disse a diretora da instituição, Elineide Pereira.

Na parede da escola cartazes que pregam o fim da violência convivem ao lado de papéis com os números diretos da polícia e comunicados para os pais. A escola ficou cinco dias de portas fechadas e só retomou as atividades na segunda-feira. Nos portões e áreas abertas, placas indicando a existência de monitoramento eletrônico tentam inibir os foragidos, que nem sempre se intimidam.

“Em 2010 dois homens apareceram aqui pedindo água. Eles pularam o muro, que é baixo, e entraram na escola exigindo água. Fico muito apreensiva não pela minha vida, mas por essas crianças. Se acontece algo eu não vou poder abraçar todos para protegê-los. Essa sensação de falta de segurança é horrível”, disse Elineide.

‘Prisão’

A 4 quilômetros do local, a escola municipal de Ensino Fundamental Solange Nascimento voltou a funcionar normalmente ontem. A porta principal é fechada por uma trava eletrônica cujo controle fica dentro da diretoria. Câmeras espalhadas pelas principais áreas da escola e o reforço na iluminação são as medidas encontradas pela diretora para evitar possíveis situações constrangedoras. Parece uma prisão, mas foi a forma encontrada para manter os alunos seguros contra os foragidos. “Se formos parar todas as vezes que há uma fuga no Ipat, teremos que viver em calendário especial”, disse Marlondia Miranda, diretora da escola.

Empresa particular na segurança

Uma empresa de segurança particular é responsável pelo reforço das escolas da BR-174. Durante todo o dia, agentes realizam patrulha nas escolas mais próximas do Ipat, além de fazer um monitoramento eletrônico por meio de câmeras estrategicamente localizadas.

Pelo menos duas vezes por dia funcionários da empresa fazem o patrulhamento nas escolas. Um agente armado e com colete a prova de balas, entra na unidade e faz uma revista superficial antes de conversar com os funcionários e alunos.

A base da empresa fica dentro da escola municipal Solanga Nascimento. No local há aula nos três turnos e, portanto, as portas ficam abertas entre 6h e 22h. 

A pedagoga da escola, Izabel dos Anjos, acredita que a presença dos agentes tranquiliza os pais dos alunos. “Acredito que os pais ficam mais tranquilos quando os filhos estão aqui na escola. Eles sabem do nosso zelo, nossa preocupação e que faremos de tudo para protegê-los”, disse.

Segundo dados da secretaria da escola, o número de alunos não alterou após a fuga dos presos. “Aqui sai um e dez querem entrar. É uma área muito carente”, disse a diretora.

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