Sábado, 24 de Agosto de 2019
Segurança alimentar

Especialistas discutem os desafios no combate aos agrotóxicos na alimentação

Evento ocorre neste sábado (3), até as 12h, na Feira Orgânica realizada no galpão do Mapa, localizado na rua Maceió, nº 460, Adrianópolis. Ele faz parte da Semana Nacional de Combate aos Impactos dos Agrotóxicos



1167584.JPG 50% dos vegetais encontrados no varejo na capital amazonense se encontram impróprios para o consumo humano por conterem níveis de resíduos de agrotóxicos acima do limite máximo Anvisa. (Aguilar Abecassis)
03/12/2016 às 09:37

Semear a conscientização no combate aos impactos dos agrotóxicos na alimentação, bem como potencializar a melhoria na conservação e qualidade dos produtos são os desafios para estimular cada vez mais a cadeia da “segurança alimentar” e a prevenção aos agravos na saúde dos produtores e consumidores. Estes e outros assuntos serão expostos neste sábado (3), por especialistas que participam da “Semana Nacional de Combate aos Impactos dos Agrotóxicos”. O evento vai até as 12h, na Feira Orgânica realizada no galpão do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), localizado na rua Maceió, nº 460, Adrianópolis. O movimento também proporcionou diversos encontros, um deles ocorreu na última quarta-feira (30), no Espaço de Cidadania Ambiental (Ecam), no Manauara Shopping.

Para a  gerente de Educação Ambiental do Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (Ipaam),  Therezinha Melo, coordenadora do Ecam, o debate é fundamental para sensibilizar não apenas os consumidores, mas também os produtores, de forma a melhorar, inclusive, a produção rural. 

O professor de Tecnologia de Segurança de Alimentos, Victor Lamarão, do Departamento de Engenharia Agrícola de Solos da Universidade do Federal do Amazonas (Ufam), por sua vez, diz que o “Agro business” sempre se utilizará agrotóxicos porque o intuito desse tipo de mercado é abranger o máximo possível de pessoas. “Uma vez que nascem cada vez mais pessoas, as cidades crescem e precisam de alimentos, então esse tipo de mercado sempre vai se utilizar de agrotóxicos”, afirmou. 

Ele lembrou que existem legislação que rege o assunto, no entanto, e que deve ser obedecida. “ Elas (as leis), por exemplo, falam de limites mínimos e máximos para o uso de determinados tipos de agrotóxicos e isso tem que ser respeitado. O que acontece é que, muitas vezes, as pessoas, por não terem o conhecimento, não seguem a legislação como devem”, analisou.

Agroecologia

Lamarão explicou ainda que a prática de não se utilizar agrotóxicos parte da agroecologia e é voltada, principalmente, a pequenos cultivos como o de subsistência. “É possível plantar e colher sem o uso do agrotóxico, mas também é exigido determinado conhecimento dentro da área da agroecologia para que isso possa acontecer. O que os grandes especialistas falam das grandes culturas onde a demanda é muito grande é que, infelizmente, a agroecologia não daria conta, daí a necessidade do uso de agrotóxicos. Mas é possível, sim, trabalhar a produção de alimentos com o uso de agrotóxicos, desde que se respeitem as leis, o que não acontece na maioria das vezes”, ponderou. 

Os reflexos, lembra ele, aparecem na saúde. “Há diversas pesquisas que revelam que há em nossos alimentos grande concentração de agrotóxicos, então de fato temos que partir para uma alimentação mais saudável e a agroecologia é um dos caminhos que pode ser percorrido e que vai trazer benefícios para todos os envolvidos, tanto para quem planta, quanto para quem compra”.

Com a palavra Waldyr Stumpf Júnior - Dir-exec. de  Tecnologia da Embrapa

"Nós somos o que nós comemos, então, hoje, além da questão de atender às necessidades de alimentação, estamos trabalhando os alimentos para melhorar a saúde das pessoas. Pensamos na saúde e qualidade do alimento para nutrir as pessoas para que tenham saúde, porque se elas se alimentarem mal, ao invés de terem saúde, elas ficarão doentes. Há uma mobilização no País que está levando médicos, nutricionistas e pesquisadores da área de produção a se preocuparem com o alimento como uma fonte de saúde, para que o consumidor não fique doente e não venha a fazer uma medicina curativa, então, através de uma alimentação sadia teremos a prevenção e uma saúde mais equilibrada, essa é a conexão entre o alimento e a saúde. O Amazonas vem aumentando sua produção e a qualidade, além de estar melhorando a logística de transporte e de sua infraestrutura, portanto temos ainda bastante esforço para colocar na melhoria do sistema de produção, trabalhando novos produtos, cultivos e a eficiência dos sistemas”.

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