Sexta-feira, 22 de Novembro de 2019
Manaus

Escolas públicas em Manaus podem fechar as portas por falta de alunos e sobra de vagas

Os motivos da baixa procura podem estar relacionados à falta de segurança, principalmente em áreas onde domina o tráfico de drogas



1.gif A escola municipal Raul de Queiroz M. Veiga, na Cidade de Deus, Zona Leste, teve pouca procura por matrículas de alunos do Ensino para Jovens e Adultos (EJA) e neste ano deverá ser mais uma a fechar as portas
19/02/2015 às 08:34

Enquanto milhares de pessoas passaram até três dias em filas para conseguir matrícula no turno diurno da rede pública de ensino municipal, a sobra de vagas para o noturno é tanta, que nove escolas podem fechar em Manaus por falta de alunos. O fato não é novo, mas vem apresentando números crescentes a cada ano. No ano passado, 94 escolas municipais possuíam o Programa de Educação de Jovens e Adultos (EJA), específico para alunos que estudam à noite. Para 2015, a previsão é de que funcionem somente 85.

Os motivos da baixa procura podem estar relacionados à falta de segurança (principalmente em áreas onde domina o tráfico de drogas), a própria adesão dos alunos ao uso de entorpecentes, ingresso no mercado de trabalho ou até mesmo a aprovação antecipada no Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM) – nesse caso, o aluno precisa ter mais de 18 anos e ter conseguido no mínimo 450 pontos, que adquire o diploma do Ensino Médio.



De acordo com o professor Mauro Brito, gerente do EJA, a demanda noturna sempre foi menor que a diurna, por isso as matrículas continuam abertas até o final de março, quando serão fechadas as turmas e a Secretaria Municipal de Educação (Semed) saberá quantas escolas deixarão de funcionar em 2015 por falta de alunos. “Vamos esperar por matrículas até o último minuto. Quem sabe dessas nove escolas previstas a gente não possa ‘salvar’ umas quatro?”, questiona o professor.

As mais de 500 escolas da Semed estão divididas em sete distritos, definidos como Divisões Distritais Zonais (DDZs). Na DDZ1, nove escolas (2014) ofereciam o EJA e permanecem nove escolas em 2015; na DDZ 2 eram 12 escolas no ano passado e passou para 11 em 2015; na DDZ3 eram oito unidades escolares (2014) e permanecem oito neste ano; na DDZ 4 eram 11 escolas (2014) e passou para dez (2015); na DDZ 5 eram 13 unidades e passou para 12 (2015); na DDZ 6 eram 16 escolas e permanecem as 16 escolas, na DDZ 7 eram 25 escolas (2014) e passou para 19 neste ano.

Até o fechamento da matéria a Semed não havia fechado o porcentual da evasão escolar do ano passado. Em 2013, segundo o secretário Humberto Michilles, 13% dos alunos matriculados abandonaram a escola.

O professor de Geografia, Jorge Alencar, criticou o fechamento das escolas. “Ou essas escolas estão superlotadas ou têm estudantes fora da sala de aula”, questiona Alencar.

A assessoria da Semed rebate as acusações, afirmando que não é por excesso e sim pela falta de alunos. “Salas com quatro alunos, por exemplo, são fundidas com outras também com pouca frequência. Os custos são muito altos para se manter uma sala com quatro matriculados”, diz a nota enviada pela Semed.


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