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Manaus
MESTRE CHICO

Espaços de lazer abandonados na Zona Sul de Manaus causam insegurança à população

As condições atuais do Largo do Mestre Chico e da Ponte dos Ingleses, que integram o mesmo complexo, estão deploráveis 30/09/2017 às 05:20 - Atualizado em 30/09/2017 às 15:32
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Quem anda na Ponte dos Ingleses pode cair no igarapé do Mestre Chico (Foto: Clóvis Miranda)
Paulo André Nunes Manaus (AM)

As condições atuais do Largo do Mestre Chico e da Ponte dos Ingleses, que integram o mesmo complexo na Zona Sul de Manaus, estão deploráveis. O local, próximo à tradicional ponte Benjamin Constant, a “Ponte de Ferro”, encontra-se com a estrutura comprometida em vários aspectos, somando-se a isso as reclamações da população quanto a insegurança no local.

O Largo Mestre Chico tem vários dos seus boxes de venda fechados, com lixo em seu interior, e poças de água e lama se formam ao redor dos boxes - ontem, após a chuva da manhã, notou-se principalmente esse problema.

Os pisos estão sujos e com lama, banheiros com as portas quebradas e equipamentos como vasos sanitários avariados. Há fezes e um mau cheiro suportável apenas para as pessoas em situação de rua que transitam por alí. Boa parte delas usa os coretos do Largo para dormir e sai para almoçar em um projeto social existente perto da Ponte de Ferro.

As quadras de esportes e os playgrounds estão danificados, bem como as estruturas de lixeiras, que não tem mais o óbvio, que é local para despejar o lixo, o que pode ter sido alvo de um saque. As placas de identificação do local estão deterioradas e quase ilegíveis.

Todas as estruturas estão pixadas em vários locais. A ferrugem consome vãos de rampas. Durante a reportagem não se registrou a presença de agentes de segurança ou qualquer tipo de policiamento no Largo Mestre Chico.

Ponte dos Ingleses

Já a Ponte Efigênio Salles, também denominada “Ponte dos Ingleses” encontra-se com parte do piso quebrado e comprometido pelo mato. Tão grave quanto isso é que, nas suas laterais, os pilares estão quebrados, e, sem essas colunas, há o iminente perigo a quem passa pelo local, pois qualquer um pedestre pode cair no igarapé daquela área.

A estudante Marcele Fabrine mora em Educandos e caminhava ontem pela manhã próximo à ponte com o filho Enzo, de apenas 4 meses. Ela se dirigia à avenida Sete de Setembro, e conta que prefere evitar a ponte com medo de cair no igarapé.

“Isso é um perigo para quem anda com criança e às vezes a mãe não presta atenção e pode cair no rio. À noite não há iluminação, fica escuro e perigoso. Por isso que dou uma volta enorme para atravessar quando vou deixar o Enzo na casa da minha irmã. Tenho medo, também, pois às vezes os bandidos ficam fumando e usando drogas por aqui mesmo com a escola ao lado”, relata ela. “Que as autoridades venham ajeitar logo essa situação”, reforça a estudante.

Insegurança

Em ambos os locais os transeuntes reclamam da insegurança: eles têm medo de assaltos e da presença das pessoas em situação de rua.

História esquecida

O Largo do Mestre Chico tem uma área total de 62.312 metros quadrados e está localizado entre a avenida Sete de de Setembro, ruas General Glicério, Ajuricaba, Ipixuna, Beco Jacinto e avenida Beira Rio,  sob a Ponte Benjamin Constant, no Centro da capital. A Ponte e a 1ª etapa do Largo foram inaugurados em 25 de setembro de 2008, mas após um período sem reformas nem manutenção, o cenário é bem diferente do encontrado no dia da inauguração.

População espera por melhorias

Quem transita pelo Largo do Mestre Chico  lembra com tristeza de quando ele era belo. A comerciante Raimunda do Carmo Brito, 70, mora no Morro da Liberdade e todas as vezes que passa pelo local sente um misto de tristeza e medo. “Aqui era uma coisa linda de se ver. Parecia que estávamos até na França. A ponte era iluminada e o chafariz funcionava. Hoje está tudo abandonado, sem manutenção. A cidade está assim. Não se pode ver um celular. À noite nem se fala”, diz ela.

A aposentada Edinair Dantas de Souza, 73, vinha da feira quando encontrou nossa reportagem e falou da situação do Largo. “Tristeza e abandono marcam esse local. Se for pra ficar assim era melhor terem construído um colégio. Ninguém ‘desce’ mais pra praça por causa dos bandidos. Há muitos drogados. Além de tudo isso, não há iluminação na ponte. Só não tiram o rio porque não dá”, comentou.

Tratativa visando o local

Por meio de sua comunicação, a Secretaria Municipal de Infraestrutura (Seminf) informa que está em tratativa para firmar uma parceria financeira com o Programa Social e Ambiental dos Igarapés de Manaus (Prosamim)  para que ela contribua na manutenção e conservação dos parques Largo do Mestre Chico, Desembargador Paulo Jacó, Kako Caminha, Bittencourt, Linear do Igarapé do 40, Igarapé das Freiras e Ponte Benjamin Constant, “uma vez que isso faz parte da política social do Prosamim”. Uma das fases dessas tratativas é que o Governo do Estado revitalize tais espaços para que sejam “entregues” e fiquem sob a responsabilidade da prefeitura.

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