Terça-feira, 15 de Junho de 2021
ENTREVISTA

'Estou buscando forma de fazer compra direta de vacinas', diz prefeita de Presidente Figueiredo

Primeira mulher a governar Presidente Figueiredo, Patrícia Lopes disse, em entrevista, que sua gestão, além do combate à pandemia, quer ampliar a estrutura de exploração do turismo no município para aquecer a economia.



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08/05/2021 às 11:38

Primeira mulher a comandar o município de Presidente Figueiredo, Patrícia Lopes (MDB), enfrentou “gigantes” para chegar ao cargo. Em um período onde o conhecimento sobre a saúde pode mudar vidas, ser prefeita e enfermeira somou expertises para o combate da pandemia da Covid-19.

Patrícia foi entrevistada pelo editores do  Sim&Não  Aruana Brianezi, Dante Graça e Luana Carvalho por meio de videoconferência. No bate-papo, ela  falou sobre os investimentos no município com um dos maiores potenciais turísticos do Amazonas, a construção da primeira maternidade municipal e os desafios como mulher na política.

Aruana: Quais medidas o município adotou no combate à pandemia?

Pedimos apoio de comunidades, dos comerciantes, para que a gente pudesse também dividir essa responsabilidade e todos se propuseram a contribuir. Pediram que nós flexibilizássemos um pouco e de acordo com os números a gente retornaria a tomar essa medida de forma mais ríspida. Então é dessa forma que nós estamos fazendo. Graças a Deus aqui a situação está controlada e é importante que a população continue contribuindo fazendo a sua parte. Essa é uma luta de todos nós.

Aruana: Quanto tempo as cachoeiras ficaram fechadas?

No último decreto ficamos fechados por volta de dez dias. Nós já retornamos, limitando o acesso e dessa forma nós estamos acompanhando. Os donos de cachoeiras e estabelecimentos têm contribuído também. Estamos com um projeto da Secretaria de Turismo que está dando selo para aqueles empreendimentos que estão comprometidos com o turismo responsável. Dessa forma nós estamos incentivando para que todos possam fazer a sua parte.

Dante: Como está a situação dos hospitais do município e qual a principal demanda nessa área da saúde nesse momento de enfrentamento à covid-19?

Hoje nós estamos em uma situação que nos deixa mais confortáveis. Estamos com números bem reduzidos. Estamos tendo todo o apoio do governo do Estado sempre que precisamos fazer alguma transferência nós temos conseguido, o que nos meses de janeiro e fevereiro não era possível com tanta facilidade. Eu vejo que nós estamos em um momento de superação e espero que com a imunização possamos cada vez mais superar essa fase tão difícil.

Luana: Uma de suas promessas de campanha foi a constrição de uma maternidade, como está o andamento desse processo?

O hospital de Presidente Figueiredo foi construído na primeira gestão [municipal] na década de 80. Ele já não atende a nossa população como deveria. É um compromisso nosso fazer um hospital novo com a maternidade e também com os leitos de UTI. Nesse momento que estamos passando podemos ver a necessidade que os municípios precisam se preparar cada vez mais para enfrentar momentos difíceis como esse. Eu quero daqui há uns anos poder dar apoio a nossa capital. Quero que Presidente Figueiredo tenha um hospital de referência que possa inclusive ajudar a nossa capital. Nós já estamos na construção do projeto arquitetônico. Realizamos uma reunião envolvendo todos os chefes de setor do hospital, para que cada um pudesse contribuir com o programa. Aquilo que eles entendem que seja necessário para  desenvolverem com excelência a sua função e cada um pode fazer os seus apontamentos e em cima desse programa o nosso arquiteto está elaborando esse projeto.

Aruana: A senhora vai captar verbas aonde para fazer essa obra?

Nós já estamos em tratativas com alguns deputados e senadores para que a gente possa através de emendas garantir a construção desse hospital.

Luana: No ano passado, Presidente Figueiredo foi o município do estado que mais recebeu recursos federais e estaduais. Por outro lado, há a questão do turismo na cidade, mas é pouco explorado. Qual a estratégia da sua gestão para fazer o reordenamento do turismo no município?

De fato, o município tem uma boa arrecadação. Cada gestor tem as suas prioridades. Cada um que teve a oportunidade de estar a frente do Executivo trabalhou conforme as suas convicções. Eu tenho a plena convicção de que os nossos potenciais são gigantescos. O nosso maior problema hoje é o desemprego. Entendo que através do turismo nós podemos minimizar esse alto índice de desemprego no nosso município aquecendo a economia do nosso município, atraindo ainda mais pessoas para que possam visitar e indicar Presidente Figueiredo.

