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Manaus
REDE PRIVADA

Escolas privadas aplicam medidas para manter pais adimplentes

Escolas da rede privada de Manaus adotam estratégias que dão descontos na mensalidade para manter pais adimplentes 01/05/2016 às 09:00
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A advogada Isabella Leal, mãe de uma aluna do Idaam, pretende usar a medida a fim de economizar (Winnetou Almeida)
Lucas Jardim

Com a recessão da economia chegando a levar alunos da rede particular para a rede pública, as escolas privadas se esforçam para segurar as pontas e aplicam medidas para estancar a evasão dos alunos e manter a adimplência dos pais e responsáveis.

Com o Sindicato dos Estabelecimentos de Ensino Privado do Estado do Amazonas (Sinepe-AM) estimando que, este ano, de 30 a 35% dos alunos da rede particular de Manaus devem migrar para a pública, o que representa aproximadamente 100 mil estudantes, escolas como o Idaam apostam em estratégias de negócios para manter o alunados e os pagamentos em dia.

Em uma nova campanha iniciada este ano, os responsáveis que mantiverem sua adimplência, mensalmente, até dezembro de 2016, manterão o valor de desconto de pontualidade 2016 durante o ano de 2017, para contrato de um turno, independente do reajuste anual do valor de contrato para o ano 2017, contanto que a adimplência seja mantida e respeitando os valores para a série que o aluno ou aluna estiver cursando em 2017.

A ideia é ‘premiar’ pais adimplentes em 2016 com um desconto diferenciado em 2017, maior do que o desconto regular que será oferecido para os adimplentes do ano que vem. “O valor da mensalidade é contratual, mas o que podemos fazer é trabalhar com margens de desconto para estimular a adimplência”, disse Daniel Fregapani, diretor geral da rede de escolas Idaam.

Dificuldade

Para Daniel, é necessário que todas as empresas, incluindo as escolas privadas, se esforcem para atender melhor o cliente nesse momento desfavorável.

A crise, segundo o diretor geral do Idaam, só não foi sentida mais na escola que coordena por conta de um planejamento trienal que já contava com uma recessão econômica. Por conta disso, a inadimplência e a evasão não aumentaram de forma expressiva.

“Acho que a maior dificuldade de toda a sociedade é a questão do cenário, de como as coisas vão ficar, de que segurança você tem para fazer um investimento, isso é generalizado. A nossa ideia é que o pai que em 2016 esteja lutando para manter sua adimplência, como todos nós consumidores, no ano que vem, ele já possa se programar para o gasto escolar, evitando uma surpresa e podendo assim se planejar”, explicou o diretor.

A advogada Isabella Leal, mãe de uma aluna do Idaam, já aprovou a ideia e pretende fazer uso da medida. “A gente enquanto pai quer o melhor para os nossos filhos. Aqui em casa, sempre priorizamos a saúde e a educação. Sou mãe apenas de uma menina e, mesmo com esse cenário do País, sempre me esforcei para pagar todas as contas em dia, mesmo porque é economicamente bem vantajoso. Se você for verificar, o valor da mensalidade com desconto e sem é significativo, o que impacta no longo prazo”, disse.

Impacto da crise no segmento

A professora Nelly Falcão, proprietária do colégio Martha Falcão, comentou o impacto que a crise teve sobre o setor. “Teve escola que perdeu cerca de 40% do alunado. Nós do Martha não tivemos uma perda tão grande, mas ainda assim tivemos uma baixa de 15%”, disse, esclarecendo que, ainda que a escola não tenha investido em descontos na mensalidade, as negociações individuais de regularização foram intensificadas.

Segundo ela, a maior parte das baixas veio de filhos de trabalhadores do Distrito Industrial que não eram de Manaus e se mudaram quando foram demitidos. Dentre as famílias que ficaram, ela crê que houve uma redução de custos em cascata. “Os alunos de escolas caras foram para escolas mais baratas e os alunos de escolas mais baratas foram para escolas públicas. Apesar desse movimentos, entre os que continuaram no Martha, não registramos um aumento de inadimplência acima do esperado”, explicou.

Números

11,4 mil alunos oriundos da rede particular se matricularam na rede pública estadual em 2016. 28 mil novos alunos se matricularam na rede municipal.

 

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