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Especialistas alertam sobre mitos e verdades de alimentos orgânicos

Especialistas alertam que nem tudo que é natural está livre de agrotóxicos, condição para que o alimento seja mais saudável 25/05/2015 às 12:27
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A venda desses produtos é regularizada em somente um local da cidade, porém, em outras áreas, a prática fomenta renda a agricultores e cria hábitos mais saudáveis
oswaldo neto ---

Livres de agrotóxicos ou substâncias que prejudicam o meio ambiente, os alimentos orgânicos ainda são consumidos de forma tímida na capital. A venda desses produtos é regularizada em somente um local da cidade, porém em outras áreas a prática fomenta renda a agricultores “ecológicos”, criando um novo jeito - e mais saudável - de produzir e de se alimentar. Apesar do conceito ter se popularizado no País, especialistas alertam sobre o que é mito e o que é verdade a respeito do assunto.

Os alimentos que chegam a Manaus geralmente vêm de longe, sendo produzidos em zonas rurais do interior. Comerciante há seis anos, Luzia Mara Pinto Freire, 55, vende diversos tipos de frutas, legumes, grãos e alimentos de origem animal na feira da Secretaria de Produção Rural do Amazonas (Sepror).

Segundo ela, toda a mercadoria é trazida de um sítio da família, localizado na rodovia AM-010, no Município de Itacoatiara. Ela conta como produz os alimentos. “Usamos apenas adubo de galinha. Aramos a terra, plantamos e tudo aqui vem da natureza mesmo”, conta ela. O lucro semanal da venda de alimentos orgânicos, segundo Luzia, chega a R$ 5 mil.

Produção ‘ribeirinha’

Há 10 anos, a agricultora Creusa Fernandes da Silva, 60, percorre milhares de quilômetros de barco para vender seus produtos na capital. Isso porque ela mora em uma comunidade ribeirinha próxima à conhecida ilha “Jesus Me Deu”, em Presidente Figueiredo. De lá, Creusa e seus familiares trazem aos moradores da metrópole alimentos que brotam da terra. “Chego aqui toda a quarta e volto só no domingo”, disse ela. Ao ser questionada sobre o que ela entende por “alimentos orgânicos”, ela descreve a teoria principal. “É tudo que não tem agrotóxico. Eu sei disso, lá a gente não usa porque além de ser mais difícil de achar, é muito caro aqui. Tudo da minha banca é natural”, contou.

Uso sustentável

Divulgado em 2014 pelo Ministério da Saúde, o Guia Alimentar para a população brasileira descreve alimento orgânico como “alimentos de origem vegetal ou animal oriundos de sistemas que promovem o uso sustentável dos recursos naturais”.

O guia esclarece, ainda, que esse determinado tipo de alimento contribui para a desconcentração das terras produtivas, sendo originados em bases agroecológias. A castanha-do-Brasil e o açaí são exemplos de alimentos orgânicos produzidos na Região Norte.

Blog: Dermilson Chagas, deputado estadual do Amazonas

“A agricultura orgânica tem potencial e vem trazendo a questão da alimentação saudável. É importante que o segmento discuta isso nas escolas, assim como as vantagens disso para as nossas crianças. Os alimentos são livres de agrotóxicos, hormônios, e podem gerar empregos para o Estado. Precisamos combater essa miséria orgânica. O Amazonas precisa se espertar para bioeconomia e criar uma visibilidade maior por meio de políticas públicas”.

Produção presente em seis cidades

Segundo o Instituto de Desenvolvimento Agropecuário e Florestal Sustentável do Amazonas (Idam), a Produção Agrícola Orgânica está presente em seis municípios do Estado: Manaus, Rio Preto da Eva, Itacoatiara, Presidente Figueiredo, Iranduba e Careiro da Várzea.

O órgão estima que 160 famílias trabalham com a agricultura de baixo impacto ambiental no Estado.

Autor de uma audiência pública que irá discutir o assunto hoje na Assembleia Legislativa do Amazonas (ALE-AM), o deputado estadual Dermilson Chagas (PDT) conta que o encontro irá debater medidas para estimular a prática no Estado.

“Isso geraria lucro e empregos para o Estado. O objetivo da reunião é chamar o segmento para discutir a importância da cadeia produtiva. Ser orgânico não basta estar na natureza”, diz.

Comercialização

O único local regularizado pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) para comercializãção de orgânicos, conforme a legislação de agricultura orgânica (Lei Federal nº 10.831), é a feira de orgânicos realizada nas dependências da Superintendência Federal de Agricultura (SFA/Mapa), na avenida Maceió, bairro Adrianópolis, Zona Centro-Sul.

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