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Escritor amazonense faz resgate histórico de pontos de Manaus em seus 346 anos

As peripécias dele pelas ruas da cidade vão endoçar o seu primeiro livro literário, previsto para ser lançado no próximo ano 26/10/2015 às 11:07
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Almir Carlos vai lançar um livro sobre os lugares que fizeram parte da memória da capital mas ‘desapareceram’ em Manaus no decorrer das décadas. As histórias serão contadas a partir das experiências do autor nesses locais
kelly melo Manaus

Formado em Letras e Pedagogia, o professor Almir Barros Carlos, tem muitas história para contar. Com mais de sessenta anos de idade, ele lembra com saudosismo das mudanças que Manaus sofreu, principalmente com o advento da Zona Franca, o que trouxe para a capital crescimento econômico e populacional. As peripécias dele pelas ruas da cidade vão endoçar o seu primeiro livro literário, previsto para ser lançado no próximo ano.

Almir é daqueles que confessa “falar de mais”. Em uma conversa descontraída, ele contou algumas histórias de locais que costumava visitar na época da adolescência. A parte mais triste, para ele, é que muitos desses lugares caíram no que chama de “arcaísmo”, uma vez que a capital completa hoje 346 anos.

“Muitos desses lugares caíram de mudaram de nome devido o tempo mesmo. Mas eu acho importante haver um resgate histórico e cultural porque isso tem tudo a ver com a nossa história”, comenta ele.

Um dos primeiro lugares a serem lembrados pelo professor é a antiga “Bola do Olympico”, onde fica hoje o complexo viário do Boulevard, em frente a sede do Olímpico Clube. Conforme Almir Carlos, no local funcionava uma praça e era onde se fazia o retorno para ir ao bairro de São Raimundo, na Zona Oeste. Hoje em dia, a praça desapareceu e complexo viário se transformou em uma das principais malhas viárias da capital.

Mais lembranças

Outro ponto muito conhecido pelos mais “experientes” é o “Buraco do Pinto”. Pode até parecer engraçado, mas esse era o nome da ladeira que fica na rua Ramos Ferreira, no Centro, entre as avenidas Joaquim Nabuco e Major Gabriel. “Alí morava um senhor chamado Pinto e como naquela época aquele local parecia um buraco, toda vez que alguém procurava pelo seu Pinto, os vizinhos apontavam para lá, e acabaram batizando o endereço de Buraco do Pinto”, explicou Almir, com um sorriso nos lábios.

E quem já ouviu falar do “canto do fuxico”? Era assim que chamavam a esquina entre as avenidas Eduardo Ribeiro e Henrique Martins, há 50 anos. “O dono da loja Capri deixava uma garrafa de café pronta e iam para lá jornalistas, professores, advogados e quem não tinha o que fazer porque a cidade era pequena. As pessoas se encontravam lá para fofocar, para falar da vida dos outros, para se atualizar do que estava acontecendo em Manaus”, afirma um dos frequentadores assíduos.

Obra será lançada no próximo ano

E o que falar do famoso “Canto do Quintela”? Conforme o professor, foi onde surgiu a primeira Casa dos Óleos, na esquina das avenidas Sete de Setembro com Joaquim Nabuco, também no Centro. “Lá, funcionava uma quitanda cujo proprietário era um português conhecido como Quintela. Sempre que alguém pedia uma referência, os vizinhos diziam: ‘É ali no canto do Quintela’. Então o local se popularizou deste forma”, lembra.

As memórias são muitas. Por esse motivo, o professor decidiu por escrevê-las em forma de artigos e reunir todas essas histórias em um livro. O projeto está praticamente concluído e a meta é de lançá-lo até o ano que vem. Entitulado “Manaus que vi e vivi”, o livro é composto por mais de 100 artigos onde cada canto de Manaus é lembrado através de experiências vistas e vividas pelo próprio escritor.

Este é o primeiro trabalho literário de Almir Barros Carlos. “A minha ideia é fazer um resgate histórico e cultural da história de Manaus a partir de situações que eu presenciei. Vai ser um leitura leve e agradável, pois é importante manter viva essas lembranças para os jovens de hoje de amanhã”, finalizou ele.

Currículo de peso

O professor Almir Barros Carlos, 60, atualmente trabalha como Coordenador da Escola Superior de Advocacia do Amazonas (ESA/AM), mas por quase 10 anos (em três oportunidades) foi diretor da escola Estadual Solon de Lucena e fez parte do quadro de professores da Universidade do Estado do Amazonas (UEA), também por anos. Como um amante da literatura, Almir Carlos agora envereda para mais um desafio: lançar seu primeiro livro literário “Manaus que vi e vivi”. Segundo ele, a obra está pronta e conta com mais de 100 contos verídicos onde ele relembra a história de Manaus e faz relação com a sua história de vida e suas experiências como um típico manauense. Almir também é autor da obra “Drogas: Você escolhe o Caminho”, de 2011.

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