Quarta-feira, 17 de Julho de 2019
Manaus

Especialista afirma que zika vírus é semelhante aos de outros países

Especialista em genética da UFRJ, Almicar Tanuri explica, em encontro com profissionais da saúde na FMT/HVD que o vetor que circula no País é o mesmo que circula na Polinésia Francesa e em outros lugares



1.jpg Almicar Tanuri explicou, durante sessão clínica, que o vírus entra no sistema nervoso central e permanece no organismo
25/02/2016 às 10:12

Com a proposta de apresentar as atuais pesquisas desenvolvidas sobre o Zika vírus a profissionais de saúde do Amazonas esteve, ontem, na capital o professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) Almicar Tanuri. Ele é um dos maiores especialistas em genética de vírus do País e explicou que as características moleculares e virológicas do vetor circulante no Brasil são as mesmas de outros países.

“Até o momento não tem nenhum dado que identifique vírus diferentes no Rio de Janeiro, Nordeste, Venezuela e outros pontos do mundo. Teoricamente é o mesmo vírus sem variante daquele que veio da Polinésia Francesa, mas deve ser monitorado”, afirma. O encontro ocorreu na Fundação de Medicina Tropical Dr. Heitor Vieira Dourado (FMT-HVD) e contou com a presença do corpo clínico da Fundação, médicos residentes, estudantes dos cursos de mestrados e doutorado, além de enfermeiros e pesquisadores.

Durante a sessão clínica, Tanuri discorreu sobre o mecanismo de contaminação da placenta e do cérebro do bebê, cujas mães foram infectadas pelo vírus na gravidez, levando a complicações como a microcefalia. “Temos dados sólidos que o vírus tem entrada no sistema nervoso central, mas só resta saber como ele entra. Geralmente, os vírus tem receptores específicos. Por isso, deverão ser feito estudos em animais, células isoladas. Ainda estamos começando as pesquisas, mas sabemos que ele está lá. Fica no organismo, como identificamos em dois bebês na Paraíba, que nasceram com o cérebro muito danificado e o vírus estava presente, ficando durante toda a gravidez”, explica o professor.

Além disso, ele expôs a capacidade de penetração do vírus não só no cérebro de fetos, mas em adultos, ainda que raro, causando problemas neoreológicos, como casos da síndrome Guillain-Barré.

Tanuri integrou o grupo de cientistas que detectou, pela primeira vez no país, a presença do vírus Zika em líquido amniótico e no cérebro de bebês. Ele esclareceu questões como o fato de que nem toda grávida com o vírus vai transmitir para o feto. “Nem todas as mães expostas ao vírus significa que os bebês terão microcefalia, existe taxa de transmissão. Estudos na Paraíba dizem que menos de 5% passarão o vírus, eu acredito até que menos. O que não se pode afirmar é que toda a má formação está ligada ao Zika, alguns são relacionados a fatores genéticos e ambientais, mas com a epidemia do vírus entrando aumentou mais 10 vezes só no nordeste os casos de microcefalia nos bebês”, disse. Conforme o professor, a melhor forma de prevenir a doença é manter a vigilância e combater a proliferação do vetor.

Casos suspeitos e confirmados

No último boletim da Semsa, divulgado no dia 23 de fevereiro, Manaus registrou 607 casos suspeitos de Zika vírus. Do total, 55 foram confirmados, sendo 17 gestantes, 162 foram descartados, sendo 18 grávidas e 390 casos permanecem em investigação, com 85 gestantes.

Evolução dos trabalhos

De acordo com o presidente da Fundação de Vigilância Sanitária (FVS), Bernardino Albuquerque, os casos suspeitos serão investigados através de triagem. “Não iremos fazer em todas as pessoas que apresentarem os sintomas do zika vírus, a prioridade na triagem são as gestantes em comparação as outras faixas etárias ou não possibilidade de complicações como elas”, argumenta. Ainda de acordo com ele, as maternidades do Amazonas estão preparadas para atender um possível caso de microcefalia na região.

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