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Especialistas explicam por que adolescentes passaram mal em escolas após ‘desafio do Charlie’

Quatro escolas de Manaus, ontem e hoje, já registraram casos de alunos que tiveram mal estar físico após fazerem suposto ritual de evocação de espíritos 29/05/2015 às 10:12
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Reprodução de como funciona o “Desafio Charlie, Charlie”
VINICIUS LEAL Manaus

Mais duas escolas de Manaus registraram confusão nesta quinta-feira (28) após alunos participarem de uma brincadeira para evocar supostos espíritos do mal, que ficou famosa na Internet. Nesta quarta-feira (27), A CRÍTICA publicou matéria com dois casos parecidos, em que alunos fizeram o “Desafio do Charlie” e, em seguida, teriam incorporado um espírito e passado mal.

Nesta quinta aconteceu algo similar na Escola Estadual Letício de Campos Dantas, na rua Colhereiras, comunidade Fazendinha, Zona Norte, e também na Escola Estadual Professora Berenice Martins, no bairro Mauazinho, na rua Encontro das Águas, na Zona Leste. Leia mais sobre os casos de suposta possessão aqui.

Nas regras do “Desafio do Charlie”, o participante escreve em um papel as palavras “Yes” (sim) e “No” (não) e em cima do papel se coloca duas canetas, ou lápis, em forma de cruz. Depois se pergunta “Charlie, você está aí?”, e se o lápis se mover para “sim” o espírito está presente. O assunto “viralizou” na Internet e foi motivo de piada.

Para a reportagem, não houve nenhuma comprovação de possessão de espíritos do mal com os alunos, e por isso fomos atrás de especialistas em Psicologia e Psiquiatria para tentar entender, pelo menos, por que vários alunos passaram mal ao mesmo tempo. Segundo familiares, os alunos desmaiaram, choraram e vomitaram.

“Se a caneta se mexeu, prefiro não comentar. Mas os alunos podem ter sim tomado um susto grande e terem essa resposta (comportamento) no sistema nervoso autônomo, e começaram a ter sintomas de uma doença. É a maneira inconsciente de pedir socorro”, explicou a psiquiatra e psicoterapeuta Roselis Gildo Bittar.

“As crianças gostam de brincar com coisas perigosas e que geram suspense, e elas esperam ser confortadas quando essa coisa perigosa se coloca na frente delas. Quando se concretiza, não quer dizer que estão preparadas para enfrentar. E então dispara a reação emocional, o sistema nervoso autônomo provoca essas reações”, disse Bittar.

Histeria coletiva

Segundo a psicóloga Amanda Dantas dos Santos, o que aconteceu nas quatro escolas foi o fenômeno de “histeria coletiva”, também chamada de “histeria em massa”. “A histeria é uma classe neurose que você sente organicamente. Todos nós somos histéricos ou psicóticos. Os psicóticos são os loucos, e o restante da população é histérica. No meio disso estão os limítrofes, os sociopatas”, disse a psicóloga.

Para a Psicologia, “histeria coletiva” é um distúrbio sociopsicológico onde várias pessoas manifestam, ao mesmo tempo, sintomas semelhantes, podendo até haver doença sem causa aparente. Segundo Amanda, esse tipo de histeria ocorre quando muitas pessoas acreditam que estão sofrendo uma doença, problema físico ou mental. “Um tem ideia, mas todos compartilham e acreditam, e sentem essa manifestação”.

Os momentos de histeria coletiva ocorrem quando alguém fica histérico ou tem um surto após uma experiência de muito stress. Após a primeira pessoa reagir dessa maneira, outros começam a manifestar os mesmos sintomas, geralmente náuseas, tontura, fraqueza, desmaio, convulsões ou dores de cabeça e falta de ar. Visões de milagres religiosos são muitas vezes atribuídas à histeria coletiva.

De acordo com Amanda, os casos de histeria coletiva são frequentes em grupos fechados como alunos de uma mesma escola, trabalhadores de uma mesma empresa, “porque as pessoas estão mais próximas”. O fenômeno também causa ansiedade e perda de controle sobre os atos e emoções, além de turbinar os sentidos como tato, olfato, paladar, etc.

Piada

Sendo verdade ou não, as possessões do ritual do “Charlie” viraram piada nas redes sociais Twitter, Instagram e Vine nos últimos dois dias. Diversos internautas fizeram vídeos cômicos sobre a tal brincadeira, nenhum mostrando a possessão de algum espírito.

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