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INVESTIGAÇÕES

'Estado de Emergência': esposa de José Melo presta depoimento na Polícia Federal

Ex-primeira-dama é sócia de empresas que tiveram movimentações bancárias suspeitas descobertas na terceira fase da Operação Maus Caminhos 22/12/2017 às 11:46 - Atualizado em 22/12/2017 às 11:54
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acritica.com Manaus

A ex-primeira dama do Amazonas, Edilene Gomes de Oliveira, esposa do ex-governador José Melo, foi conduzida à sede da Superintendência da Polícia Federal no Amazonas, em Manaus, na manhã desta sexta (22), para prestar depoimento aos delegados responsáveis pela operação “Estado de Emergência”, terceira fase “Maus Caminhos”. A operação foi deflagrada ontem pela PF com objetivo de investigar crimes de corrupção ativa, passiva, lavagem de capitais e organização criminosa.

O principal alvo da operação foi o ex-governador e marido de Edilene, José Melo. Ele foi preso quando estava em um sítio no município de Rio Preto da Eva. Com ele, foram encontrados R$ 90 mil em espécie. Segundo os responsáveis pelas investigações, Melo recebia propinas dos responsáveis pela organização criminosa que desviou mais de R$ 100 milhões dos cofres do Estado, especificamente da área da Saúde. 

A ex-primeira dama não foi presa, mas teve o nome bastante citado pelos comandantes da operação “Estado de Emergência”. De acordo com o delegado Alexandre Teixeira, da Polícia Federal, foram constatadas movimentações financeiras atípicas nas contas de empresas de Edilene Oliveira. Pelo menos dois salões de beleza que ela figura como sócia ou proprietária foram alvos de mandados de busca e apreensão na manhã de ontem.

Na gestão de José Melo, Edilene Oliveira não era apenas a primeira-dama. Ela foi a presidente do Fundo de Promoção Social (FPS), com status e salário de secretária de Estado. Ela deixou o posto após a cassação do ex-governador, determinada em janeiro de 2016 pelo Tribunal Regional Eleitoral do Amazonas (TRE-AM) e mantida pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) em maio deste ano.

Custo Político

Na semana passada, durante a segunda fase da Maus Caminhos, nomeada de “Custo Político”, foram presos ex-dirigentes do governo Melo: dois ex-secretários de Saúde, Wilson Alecrim e Pedro Elias, o ex-secretário de Administração e Gestão Evandro Melo – irmão de José Melo, o ex-secretário de Fazenda Afonso Lobo e o ex-secretário de Casa Civil Raul Zaidan, entre outros. Também foi preso, novamente, o médico e empresário Mouhamad Moustafa, principal alvo da primeira fase da Maus Caminhos.

Conforme denúncia, o primeiro escalão das pastas de Saúde, Administração, Casa Civil de José Melo recebia “mensalinho” que variava entre R$ 83,5 mil e R$ 133,5 mil de 2014 a 2016, período em que a PF investigou o esquema. A estimativa é de que R$ 20 milhões tenham sido pagos em propina.

Maus Caminhos

A operação Maus Caminhos foi deflagrada pela primeira vez em setembro de 2016 com foco em desmantelar uma quadrilha especializada em desviar recursos públicos do Fundo Estadual de Saúde do Amazonas através de contratos com empresas terceirizadas, sendo a principal operadora do esquema o Instituto Novos Caminhos (INC), de propriedade de Mouhamad Moustafa e que inspirou o nome da operação. Na época, a PF afirmou que mais de R$ 110 milhões foram desviados.

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