Terça-feira, 28 de Janeiro de 2020
SAÚDE PÚBLICA

Estatística ruim: Ponte sobre o Rio Negro vira cenário de suicídios no AM

Fontes não oficiais apontam a ocorrência de mais de 50 mortes no local, desde a inauguração em 2012



ponte_B32762E4-08DF-475B-AF09-7E2D0714B11E.JPG Foto: Junio Matos
31/08/2019 às 17:58

A ponte Jornalista Phelippe Daou, conhecida como Ponte Rio Negro, é um dos cartões postais de Manaus. Local escolhido por atletas para práticas esportivas como caminhadas, corridas e ciclismo, o monumento está ficando conhecido pelas dezenas de tentativas de suicídio que tem registrado. O número exato de mortes no local não é divulgado, justamente para não estimular mais pessoas a buscarem a ponte com a intenção de tirar a própria vida. Em função do problema, hoje, às 9h, o monumento foi palco de uma grande mobilização em favor da vida.

Fontes não oficiais apontam que desde a sua inauguração em 2012, o local já teve mais de 50 suicídios, porém o número exato de pessoas que pularam da ponte é desconhecido. A Delegacia Especializada em Ordem e Política Social (Deops), que investiga os casos, não informa o número de suicídios. De acordo com policiais militares que trabalham no local, uma média de seis pessoas por semana tentam suicídio ali.



O Corpo de Bombeiros disse que neste ano ainda não recebeu nenhuma chamada para atender tentativa de suicídio na ponte Jornalista Philippe Daou, mas recebeu chamado para atender ocorrência de resgate de pessoas desaparecidas na água suspeita de que a vítima tenha saltado da ponte. Todas foram encontradas mortas.

Policiais militares que trabalham no posto de fiscalização do Batalhão de Transito (Batran), na ponte, da 8ª Companhia Interativa Comunitária, bairro da Compensa, e de Iranduba têm conseguido impedir alguns suicídios. Isso acontece quando são avisados com antecedência.

Lotado há anos sete anos na 8ª Companhia Independente de Polícia Militar (8ª CIPM), de Iranduba, o cabo Bowman Santos disse que, junto com colegas de farda, já conseguiu impedir alguns suicídios na ponte. De acordo com ele em 2017, ele estava de plantão quando foi acionado por uma família que tinha encontrado o bilhete de um familiar, um jovem de 22 anos de idade, dizendo que iria suicidar-se.

Bowman disse que se deslocou para a ponte Jornalista Philippe Daou e lá estava o rapaz. “Ele estava em estado catatônico dizendo que ia se matar”, contou o militar. O cabo disse que o jovem já estava com o corpo parcialmente do lado de fora do gradil de proteção da ponte.

“Eu me aproximei dele primeiramente falando de Jesus e da família ele, foi um papo um pouco demorado e num descuido dele, o segurei pelo cós da bermuda e com a ajuda dos colegas puxamos ele para dentro da ponte”, contou o cabo.

O sargento Carpegiane, quando lotado na 8ª Companhia Interativa Comunitária (Cicom),disse que conseguiu evitar algumas mortes na ponte Jornalista Philippe Daou. Uma delas foi de uma moça que estava em cima do gradil chorando muito dizendo que ia por fim a sua vida. “Nós conversamos com ela e acabamos convencendo a não se matar”, contou o sargento.

Carpegiane se deparou com outro caso de suicida, mas não teve um final feliz, foi de um rapaz que estava pendurado no gradil e, quando os militares se aproximaram para tentar salvá-lo, o rapaz gritava que eles não tinham o direito sobre a vida dele e acabou se jogando ponte abaixo.

Locais ofertam assistência

Muito se fala em cuidar da saúde mental hoje em dia e que é bom procurar um profissional de psicologia para tratar uma depressão, uma fobia ou um trauma, mas, convenhamos, muita gente não tem condição de pagar uma consulta. Para quem tem adiado a visita ao psicólogo por conta da falta de recursos, boas notícias: todo mundo com plano de saúde tem direito a atendimento psicológico e sessões ilimitadas, de acordo com determinação da Justiça Federal de 2017.

O Sistema Único de Saúde (SUS) oferece atendimento gratuito por meio dos Centros de Atenção Psicossocial (Caps). Algumas ONGs e empresas também disponibilizam esse tipo de serviço sem custos, e, geralmente, cursos de psicologia oferecem atendimento psicoterapêutico gratuito por meio de projetos de extensão em clínicas-escola.

Um desses lugares é a Clínica de Psicologia Aplicada do Centro Universitário do Norte (Uninorte), que, desde 2004, oferece atendimento psicológico gratuito. Só em 2018, segundo a professora Anne Rabelo, aproximadamente 870 pessoas procuraram o serviço. “Entre os casos que mais recebemos estão depressão, ansiedade e pensamentos suicidas (este último principalmente entre adolescentes)”, conta.

Os atendimentos são realizados por pré-agendamento. A clínica está localizada na avenida Getúlio Vargas, no Centro, e funciona das 8h às 18h (segunda, quarta e sexta-feira), das 8h às 19h (terça e quinta-feira) e aos sábados das 8h às 12h.

O curso de psicologia da Universidade Federal do Amazonas (Ufam) também oferece, há mais de 20 anos, avaliação psicológica e atendimento psicoterápico gratuito não só para os alunos, como também para a população em geral. Os atendimentos acontecem no Centro de Serviços de Psicologia Aplicada (CSPA), a clínica-escola da Faculdade de Psicologia, localizado no setor sul do Campus da Ufam, Coroado I, zona Leste de Manaus.

Só em 2018, foram 138 atendimentos individuais. Em 2019 foram 86. Depressão, ansiedade e transtorno de pânico são os casos mais frequentes. De acordo com a coordenadora do CSPA, Lídia Rochedo, o período de inscrição na CSPA começará a partir do dia 9 de setembro. “Os interessados devem se dirigir à clínica portando documento de identificação. Com relação aos pacientes menores de idade, os pais ou o responsável deve comparecer com documento pessoal e da criança. Atendemos de crianças a partir dos seis anos até idosos”, orientou.

Há três Centros de Atenção Psicossocial em Manaus que não necessitam de encaminhamento e que estão de portas abertas para atender todo tipo de sofrimento psíquico, dos mais severos aos mais leves. São eles, o CAPS III Benjamim Matias Fernandes, na avenida Maneca Marques, 1916, Parque 10 de novembro (Zona Centro-Sul de Manaus). O local funciona 24h, todos os dias da semana; o CAPS Álcool e outras Drogas III Dr. Afrânio Soares, na Alameda Espanha, 5, Conjunto  Jardim Espanha, Aleixo; e o CAPS Infantojuvenil Leste, na Avenida Adolfo Duque, 1221, Conjunto Acariquara, Coroado (zona Leste).  Este último oferece serviço especializado no atendimento a crianças e adolescentes com transtornos mentais e problemas decorrentes do uso de álcool e outras drogas. O funcionamento é de 7h às 17h.

Atendimento no SUS

O Sistema Único de Saúde (SUS) oferece atendimento gratuito por meio dos Centros de Atenção Psicossocial (Caps). Algumas ONGs e empresas também disponibilizam esse tipo de serviço sem custos, e, geralmente, cursos de psicologia oferecem atendimento gratuito.

Repórter de A Crítica

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