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Especialistas alertam para mais de 1 milhão de veículos circulando por Manaus até 2018

A necessidade da construção de uma política eficiente de transportes coletivos é um dos pontos destacados por especialistas, que ‘prevêem’ um futuro mais engarrafado na capital 04/10/2014 às 18:30
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Congestionamentos já são rotineiros no trânsito da capital amazonense
Ana Celia Ossame ---

Um dos fatores que mais contribui hoje com a qualidade de vida, a mobilidade urbana vai apresentar uma conta salgada às autoridades da esfera municipal e da estadual, esta a ser eleita este ano. Mantida a média mensal de seis mil emplacamentos de veículos, entre carros e motos, com os atuais 750 mil em circulação na capital, nos próximos quatro anos serão mais de um milhão de veículos só em Manaus, já que pelos cálculos mais conservadores, entrarão pelo menos 380 mil veículos no sistema. Não é à toa que em alguns horários de rush, um deslocamento entre zonas da cidade, como a Norte e a Sul o motorista gaste o mesmo tempo em que chegaria a um outro município da região metropolitana da capital, como Presidente Figueiredo (a 107 quilômetros de Manaus).

Se mobilidade urbana é a condição em que se realizam os deslocamentos de pessoas e cargas no espaço urbano do município, cada vez mais há necessidade de projetos visando “amenizar” o problema que é mundial, pois atuamos apenas como bombeiros, duplicando pistas e criando as exclusivas para ônibus, o que é apenas apagar fogo diante desse cenário, assegura o superintendente municipal de transportes urbanos, Pedro Carvalho, da SMTU. Na verdade, os projetos terão que acontecer por força de lei. A partir de 2015, a falta de um plano para esse setor poderá piorar ainda mais a vida dos manauenses. A Lei Federal 12.587, de 2012, sancionada pela presidente Dilma Rousseff, instituiu as diretrizes da Política Nacional de Mobilidade Urbana e determinou que perderão verbas da União as cidades que não elaborarem seus planos.

Prioridade

Pedro Carvalho diz que a tônica da Lei 12.587, seja quem for o governante, é priorizar o transporte público. E para isso é preciso ter uma diretriz que disponha de tecnologia e crie condições para que isso aconteça. “Não temos mais como prescindir do VLP (Veículo Leve sobre Pneus) e do BRT (Bus Rapid Transport), que são tecnologias que exigem grandes investimentos”, explicou ele, assegurando que só o trabalho em conjunto entre Prefeitura, Governo do Estado e Governo Federal poderá garantir esses modais de transporte na cidade.

Ao lembrar que, das 12 cidades onde houve jogos da Copa do Mundo, só Manaus não progrediu em relação a essa questão - porque aqui discutiu-se monotrilho durante oito anos -, Carvalho tem uma avaliação crítica. “Esses projetos de mobilidade urbana envolvem investimento elevados, são impossíveis só para a prefeitura custear, por isso é preciso unir as três esferas de governo”, disse ele, exemplificando que cada quilômetro do BRT, por exemplo, está estimado em R$ 15 milhões. “Se tivermos que fazer 10 quilômetros, serão R4 150 milhões”, completou.

A elaboração desse plano será feita com discussões na Câmara Municipal a partir de janeiro do próximo ano, inclusive com audiências públicas. Até abril, o plano terá que ser aprovado definindo as diretrizes que vão de encontro aos atuais incentivos tributários dados pelo governo para a aquisição de carros e motocicletas.

O diretor do Departamento Estadual de Trânsito (Detran), Leonel Feitoza, destaca o trabalho em conjunto do Governo do Estado e Prefeitura de Manaus no que diz respeito à mobilidade urbana. Mas ele faz a ressalva de que a abertura de novas vias e a duplicação de outras não são suficientes para assegurar a redução dos engarrafamentos porque, a exemplo de outras cidades, o manauense prefere se deslocar de carro, cuja aquisição é facilitada e estimulada. “É uma questão da modernidade, a pessoa quer o conforto de um carro mesmo que passe nele muito tempo em deslocamento”, revelou Feitoza, lembrando que para melhorar o transporte público, precisa-se reservar espaço para isso e ter leis determinando a criação desse espaço, e entendermos que o transporte coletivo é o principal modal, por isso tem que ser priorizado.

População tem que debater plano

O professor Geraldo Alves, da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), destaca a necessidade de mobilização da sociedade para a discussão do projeto de mobilidade urbana a serem contemplados na Lei 12.587/12. Doutor em Engenharia de Transportes, Alves afirma que o Estado deve contribuir para a construção de uma mobilidade urbana para Manaus daqui a 30 anos e, para isso, sugere colocar o transporte dos operários do Polo Industrial de Manaus (PIM) sobre trilhos confiáveis e robustos, do contrário, os angerrafamentos podem torná-lo menos competitivo.

Ao criticar o fato de Manaus ter sido a única das cidades sedes da Copa do Mundo que não avançou no item mobilidade urbana, o professor cita o grupo de estudiosos dos departamentos de Geografia e Arquitetura da Ufam, Câmara Municipal e entidades sociais, que está interessado em democratizar a discussão da Lei 12.587. No próximo dia 9 de outubro, vamos fazer um ato solene de entrega de um abaixo-assinado para reivindicar que o governo municipal abra o debate sobre o Plano de Mobilidade Urbana, porque está cada vez mais claro que esse não é só problema de uma classe social que está presa dentro dos automóveis, mas de toda a sociedade, disse Geraldo Alves, para defender um transporte coletivo melhor estruturado para Manaus. “Estamos na contramão da modernidade com esse sistema de transporte apoiado em ônibus, porque nas cidades com mais de 600 mil habitantes, o transporte é feito em corredores exclusivos, inexistente aqui”, afirmou.

Mais carros, mais mortes no trânsito

O caos no setor de transporte responde por outro item alertado pela Organização Mundial de Saúde (OMS). Se nada for feito, o órgão estima que deveremos ter 1,9 milhão de mortes no trânsito em 2020 e 2,4 milhões em 2030.Essas três categorias, pedestres, motociclistas e ocupantes de automóveis, somadas representam, ao longo de todo o período, em torno de 90% do total de mortes no trânsito do país. Em todos os países, o número de mortes de ocupantes de automóvel caiu. No Brasil, esse número aumentou 50%. O único item em que o Brasil acompanha as quedas é das mortes de pedestres (único item que no Brasil apresentou quedas no período).

Desde 2011, a morte de motociclistas vem ultrapassando as demais categoriass, representando 1/3 das mortes no trânsito, com a preocupante tendência de um contínuo crescimento.

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