Quero que Presidente Figueiredo seja um município conhecido não apenas pelas belezas naturais que temos, pois Deus nos abençoou em abundancia, mas o homem precisa fazer mais. O município turístico precisa ser melhor cuidado. Precisa oferecer uma infraestutura que atenda com segurança e com qualidade os nossos visitantes e mais do que isso, que possa proporcionar aos nossos moradores o conforto e dar a todos nós o orgulho de dizer que moramos em PF que amamos esse lugar. Esse é um dos nossos objetivos.

Ainda em novembro, antes mesmo de tomarmos posse, estivemos em Brasília. Estive no Ministério do Turismo. Estamos nessas tratativas para que nós possamos garantir as melhorias do turismo. Conseguimos os recursos para fazer o portal de Presidente Figueiredo. Um município que fica tão próximo a Manaus e onde muitas pessoas passam pela cidade e não percebem que já é Presidente Figueiredo porque não tem uma placa de 'Seja bem-vindo a Presidente Figueiredo' nem tão pouco o 'Volte sempre'.

Nós queremos ainda esse ano poder inaugurar esse portal e também melhorar a infraestrutura dos nossos ramais.

Além do turismo para aquecer a nossa economia, eu acredito muito no setor primário. O setor primário irá garantir as pessoas que moram no campo que elas fiquem lá e possam viver também com qualidade Além disso, muitos dos nossos ramais têm cachoeiras, corredeiras e precisam dar aos turistas ramais que possam dar a segurança de que irão chegar bem e que não ficaram na estrada como muitas vezes acontece e é esse o nosso objetivo: melhorar a infraestrutura, garantir o turismo seguro e de qualidade.

Dante: Como se consegue fazer todo esse investimento, trabalhar nessa ampliação do setor turístico no momento tão complicado de pandemia?

Eu lido com bastante otimismo, sabendo que nós vamos superar esse momento crítico tendo todos os nossos esforços voltados a esse enfrentamento da pandemia e em paralelo garantindo que o nosso município possa sair dessa crise que não é somente uma crise sanitária, mas também uma crise econômica, por isso essa necessidade de ter esse planejamento e buscar formas de viabilizar esse turismo, de melhorar o setor primário para que a nossa população possa inicialmente sair dessa crise tendo condições de melhorar e garantir o seu sustento.

Aruana: O município criou um auxílio emergencial. Ele já começou a ser pago?

Nós fizemos o auxílio emergencial para garantir às famílias que se encontram em situação de vulnerabilidade o pagamento de três parcelas de R$ 200. Com isso a gente pode minimizar os impactos que essas pessoas vêm enfrentando. Muitos eram autônomos, outros ficaram desempregados, mas com isso a gente consegue ajudar as famílias. Também estamos trabalhando com cestas básicas garantindo esses alimentos para as famílias tanto na sede, quanto nas comunidades. Na semana passada entregamos mais de 30 mil quilos de peixe. Isso tem ajudado e minimizado esses impactos.

Aruana: O Censo foi cancelado esse ano e tem um grande impacto nos municípios do interior, por conta da defasagem de população, a senhora tem algum controle de como está isso em PF?

Infelizmente isso impacta realmente nos repasses. Hoje nós temos um censo em torno de 36 mil habitantes e a realidade não é essa. Temos um número bem maior. Presidente Figueiredo é uma cidade que constantemente as pessoas vem morar e também saem. Infelizmente o município perde com isso e temos que aguardar que tudo se normalize para que a gente possa garantir o máximo de recursos possíveis para garantir os serviços públicos de qualidade assim como a nossa população merece.

Dante: Como estão as discussões para a possível volta às aulas presenciais?

Nós estamos seguindo à risca o que diz o PNI e, conforme o  Programa Nacional de Imunização, os professores ainda não foram contemplados. Entendemos a necessidade que existe de imunizar os nossos professores para assim retornarmos às aulas. Estou buscando uma forma de fazer a compra direta das vacinas. Entramos no consórcio para garantir também a compra dessas vacinas e estamos trabalhando para o quanto antes essas aulas possam ser presenciais. Nós fizemos um processo seletivo, os professores já estão sendo contratados, transporte escolar também já está sendo contratado e com isso o município está fazendo a sua parte e principalmente de garantir que a gente posa inicialmente vencer essa guerra e depois voltar a normalidade garantindo todos os serviços necessários e presenciais.

Aruana: A compra de vacinas será dentro de um grupo. Tem alguma negociação sobre valores, de onde vai vir dinheiro para pagar a vacina?

