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Estudantes criam protótipo para evitar colisões de aves contra aviões em Manaus

Criado por alunos da Fundação Nokia, projeto “Falcon” consiste em um equipamento que emite frequência sonora capaz de repelir pássaros. Desequilíbrio causado pelas áreas de lixo urbano aumenta número de acidentes 06/12/2014 às 18:15
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Alunos desenvolveram projeto ao longo de oito meses
PERLA SOARES Manaus (AM)

Enquanto aves e aeronaves parecem dividir o espaço aéreo pacificamente, a sua convivência é prejudicada com extremo risco. No caso da colisão com uma aeronave, um único pássaro tem o potencial de causar danos severos, levando em alguns casos à perda total da aeronave, sua tripulação e passageiros.

Pensando nesses e outros possíveis incidentes, os jovens Gabriel Miller, Lucas Silva e Reinaldo Soares, que cursam o 3º ano de Telecomunicações no Ensino Médio Técnico da Fundação Nokia, desenvolveram um protótipo que une hardware e software para emitir uma frequência sonora capaz de repelir pombos e urubus.

“A ideia surgiu a partir da verificação de que os urubus podem causar acidentes aéreos ao se chocar com aeronaves e a presença delas ao redor de aeroportos é uma constante em muitos aeroportos, principalmente em cidades do interior do Amazonas. Já os pombos podem transmitir várias doenças através de suas fezes”, explica Reinaldo, de 19 anos. “O prejuízo que os pombos causam com suas fezes é enorme. Além disso, ao efetuar a limpeza desses excrementos com uma vassoura e pá, por exemplo, é causar uma poeira tóxica que pode ser inclusive letal”, completa Gabriel.

Invenção

O projeto recebeu o nome de Falcon - Sistema Ultrassônico para Controle Aviário em Ambientes Aeroportuários e Domésticos - e foi apresentado pela primeira vez na Feira Norte de Tecnologia e Ciência, realizada pela Fundação Nokia no dia 19 de novembro.

O trio desenvolveu o projeto ao longo de oito meses, com a orientação do professor Marcelo Ribeiro, e agora aguarda um componente importado da China para aumentar a capacidade de alcance do protótipo. “O usuário entra no software e escolhe a ave que deseja repelir, além o horário de início e final da onda sonora. O software envio um sinal para um microcontrolador que emite essa onda, que é inaudível para os seres humanos”, diz Rinaldo.

Dessa forma, o projeto repele as aves sem lhes causar dano físico. “A prevenção de acidentes na aviação é um mercado de milhões de dólares, com muita tecnologia sendo desenvolvida constantemente”, relembra Gabriel.

Situação

No Brasil, é observado o agravamento do risco de colisão de aeronaves com pássaros, principalmente em função do desequilíbrio ecológico causado pelas áreas destinadas à disposição de lixo urbano, além de matadouros, curtumes e postos de entrepesca que operam em desconformidade com a legislação em vigor no entorno dos aeroportos.

Acidentes

Devido a risco de colisões com aeronaves, que pode ocasionar desde pequenos prejuízos, como danificar equipamentos e atrasos em voos, assim como um acidente grave, como a queda de aeronaves, a Empresa Brasileira de Infraestrutura Aeroportuária (Infraero) possui o Plano de Gerenciamento do Risco da Fauna (PGRF) que tem como objetivo reduzir e/ou eliminar os acidentes aeronáuticos provenientes de ocorrência com a fauna, através de ações internas ao sítio aeroportuário de manejo de fauna e que busquem a redução de fatores atrativos.

Além disso, a Infraero realiza articulações externas (governo e municípios) que visem melhoria das condições de ocupação do solo e infraestrutura da área do entorno do aeroporto.

Ainda de acordo com a Infraero desde de 2009 a empresa conta com uma equipe de especialistas para lidar com Risco da Fauna no Aeroporto Internacional de Manaus – Eduardo Gomes, formada por um Biólogo, um veterinário e quatro auxiliares de campo que atuam diretamente com o manejo de fauna e com estudos para diminuição de focos atração de aves.

O aeroporto também dirige a Comissão de Gerenciamento do Risco da Fauna que busca conscientizar e articular medidas de mitigação com o poder público. Diversas instituições publicas e empresas aéreas compõem a comissão.

Atualmente, o Aeroporto possui também um Projeto de educação ambiental denominado “ASA Limpa”, criado pela Comissão de Gerenciamento do Risco da Fauna - CGRF e o Grupo de Trabalho de Educação Ambiental - GTEA, que tem como objetivo conscientizar os alunos sobre risco da fauna, assim como a necessidade do adequado manejo de resíduos sólidos e sua relação com a atração da fauna para o sitio aeroportuário; Dentro deste projeto existem dois Programas: um de visita de técnicos nas escolas no entorno do aeroporto e outro de visitas escolares dos alunos no aeroporto.

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