Com recursos próprios. Com os municípios que se interessaram, no Brasil, foi montado um consórcio. Presidente Figueiredo faz parte desse consórcio. Dessa forma garantimos uma vacina mais barata. Ainda estamos em negociação. Frequentemente fazemos videoconferência para discutirmos, mas ainda não conseguimos algo concreto para garantir essa compra. Estamos trabalhando para que isso possa acontecer o quanto antes.

Dante: Qual a quantidade desejada pelo município?

De acordo com a quantidade de doses disponíveis para a venda, porque o maior problema é a quantidade de doses, o que for disponível para PF da nossa parte tem a maior disposição em garantir e buscar enxugar recursos para garantir essa vacina. Sem dúvidas é uma prioridade: salvar vidas.

Aruana: A ideia então é vacinar toda a população acima dos 18 anos?

Sim. Esse é o nosso desejo. Garantindo primeiramente e seguindo o cronograma do PNI e assim chegando ao máximo de pessoas possível.

Aruana: O que fez a senhora entrar na política que é uma atividade "tão mal vista" hoje em dia? Como foi disputar a eleição com políticos mais experientes e sair vitoriosa?

Foi uma decisão tomada assim que eu decidi fazer o curso de enfermagem pelo desejo de cuidar e contribuir. Eu pude ver que através da política eu poderia colocar ainda mais em prática esse desejo que eu tenho. Apresentei o meu nome a primeira vez com 23 anos. Fui candidata à vereadora. Sou a vereadora jovem da história de PF até a presente data. Tive naquele momento o peso, a responsabilidade de fazer valer esse mandato, correspondendo às expectativas dos jovens e também das mulheres porque era a única mulher daquela legislatura. Fui reeleita em 2012, também como a primeira mulher reeleita na história do município para a Câmara Municipal e com o passar dos anos a cada dia mais me dedicando à política encontrando na política formas de corresponder às expectativas das pessoas que assim como eu acreditam que a política pode transformar a vida das pessoas, podem garantir um futuro melhor para todos nós e foi com esse intuito que eu apresentei o meu nome como candidata à prefeita, para que eu pudesse romper um ciclo onde a anos havia uma alternância de poder, onde as pessoas não conseguiam ver uma possibilidade de mudar essa alternância.

Fui até mesmo subestimada. Muitas pessoas achavam que eu estaria abrindo mão de uma vaga que seria garantida na Câmara Municipal por entenderem o meu trabalho e a base que eu já tinha, mas poder enfrentar esse desafio com pessoas consideradas os gigantes, para mim foi motivador. É importante você ter coragem para lutar com aquele que são considerados fortes, vencer os fracos é "fichinha" e para mim foi motivador poder encarar esse desafio a cada dia, conquistando as pessoas com discurso que falava na mudança, na esperança naquilo que as pessoas acreditam e que assim como eu sonham e foi dessa forma que nós conseguimos vencer os gigantes.

Luana: Quais ações da sua administração são desenvolvidas para as mulheres?

Estamos trabalhando além dessa questão da maternidade para garantir às mulheres de PF que tenham filhos figueiredenses de fato, nós estamos trabalhando para garantir uma saúde preventiva. Prevenindo doenças como câncer de colo de útero, câncer de mama. Queremos poder levar, logo que possível, atendimento a todas as comunidades como preventivo para que essas mulheres façam desses exames uma rotina. Para que a gente possa todos os anos estar garantindo isso e a gente tem um programa para acompanhar e lembrar essas mulheres a data dos seus exames. Queremos usar essa estrutura que o SUS oferece dando essa atenção melhorada.

A lei do SUS é uma lei única e eu quero poder fazer valer o SUS e quero também assim como voltado para a saúde queremos continuar fortalecendo a bandeira das mulheres para que a gente possa minimizar a violência contra a mulher. Para que a gente possa fortalecer a mulher em cada setor que ela ocupe. Temos também um aplicativo que está em andamento, o aplicativo Mãe, para que essa mãe possa acompanhar desde a gestação, semana a semana, o desenvolvimento do seu bebê e possa acompanhar até o parto e depois disso possa acompanhar na palma da sua mão como será o retorno ao pediatra, o calendário de vacinas, usando também a tecnologia a favor das mulheres e mães.

Queremos também incluir a mulheres no mercado de trabalho, fazendo constantemente a capacitação e buscando oportunidade para que essas mulheres possam ingressar no mercado de trabalho. Essa é a primeira vez no município que existe uma secretaria voltada para a mulher a Secretaria Extraordinária dos Direitos das Mulheres. Nós temos muitos projetos que irão atender as necessidades das mulheres figueiredenses.



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